Sustentabilidade

Minerva Foods e MyCarbon: A Revolução na Produção de Créditos de Carbono no Agronegócio Brasileiro

A Minerva Foods avança na geração de créditos de carbono próprios via MyCarbon, com emissões previstas para 2026. Projetos regenerativos em 35 mil hectares prometem 3 milhões de créditos em uma década, unindo pecuária e sustentabilidade.

06 de maio de 2026 7 min de leitura
Minerva Foods e MyCarbon: A Revolução na Produção de Créditos de Carbono no Agronegócio Brasileiro

A Minerva Foods, uma das maiores processadoras de carne bovina do mundo, está transformando o mercado de carbono em uma nova fronteira de negócios no agronegócio brasileiro. Por meio de sua subsidiária MyCarbon, criada em 2021, a empresa se prepara para emitir seus primeiros créditos de carbono próprios em 2026, certificados pela Verra, uma das principais plataformas globais de registro voluntário. Essa iniciativa surge em um contexto de crescente pressão por descarbonização, com o Brasil posicionado como líder em soluções baseadas na natureza (SBN), graças à sua vasta extensão agrícola e pecuária.

Os projetos da MyCarbon envolvem mais de 35 mil hectares dedicados a práticas regenerativas, divididos entre agricultura (32,5 mil ha) e pecuária (2,5 mil ha), em parcerias com gigantes como Yara, SLC Agrícola e Brandt. A expectativa é alcançar quase 3 milhões de créditos de carbono nos próximos dez anos, equivalentes a 3 milhões de toneladas de CO2e removidas ou evitadas. Essa estratégia não só diversifica receitas, mas também fortalece a rastreabilidade da cadeia da Minerva, que já monitora 100% de seus fornecedores diretos em quatro países.

Em um setor responsável por cerca de 18% das emissões globais de gases de efeito estufa (segundo o IPCC), segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, o Brasil tem potencial para liderar a transição para uma agropecuária de baixo carbono. Iniciativas como essa da Minerva alinham-se aos compromissos do país no Acordo de Paris e à Estratégia Nacional de Redução de Emissões, impulsionando o mercado voluntário de carbono, avaliado em US$ 2 bilhões globalmente em 2025 pela Ecosystem Marketplace.

Contexto e fundamentação

O mercado de carbono no Brasil ganhou tração nos últimos anos, impulsionado pela demanda corporativa por neutralidade climática. A Conab registrou que o agronegócio brasileiro emitiu 1,2 bilhão de toneladas de CO2e em 2024, com a pecuária contribuindo com 40% desse total, principalmente por desmatamento e emissões entéricas. Instituições como a Embrapa têm promovido práticas de intensificação sustentável, como integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), adotada em 16 milhões de hectares até 2025, segundo dados do MAPA.

A MyCarbon surgiu em 2021 como uma evolução do plano original da Minerva para trading de créditos. Em 2022, comercializou 280 mil toneladas de CO2e em leilão do Salic, fundo soberano saudita com participação na empresa. Hoje, opera em três pilares: originação (geração própria via agro), trading (comercialização de créditos externos) e projetos internos (cálculo de pegada de carbono em produtos). Parcerias com Yara focam em fertilizantes de precisão, enquanto SLC Agrícola integra carbono no solo via plantio direto.

Dados do IBGE mostram que o Brasil possui 280 milhões de hectares de pastagens degradadas, ideais para regeneração, com potencial de sequestro de 200-400 kg de carbono por hectare/ano, conforme estudos da Embrapa. A Verra, com seu protocolo VM0017 para agricultura, certifica reduções mensuráveis, exigindo baselines históricas e monitoramento via satélite. A Minerva planeja emitir 1,2-1,5 mil créditos iniciais em 2026, já comercializados, equivalentes a remover emissões de 300 carros por ano (considerando 4 t CO2e/veículo/ano, per EPA).

