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Mercado de açúcar trava com baixa liquidez e negócios pontuais em SP

Açúcar cristal inicia a semana com baixa liquidez no spot paulista, negócios pontuais e leve pressão negativa sobre os preços.

19 de maio de 2026 3 min de leitura
Mercado de açúcar trava com baixa liquidez e negócios pontuais em SP

O mercado spot de açúcar cristal em São Paulo começou a semana com baixa liquidez e poucos negócios fechados, segundo o Cepea/Esalq-USP. Compradores seguem retraídos, usinas priorizam contratos e etanol, e os preços no físico paulista oscilaram pouco, com viés de leve pressão baixista.

O que aconteceu

As negociações com açúcar cristal no mercado spot paulista ficaram concentradas em volumes pequenos e operações pontuais. Indústrias e distribuidores mantiveram postura cautelosa, alongando estoques e evitando compras maiores à vista.

Do lado das usinas, a disponibilidade para o spot segue limitada. Parte relevante da produção permanece atrelada a contratos antecipados e exportações, enquanto outro volume é direcionado ao etanol, em função da competitividade momentânea entre os produtos.

Com isso, as referências do Cepea para o tipo cristal em São Paulo registraram variação estreita no comparativo diário, refletindo equilíbrio instável: pouca oferta para o spot, mas também pouca disposição de compra, o que trava movimentos de alta mais consistentes.

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Por que importa para o agro

Para o produtor e para as usinas, a baixa liquidez reduz a capacidade de testar preços mais altos no mercado interno e mantém a renda dependente dos contratos já firmados e das exportações. Em cenário de custos pressionados por insumos e mão de obra, qualquer dificuldade de repasse de preço aperta a margem.

Na outra ponta, indústrias de alimentos e bebidas aproveitam o ambiente de pouca demanda agregada para segurar compras e tentar alongar contratos. Se a combinação de dólar, câmbio e etanol voltar a favorecer o açúcar, o produtor pode priorizar exportação, o que tende a reduzir ainda mais o volume disponível no mercado spot.

Dados e contexto

O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de açúcar. A Conab estima que a safra 2024/25 de cana no Centro-Sul supere 600 milhões de toneladas, com forte participação de São Paulo na moagem.

Segundo o MAPA e dados consolidados do setor sucroenergético, mais de 70% da produção brasileira de açúcar é exportada, deixando menos de 30% para o mercado interno. Isso reforça a sensibilidade do spot paulista a qualquer ajuste de mix entre açúcar e etanol.

Alguns pontos-chave:

  • Cepea registra negócios concentrados em poucos lotes, o que aumenta a volatilidade pontual de preços.
  • Usinas seguem avaliando diariamente a relação de preços entre açúcar e etanol anidro/hidratado.
  • O dólar forte tende a favorecer exportações, reduzindo o ímpeto de vendas no mercado doméstico.
Em linhas gerais, o cenário recente tem sido de valores remuneradores no mercado externo e maior competitividade do etanol frente à gasolina em alguns estados, o que influencia a decisão industrial sobre o destino da cana.

O que observar daqui pra frente

O produtor deve acompanhar de perto o comportamento do etanol, o câmbio e os relatórios de oferta global (como os do USDA e da OIA). Uma melhora da demanda doméstica ou variações no preço da gasolina podem alterar o mix de produção das usinas, destravando o mercado spot ou, ao contrário, enxugando ainda mais a disponibilidade de açúcar cristal em São Paulo, com impacto direto na formação de preços para a próxima janela de negócios.

Fontes

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