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Motta cobra execução integral do orçamento no Plano Safra da agricultura familiar

Superintendente do MDA em SP defende uso total dos recursos do Plano Safra da agricultura familiar e critica falhas de execução que limitam cooperativas e produtores.

30 de junho de 2026 4 min de leitura
Motta cobra execução integral do orçamento no Plano Safra da agricultura familiar

O superintendente federal do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) em São Paulo, Élvio Motta, defendeu a execução integral do orçamento destinado ao Plano Safra da agricultura familiar e alertou para falhas na aplicação dos recursos. A cobrança ocorre em meio ao lançamento do novo ciclo do plano, que amplia valores para crédito rural, mas ainda enfrenta gargalos de acesso para produtores e cooperativas.

O que aconteceu

Durante evento de lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar 2025/2026, Motta destacou que não basta anunciar montantes bilionários se o orçamento não é plenamente executado ao longo do ano agrícola.[2] Ele reforçou que a política só cumpre seu papel quando o crédito chega, de fato, às famílias agricultoras e às cooperativas.[9]

O superintendente citou casos em que recursos autorizados não se transformam em contratos de financiamento, seja por entraves burocráticos, falta de assistência técnica ou dificuldades dos bancos em atender pequenos produtores.[9] Segundo ele, isso reduz o impacto real do plano sobre renda, produção de alimentos e organização econômica da agricultura familiar.

Motta também vinculou a boa execução do Plano Safra ao fortalecimento de cooperativas de pequenos produtores, que dependem de crédito para investir em armazenagem, agroindustrialização e comercialização organizada.[9] Sem acesso estável a recursos, essas estruturas perdem competitividade frente ao agronegócio de maior escala.

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Por que importa para o agro

Para o agro, a execução efetiva do orçamento do Plano Safra da agricultura familiar influencia diretamente oferta de alimentos básicos, estabilidade de preços e dinamismo das economias locais. Quando o crédito não chega na ponta, produtores reduzem área plantada, adiam investimentos e ficam mais vulneráveis a perdas climáticas e de mercado.[2]

A agricultura familiar é responsável por parcela relevante da produção de arroz, feijão, mandioca, hortaliças, leite e outros alimentos consumidos diariamente no país.[2] Falhas na execução do plano pressionam custos, diminuem capacidade de resposta a crises e ampliam a assimetria entre grandes grupos do agronegócio e pequenos agricultores, afetando a competitividade da cadeia como um todo.[3]

Dados e contexto

O Plano Safra da Agricultura Familiar 2025/2026 prevê R$ 89 bilhões para crédito rural, compras públicas, seguro agrícola, assistência técnica, garantia de preço mínimo e outras políticas voltadas às famílias agricultoras.[2]

Dentro desse pacote, o Pronaf soma R$ 78,2 bilhões, o Garantia-Safra tem R$ 1,1 bilhão e o Proagro Mais conta com R$ 5,7 bilhões.[2] O governo informa aumento de cerca de 20% no volume de crédito rural acessado pela agricultura familiar nos últimos ciclos.[2][6]

Há forte subsídio nas taxas de juros: produção de alimentos como arroz, feijão, mandioca, frutas, verduras, ovos e leite pode ser financiada a 3% ao ano, caindo para 2% em sistemas orgânicos ou agroecológicos.[2] Na mecanização, o limite para máquinas menores subiu de R$ 50 mil para R$ 100 mil, com juros de 2,5%, e equipamentos maiores podem chegar a R$ 250 mil, com taxa de 5% ao ano.[2]

Ao mesmo tempo, o Plano Safra global do país prevê valores bem mais elevados para o agronegócio empresarial, em torno de R$ 516,2 bilhões, ante R$ 89 bilhões para a agricultura familiar, evidenciando assimetria na política agrícola.[3] Essa diferença reforça a importância de executar integralmente o orçamento destinado aos pequenos para mitigar desequilíbrios.

Linha do Plano Safra 2025/2026Valor previsto
Crédito rural agricultura familiar (total)**R$ 89 bi**[2]
Pronaf**R$ 78,2 bi**[2]
Garantia-Safra**R$ 1,1 bi**[2]
Proagro Mais**R$ 5,7 bi**[2]

O que observar daqui pra frente

Produtores e cooperativas devem acompanhar como bancos públicos e privados vão operacionalizar o novo Plano Safra da agricultura familiar, em especial prazos de análise, exigências de garantias e oferta de assistência técnica para viabilizar projetos. A atenção deve se voltar à execução mensal do orçamento, à agilidade na liberação dos recursos e à capacidade de ajustar linhas de crédito às realidades regionais, transformando anúncios em financiamento concreto para investimento, custeio e comercialização.

Fontes

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