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MP renegocia apenas 9,9% da dívida rural problemática no RS

Linhas de crédito da MP 1.376 alcançam R$ 4,47 bilhões, diante de um saldo problemático de R$ 45 bilhões no Rio Grande do Sul.

01 de outubro de 2026 4 min de leitura
MP renegocia apenas 9,9% da dívida rural problemática no RS

As linhas de crédito criadas pela Medida Provisória 1.376 alcançaram R$ 4,47 bilhões em operações no Rio Grande do Sul. O valor representa apenas 9,9% do saldo problemático do crédito rural gaúcho, estimado em R$ 45 bilhões. O alcance limitado deixa grande parte dos produtores fora das condições de renegociação.

O que aconteceu

O levantamento da assessoria econômica da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) usou dados do painel de acompanhamento do Banco Central. A entidade comparou o volume contratado pelas linhas da MP com o total de operações atrasadas, inadimplentes ou renegociadas no estado.

A diferença entre os valores mostra que a medida não cobre a dimensão da crise financeira enfrentada pelo setor. Segundo os dados levantados, o saldo problemático aumentou R$ 5,1 bilhões entre abril e julho de 2026, superando o volume contratado no programa de apoio.

A MP 1.376 foi criada para ampliar a renegociação de dívidas rurais, após perdas provocadas por eventos climáticos e dificuldades de renda em diferentes cadeias produtivas. Na prática, critérios de enquadramento e entraves operacionais restringem o acesso de parte dos produtores.

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Por que importa para o agro

O endividamento reduz a capacidade de investimento na propriedade. Produtores com parcelas vencidas ou contratos renegociados podem encontrar mais dificuldade para obter recursos destinados à compra de sementes, fertilizantes, defensivos, máquinas e custeio da próxima safra.

O problema também afeta fornecedores, cooperativas, revendas e instituições financeiras. Com menos crédito disponível, o produtor pode reduzir a área plantada, adiar a renovação de equipamentos ou vender animais e estoques em condições desfavoráveis. O efeito pode se espalhar pela economia regional.

Dados e contexto

  • R$ 45 bilhões: saldo problemático do crédito rural no Rio Grande do Sul, segundo dados do Banco Central utilizados pela Farsul.
  • R$ 4,47 bilhões: valor das operações contratadas pelas linhas da MP 1.376 no estado.
  • 9,9%: parcela do saldo problemático alcançada pelas operações contratadas.
  • R$ 5,1 bilhões: aumento do saldo problemático entre abril e julho de 2026.
  • R$ 8,5 bilhões: estimativa da Fetag-RS para as dívidas de agricultores e pecuaristas enquadrados no Pronaf.
  • R$ 3 bilhões: parcela estimada do passivo do Pronaf considerada elegível à repactuação pela MP, equivalente a cerca de 35% do total.
Os números de inadimplência individual podem apresentar outra leitura. Levantamento da Serasa Experian apontou taxa de 5,8% entre produtores rurais gaúchos no primeiro trimestre de 2026, abaixo da média nacional de 8,8%. O indicador considera pessoas físicas com dívidas vencidas há mais de 180 dias junto a empresas ligadas ao agronegócio, enquanto o saldo problemático do Banco Central abrange a carteira de crédito rural das instituições financeiras.

O que observar daqui para frente

A evolução do programa dependerá da ampliação do enquadramento, da velocidade de análise dos bancos e de novas medidas para contratos que ficaram fora da MP. Produtores devem acompanhar os prazos, revisar a documentação e buscar orientação em cooperativas, sindicatos rurais ou agentes financeiros antes de contratar uma renegociação. Sem novas alternativas, o risco é de menor acesso ao crédito e pressão sobre a implantação da safra 2026/27.

Fontes

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