Imagem ilustrativa da seção

Aspectos técnicos

A geração de créditos envolve metodologias rigorosas. Na agricultura regenerativa, técnicas como cobertura vegetal permanente, rotação de culturas e redução de aração aumentam o carbono orgânico no solo (COS) em 0,5-2 t/ha/ano, segundo meta-análises da USDA. A MyCarbon usa o protocolo Verra VM0042 para arranjos agroflorestais, medindo sequestro via amostragem de solo (0-30 cm) e modelagem IPPC Tier 2.

Na pecuária, práticas como pastejo rotacionado e suplementação proteica reduzem emissões entéricas em 15-30%, per Embrapa Gado de Corte. Um hectare de pastagem regenerada pode sequestrar 1-3 t CO2e/ano, comparado a 0,5 t em pastagens degradadas. A rastreabilidade da Minerva usa blockchain e GPS, integrando dados de 100% dos fornecedores no Brasil, Colômbia, Argentina e Paraguai.

PráticaSequestro Médio (t CO2e/ha/ano)Redução de Emissões (%)Fonte
Plantio Direto1,2-2,520-40Embrapa
ILPF2,0-4,030-50MAPA
Pastejo Rotacionado1,0-3,015-30USDA
Biochar2,5-5,0N/ANetZero

Esses parâmetros garantem adicionalidade e permanência, evitando greenwashing. Comparado ao USDA, que certifica soybean carbon programs com 1 t/ha/ano, os projetos brasileiros superam pela biodiversidade tropical.

Aplicações práticas no campo

Para o produtor, adotar esses projetos significa contratos de longo prazo com a MyCarbon, que financia insumos e monitora via apps como Campo App ou Strider. Exemplo: um pecuarista em Mato Grosso integra ILPF em 500 ha, plantando braquiária com soja e eucalipto, sequestrando 1.500 t CO2e/ano e recebendo R$ 50-100/t no mercado voluntário (preço médio 2025, per Conab).

Passos práticos:

  • Diagnóstico: Análise de solo e baseline de emissões (ferramenta Embrapa Carbon).
  • Implementação: Semeadura de coberturas (ex: aveia, crotalária) e divisão de piquetes.
  • Monitoramento: Drones e sensores IoT para NFU (unidade de referência funcional).
  • Certificação: Auditoria Verra a cada 5 anos.
Casos reais incluem SLC Agrícola, com 10 mil ha em projetos semelhantes, gerando 50 mil créditos/ano. Produtores ganham renda extra de 20-30%, diversificando além da commodity.

Insights para o tomador de decisão

Oportunidades: O mercado voluntário deve atingir US$ 50 bi até 2030 (BloombergNEF), com demanda de aviadoras e techs. Para agroindústrias como Minerva, créditos próprios reduzem custos de Scope 3 em 10-20% e abrem exportações para UE (CBAM). Projeção: 1,5 mi créditos agrícolas + 800 mil pecuários em 10 anos.

Riscos: Volatilidade de preços (R$ 30-150/t), dependência de certificadoras e políticas como taxação de carbono (PL 1826/21 no Congresso). Críticas ao mercado voluntário apontam superestimação de 80-90% em alguns projetos (The Guardian, 2023).

Recomendações:

  • Diversifique certificadoras (Verra + Gold Standard).
  • Integre IA para previsão de sequestro.
  • Parcerias público-privadas com ABC+ Plano (MAPA).
Análise crítica: enquanto escala, a Minerva deve priorizar permanência (risco de reversão por seca) e inclusão de pequenos produtores, evitando concentração.

Conclusão

A MyCarbon representa um marco na descarbonização do agro brasileiro, unindo lucratividade e sustentabilidade. Com emissões iniciais em 2026 e meta de 3 milhões de créditos, a Minerva pavimenta o caminho para um setor neutro em carbono até 2050, alinhado aos ODS da ONU. Perspectivas incluem expansão para biochar e etanol de milho, ampliando o portfólio de SBN. O sucesso dependerá de inovação técnica e regulação favorável, posicionando o Brasil como exportador de soluções climáticas.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo