Marrocos zera tarifas de importação para ovinos vivos e carnes até 2026
Decisão do governo marroquino suspende tarifas de importação para ovinos vivos e carnes vermelhas até o fim de 2026, abrindo espaço para mais proteína brasileira.

O governo de Marrocos suspendeu os direitos de importação para ovinos vivos e para carnes de bovinos, ovinos, caprinos e camelídeos até o fim de 2026, em medida voltada a conter a alta dos preços da carne vermelha e reforçar o abastecimento interno.[2][7] A decisão abre espaço para maior participação de exportadores, incluindo o Brasil, em um mercado que busca proteína animal com custo mais competitivo.[1][3]
O que aconteceu
Em reunião do conselho de governo, Marrocos aprovou o decreto n.º 2.26.584, que suspende os direitos de importação sobre ovinos vivos e sobre carnes de diferentes animais domésticos.[2] A medida também prevê revisão das tarifas sobre miúdos dessas espécies, ampliando o escopo dos produtos beneficiados e garantindo oferta adicional de proteína ao consumidor marroquino.[2]
A decisão se soma às medidas da lei de finanças de 2026, que já prorrogavam a isenção de direitos de alfândega e de IVA para bovinos domésticos.[2][7] O governo também ampliou o contingente de bovinos com isenção, passando de 150 mil para 300 mil cabeças, com foco em reequilibrar o mercado, recompor rebanhos e reduzir o impacto da seca prolongada sobre a pecuária local.[2][7]
Nos últimos anos, o país vinha autorizando a importação de carnes vermelhas frescas, congeladas ou refrigeradas de uma lista de países habilitados pelo serviço sanitário ONSSA, com controle rigoroso para garantir segurança alimentar.[7] A nova suspensão de tarifas aprofunda essa estratégia ao atacar diretamente o custo da carne para o consumidor.
Por que importa para o agro
Para o produtor e a indústria de carne no Brasil, a suspensão das tarifas em Marrocos significa ganho direto de competitividade em um mercado disposto a ampliar importações para segurar preços internos.[1][3] Com a tarifa zerada, o custo de entrada cai, o que favorece frigoríficos com produto já habilitado ao mercado marroquino e que buscam diversificar destinos além de China e Oriente Médio.[3][8]
O movimento reforça uma tendência de maior aproximação comercial entre Brasil e Marrocos na proteína animal, já visível em decisões anteriores de isenção de IVA para até 20 mil toneladas de carnes bovina, ovina, caprina e camelídea, além da liberação de até 120 mil bovinos e 100 mil ovinos vivos do Brasil sem imposto sobre valor agregado.[1][3][5] Na prática, quem estiver pronto para atender requisitos sanitários e logística marítima pode capturar parte dessa demanda adicional até 2026.
Dados e contexto
Marrocos enfrenta alta contínua nos preços da carne vermelha, pressionada por anos de seca e queda na oferta interna de animais.[7] Para conter essa escalada, o país adotou um pacote de medidas que inclui abertura sanitária e redução de impostos:
| Medida em Marrocos | Impacto direto |
|---|---|
| Suspensão de tarifas para ovinos vivos e carnes até 2026[2] | Reduz custo de importação e amplia oferta |
| Isenção de IVA para até 20 mil t de carnes do Brasil[1][3][5] | Torna proteína brasileira mais competitiva |
| Liberação de 120 mil bovinos e 100 mil ovinos vivos sem IVA[1][3][5] | Incentiva embarques de gado vivo |
| Ampliação da cota de bovinos isentos de 150 mil para 300 mil cabeças[2] | Reforça recomposição de rebanho local |
Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), Marrocos já vinha ampliando relações comerciais com o Brasil, negociando abertura de mercado para lácteos, mel, couros e carne bovina, em cenário de tarifas que podiam chegar a 200% para carne bovina congelada e 100% para frango in natura.[9] A atual suspensão de direitos de importação reduz essa barreira e cria janela de oportunidade relevante até o fim de 2026.
Dados recentes mostram que, em 2023, Marrocos importou 2,8 mil toneladas de carne bovina do Brasil, contra apenas 63 toneladas no ano anterior, evidenciando crescimento acelerado após flexibilização tributária e sanitária.[3] Além disso, o país já recebeu carregamentos de gado vivo brasileiro, estimulados por cotas com tarifa zero para dezenas de milhares de cabeças.[8]
O que observar daqui pra frente
Até 2026, o ponto-chave para o agro brasileiro será acompanhar a execução das cotas, as exigências sanitárias do ONSSA e eventuais revisões nas regras marroquinas. Quem conseguir alinhar rastreabilidade, certificações religiosas (halal) e logística eficiente tende a se beneficiar da tarifa zerada, mas deve monitorar a concorrência de outros fornecedores e oscilações cambiais, que podem redefinir rapidamente a atratividade do mercado.
Fontes
- Canal Rural – Marrocos suspende tarifa de importação para ovinos vivos e carnes até o fim de 2026
- Yabiladi – Maroc : Le gouvernement suspend les droits d’importation sur les viandes
- CNN Brasil – Governo de Marrocos isenta impostos para importação de carne bovina e ovina do Brasil
- ANBA – Morocco exempts Brazilian meats from taxes
- MAPA – Marrocos amplia relações comerciais com o Brasil
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