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Nano-herbicida de Sorocaba promete reduzir uso de químicos no controle de ervas daninhas

Tecnologia em desenvolvimento em Sorocaba encapsula herbicidas em nanocápsulas, aumenta a eficiência contra ervas daninhas e pode reduzir doses e impactos ambientais.

13 de setembro de 2026 5 min de leitura
Nano-herbicida de Sorocaba promete reduzir uso de químicos no controle de ervas daninhas

Pesquisadores de Sorocaba desenvolveram um nano-herbicida que encapsula o ingrediente ativo em nanocápsulas e mostra eficiência de 90% a 95% no controle de ervas daninhas nos testes iniciais.[1] A inovação busca melhorar o aproveitamento do produto, reduzir doses aplicadas no campo e diminuir o impacto ambiental, com foco direto em grandes culturas como milho e cana.[1][9]

O que aconteceu

Uma equipe ligada ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT), sediado em Sorocaba (SP), trabalha há cerca de quatro anos em formulações de nano-herbicidas para uso agrícola.[1] A tecnologia consiste em nanocápsulas que carregam moléculas de herbicidas, protegendo o produto da luz e da volatilização e liberando o ingrediente ativo de forma mais controlada sobre as plantas daninhas.[1]

Nos testes de bancada e casa de vegetação, o grupo registrou eficiência entre 90% e 95% no controle de plantas invasoras, com destaque para formulações à base de atrazina, herbicida amplamente utilizado em lavouras de milho e cana-de-açúcar no Brasil.[1][9][14] Segundo o pesquisador citado na reportagem, o sistema em nanocápsulas melhora o aproveitamento de produtos voláteis e sensíveis à luz, com potencial para reduzir a quantidade aplicada por hectare.[1][12][14]

Para viabilizar a chegada ao mercado, os pesquisadores firmaram parceria com a startup B.nano, que ficará responsável pela escala industrial e pelo processo de registro comercial.[1] O produto está em fase de regulamentação junto aos órgãos competentes e ainda não pode ser vendido, mas já possui patente e licença de tecnologia associadas a pesquisas anteriores com nanoformulações de herbicidas.[9][14]

Por que importa para o agro

Para o produtor, a principal promessa é usar menos produto com o mesmo ou melhor controle de ervas daninhas, reduzindo custos operacionais e pressão regulatória sobre defensivos químicos.[9][12][14] Estudos com nanotecnologia aplicada à atrazina já indicam possibilidade de cortar a dose em até 10 vezes, mantendo a eficácia e diminuindo a contaminação de solo e água.[9][12][14]

Do ponto de vista de sustentabilidade, o nano-herbicida se encaixa na pressão crescente por sistemas de produção mais limpos e rastreáveis. Embrapa e outras instituições vêm testando sistemas similares, mostrando que formulações nano podem reduzir a toxicidade em células humanas e o impacto em culturas tolerantes, sem perda de desempenho agronômico.[14] Isso abre espaço para que o Brasil avance em manejo de plantas daninhas com menor risco ambiental, cenário importante em cadeias exportadoras como soja, milho e carnes.

Dados e contexto

Diversos grupos de pesquisa vêm apontando o potencial da nanotecnologia em defensivos:

IndicadorResultado aproximado
Eficiência do nano-herbicida de Sorocaba**90% a 95%** contra ervas daninhas em testes iniciais[1]
Redução potencial de dose de atrazinaAté **10x menos** produto por hectare em formulações nano[9][12][14]
Atrazina convencional no BrasilCerca de **3 kg/ha**, podendo cair para **300 g/ha** em sistemas nano bem-sucedidos[9]
Objetivo principalMenor uso de químicos, mesma eficácia e menos impacto ambiental[9][12][14]

A Embrapa já destaca em notas técnicas que sistemas de nanopartículas poliméricas com atrazina conseguem controlar plantas daninhas com mais eficiência que as formulações convencionais, reduzindo a dose sem afetar a atividade biológica.[14] Em testes em casa de vegetação, também foi observada redução de efeitos persistentes em culturas resistentes e menor toxicidade em células humanas.[14]

No cenário internacional, o USDA e centros de pesquisa europeus monitoram o avanço de nanoformulações em pesticidas, com ênfase em segurança, persistência no ambiente e possíveis efeitos em organismos não alvo. O Brasil, com forte participação no mercado global de defensivos, tende a ser pressionado a adotar tecnologias mais modernas e alinhadas a exigências ambientais em exportações de grãos e fibras.

O que observar daqui pra frente

Nos próximos anos, o produtor deve acompanhar três pontos: a regulamentação do nano-herbicida, o custo por hectare em comparação às formulações tradicionais e os protocolos de segurança exigidos por órgãos nacionais e compradores internacionais. Se os estudos de campo confirmarem a eficiência vista em casa de vegetação e a redução real de impacto ambiental, a adoção pode crescer rápido em sistemas de médio e grande porte, especialmente em regiões com alta pressão de plantas daninhas e fiscalização rígida sobre o uso de defensivos.

Fontes

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