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Morango cravejado eleva procura e preços após perdas com chuvas

Nova tendência da confeitaria aumenta a demanda por morangos graúdos, enquanto chuvas reduzem a oferta e pressionam os preços nas Ceasas.

26 de setembro de 2026 3 min de leitura
Morango cravejado eleva procura e preços após perdas com chuvas

A popularização do morango cravejado, sobremesa usada por confeiteiros e lojas especializadas, aumentou a procura por frutas grandes e de melhor aparência. Ao mesmo tempo, as chuvas reduziram a oferta em áreas produtoras e elevaram os preços nas Ceasas. Em Belo Horizonte, a alta chegou a 177% em um ano.

O que aconteceu

O morango graúdo, semelhante ao utilizado em fondue, passou a ser mais disputado para a preparação do doce. O tamanho, a firmeza e a aparência da fruta são decisivos para o padrão visual da sobremesa, o que restringe ainda mais a oferta disponível para a confeitaria.

A pressão sobre os preços ocorre justamente no período em que a safra deveria alcançar o pico, nas duas últimas semanas de setembro. Chuvas fortes atingiram áreas de cultivo desde o fim de agosto, prejudicando a colheita, reduzindo a qualidade dos frutos e favorecendo perdas causadas pela umidade.

Em São Paulo, o quilo passou de R$ 19,66 para R$ 25,59 em relação a setembro do ano anterior, alta de 30%. Em Curitiba, a cotação subiu de R$ 18 para R$ 35, avanço de 94%. Em Belo Horizonte, passou de R$ 15 para R$ 41, aumento de 177%.

Por que importa para o agro

A combinação entre demanda concentrada e oferta limitada aumenta a volatilidade do mercado. Para o produtor, a valorização abre oportunidade de receita, principalmente para quem consegue entregar frutos graúdos, uniformes e com menor incidência de danos.

O cenário também eleva os riscos de perdas no campo. O morangueiro é sensível ao excesso de umidade, que pode comprometer flores, frutos e a qualidade pós-colheita. Menor produtividade e descarte maior aumentam o custo por unidade comercializada, mesmo quando os preços sobem.

Na cadeia, confeiteiros e varejistas enfrentam custos maiores e podem reduzir o tamanho das sobremesas, substituir parte da fruta ou repassar o aumento ao consumidor. O impacto tende a ser maior em produtos que dependem de morangos selecionados.

Dados e contexto

  • São Paulo: R$ 25,59 por quilo, alta de 30% em 12 meses.
  • Belo Horizonte: R$ 41 por quilo, avanço de 177%.
  • Curitiba: R$ 35 por quilo, aumento de 94%.
  • Preço do doce: unidades encontradas em São Paulo chegam a R$ 40.
  • Mercado produtor: caixas com quatro bandejas de morangos graúdos chegaram a R$ 50 em negociações no Sul de Minas, o dobro do valor registrado semanas antes.
Dados compilados pela Embrapa mostram que os preços do morango costumam acompanhar a oferta: quando o volume disponível diminui, as cotações tendem a subir. A instituição mantém orientações técnicas sobre produção, manejo e pós-colheita do morangueiro.

O que observar daqui pra frente

A evolução das chuvas, a recuperação da oferta e a duração da tendência do morango cravejado serão os principais fatores para os preços. Produtores devem monitorar doenças, reforçar a proteção dos frutos e priorizar a classificação pós-colheita. Compradores, por sua vez, tendem a disputar antecipadamente lotes de maior calibre enquanto a oferta permanecer restrita.

Fontes

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