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MAPA cria câmara temática para mulheres rurais no CNPA

Ministério da Agricultura lança câmara temática das mulheres rurais no CNPA para ampliar participação feminina nas decisões de políticas agropecuárias.

11 de junho de 2026 4 min de leitura
MAPA cria câmara temática para mulheres rurais no CNPA

O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) lançou a Câmara Temática das Mulheres Rurais, vinculada ao Conselho Nacional de Política Agrícola (CNPA). A iniciativa busca ampliar a participação feminina na formulação de políticas públicas do agro, com foco em inclusão produtiva, renda e melhoria das condições de trabalho no campo.

O que aconteceu

A nova câmara temática foi oficializada pelo MAPA como instância de assessoramento do CNPA, com a missão de discutir demandas específicas das mulheres que atuam na agricultura familiar, no agronegócio empresarial e em cooperativas. A estrutura reúne representantes de governo, entidades do setor produtivo e organizações de mulheres rurais.

O grupo deverá propor recomendações sobre acesso a crédito, assistência técnica, inovação, comercialização, regularização fundiária e sucessão familiar, sempre sob a ótica de gênero. A câmara também poderá articular ações com outros ministérios para integrar políticas de desenvolvimento rural, proteção social e capacitação profissional.

Segundo o MAPA, a criação do colegiado responde a uma demanda antiga de movimentos de mulheres do campo e alinha o Brasil a diretrizes de organismos internacionais que defendem maior protagonismo feminino na segurança alimentar e no desenvolvimento rural sustentável.[4]

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Por que importa para o agro

A formalização de uma câmara temática dentro do CNPA dá às mulheres rurais um canal direto de interlocução com o governo federal na definição de políticas agrícolas. Isso tende a influenciar programas de crédito, seguro rural, compras públicas e apoio à comercialização, com impacto direto na gestão das propriedades.

Maior participação feminina também pode acelerar a adoção de práticas de gestão profissional, diversificação de renda e inovação nas fazendas. Estudos da Embrapa e de agências da ONU apontam que empoderar mulheres no campo aumenta a produtividade e contribui para o uso mais eficiente de recursos naturais, além de fortalecer a sucessão rural e reduzir a vulnerabilidade social das famílias.[4]

Dados e contexto

Mulheres já respondem por parcela relevante da força de trabalho e da gestão no campo, mas ainda enfrentam gargalos de acesso a recursos e decisões:

  • Segundo o Censo Agropecuário 2017 do IBGE, cerca de 19% dos estabelecimentos agropecuários têm mulheres como responsáveis diretas.
  • Dados do mesmo levantamento indicam que a participação feminina é maior em propriedades familiares e em cadeias como hortaliças, leite, agroindústria artesanal e agroecologia.
  • Estudos reunidos pela Embrapa mostram que ampliar o acesso das mulheres a insumos produtivos e serviços de extensão pode elevar significativamente a produção de alimentos e a renda das famílias rurais.[4]
  • Organismos internacionais estimam que reduzir as desigualdades de gênero na agricultura melhora indicadores de segurança alimentar e de combate à pobreza em áreas rurais.
A criação da câmara temática das mulheres rurais no CNPA se soma a outros espaços de participação social ligados ao MAPA, como câmaras setoriais de cadeias produtivas e fóruns de agricultura familiar. A diferença é o enfoque transversal em gênero, que permite tratar temas como crédito, tecnologia, assistência técnica e mercado sob uma perspectiva específica das agricultoras, pecuaristas, extrativistas e trabalhadoras assalariadas.

O que observar daqui pra frente

Produtores, cooperativas e sindicatos devem acompanhar a instalação efetiva da câmara, sua composição e a agenda de trabalho com o MAPA e o CNPA. O ponto central será verificar se as recomendações do grupo se traduzirão em ajustes concretos em políticas de crédito, seguro, assistência técnica e programas de compra pública, abrindo espaço para que mais mulheres assumam papéis de gestão nas propriedades e nas organizações do agro.

Fontes

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