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Ministro cobra retorno do Brasil à lista da UE para carne bovina

André de Paula classifica como inadmissível a saída do Brasil da lista de fornecedores de carne bovina da União Europeia e pressiona por reversão.

20 de agosto de 2026 4 min de leitura
Ministro cobra retorno do Brasil à lista da UE para carne bovina

O ministro da Agricultura, André de Paula, chamou de "inadmissível" a retirada do Brasil da lista de países habilitados a fornecer carne bovina à União Europeia e afirmou que o tema virou prioridade estratégica do governo. A medida europeia ameaça um mercado de alto valor agregado e pressiona toda a cadeia da pecuária de corte.

O que aconteceu

Após a União Europeia excluir o Brasil da lista de países que cumprem suas regras de controle de antimicrobianos na pecuária, o governo intensificou as negociações para reverter o bloqueio. A decisão, que abrange carnes e outros produtos de origem animal, está prevista para entrar em vigor a partir de 3 de setembro, caso não haja mudança de posição do bloco.

André de Paula afirmou que o objetivo imediato é recuperar o status do Brasil como país habilitado a exportar carne bovina para a UE, independentemente do ritmo de retomada dos embarques. Segundo ele, estar fora da lista compromete a imagem sanitária do país e abre espaço para concorrentes em um mercado historicamente importante para a pecuária brasileira.

O ministro disse que diferentes áreas do governo e representantes do setor produtivo estão mobilizados, com agenda de reuniões técnicas e diplomáticas com Bruxelas. A estratégia inclui apresentar novos esclarecimentos sobre o controle do uso de antimicrobianos, reforçar a rastreabilidade e alinhar critérios com as autoridades europeias.

Por que importa para o agro

A União Europeia paga um dos maiores prêmios pela carne bovina in natura brasileira, sobretudo para cortes de maior valor, o que influencia a referência de preço usada por frigoríficos em outras praças. A perda de habilitação pressiona a remuneração do boi gordo, principalmente nas regiões que já têm logística voltada ao mercado europeu.

Mesmo que parte da produção seja redirecionada para China, Oriente Médio ou outros destinos, o ajuste não é imediato. Diferentes exigências sanitárias, de cortes e de certificações limitam a substituição rápida de mercado. Isso pode reduzir margem dos frigoríficos, alongar escalas de abate e afetar o poder de barganha do produtor.

Dados e contexto

  • A União Europeia responde historicamente por uma fatia menor do volume, mas relevante em valor por tonelada, na pauta de carne bovina brasileira, segundo dados de exportação compilados por entidades do setor.
  • A exclusão do Brasil da lista decorre da avaliação europeia de que o país não apresentou garantias suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na pecuária, mesmo sem identificação de irregularidade direta na carne embarcada.
  • Estimativas divulgadas na imprensa econômica falam em possível perda superior a US$ 500 milhões ao ano em exportações de produtos de origem animal, considerando carne bovina, mel e pescados, se o bloqueio for mantido.
  • A exigência europeia se soma a um ambiente de exigências crescentes em sustentabilidade, rastreabilidade e sanidade animal, alinhado a mudanças recentes nas regulamentações de importação do bloco.
Uma forma de visualizar o impacto potencial:
IndicadorSituação com bloqueio da UE

| Acesso ao mercado europeu | Restrito pela perda de habilitação | | Valor médio da carne exportada | Pressionado pela perda de mercado de maior prêmio | | Concorrência internacional | Maior espaço para outros exportadores | | Custos de adequação sanitária | Tendência de alta para atender novas regras |

Nesse cenário, ações de monitoramento mais rígido de antimicrobianos e de comprovação documental ganham peso. Órgãos como MAPA e serviços de inspeção oficiais são peça-chave para revalidar a confiança sanitária junto à UE e outros compradores exigentes.

O que observar daqui pra frente

O produtor e a indústria precisam acompanhar de perto o desfecho das negociações em Bruxelas, a adoção de novos protocolos de controle de antimicrobianos e eventuais ajustes em programas de rastreabilidade. A velocidade de resposta do governo e do setor privado vai definir se o Brasil recuperará rapidamente a habilitação na UE ou se terá de conviver, por mais tempo, com maior dependência de outros mercados e pressão adicional sobre preços internos.

Fontes

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