Gestão

Mulheres já respondem por 40% das decisões no agro brasileiro

Levantamento da Abag aponta que mulheres representam 40% dos produtores rurais responsáveis por decisões no agronegócio brasileiro.

04 de outubro de 2026 4 min de leitura
Mulheres já respondem por 40% das decisões no agro brasileiro

As mulheres representam 40% dos produtores rurais que tomam decisões no agronegócio brasileiro, segundo levantamento da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), realizado com dados da Serasa Experian. O estudo considera um universo de 10,7 milhões de decisores no campo e mostra o avanço da participação feminina na gestão das propriedades.

O que aconteceu

O levantamento foi divulgado durante o Global Agribusiness Festival (GAFFFF), realizado em outubro de 2026. O resultado indica que quatro em cada dez produtores responsáveis por decisões estratégicas no campo são mulheres.

A participação envolve escolhas ligadas a produção, compra de insumos, investimentos, financiamento, comercialização e adoção de tecnologias. A presença feminina também aparece em propriedades administradas de forma compartilhada com familiares ou sócios.

O dado amplia a percepção sobre o papel das mulheres no agro. Elas não atuam apenas como apoio à atividade familiar, mas também participam diretamente da definição dos rumos econômicos e operacionais das fazendas.

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Por que importa para o agro

A maior presença feminina muda o perfil do público atendido por cooperativas, revendas, bancos, empresas de tecnologia e assistência técnica. Produtos, crédito e serviços precisam considerar quem efetivamente participa da decisão de compra e planejamento da propriedade.

Para o produtor, a gestão compartilhada pode ampliar a organização financeira, a diversificação de atividades e o controle dos custos. Também cria oportunidades para programas de capacitação, sucessão familiar e acesso a mercados voltados à produção sustentável.

Dados e contexto

  • O levantamento da Abag e da Serasa Experian considera 10,7 milhões de produtores rurais decisores no Brasil.
  • Mulheres representam 40% desse universo, o equivalente a aproximadamente 4,3 milhões de pessoas.
  • O Censo Agropecuário 2017, do IBGE, identificou 947 mil mulheres responsáveis pela gestão de propriedades rurais.
  • Outras 817 mil mulheres participavam da codireção dos estabelecimentos, segundo dados reunidos por MAPA, Embrapa e IBGE.
  • As mulheres dirigentes administravam cerca de 30 milhões de hectares, equivalentes a 8,5% da área ocupada pelos estabelecimentos rurais.
  • Apenas 19% dos estabelecimentos rurais estavam registrados em nome de mulheres no Censo Agropecuário 2017.
Os números não são diretamente comparáveis. O dado de 40% mede a participação feminina entre decisores identificados no levantamento mais recente. Já os dados do IBGE tratam da condição de gestão, codireção e propriedade em um recorte censitário específico.

A diferença entre participação na decisão e titularidade da terra revela um desafio. Muitas mulheres influenciam a administração da propriedade, mas ainda não aparecem como proprietárias formais ou principais contratantes de crédito e serviços.

O que observar daqui pra frente

O avanço da liderança feminina deve aumentar a demanda por crédito, assistência técnica, capacitação e ferramentas de gestão adaptadas às propriedades familiares e empresariais. O principal risco é a participação nas decisões não ser acompanhada por autonomia financeira, titularidade da terra e acesso direto a políticas públicas. Para empresas e instituições do setor, mapear corretamente esse público será essencial para ampliar negócios e melhorar a eficiência das ações no campo.

Fontes

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