Manejo

Nelore pintado em confinamento de MT entrega média de 19 arrobas

Lote de nelore pintado em Confresa (MT) atingiu média de 19 arrobas em 120 dias de confinamento, com foco em genética, manejo simples e resultado econômico.

25 de julho de 2026 4 min de leitura
Nelore pintado em confinamento de MT entrega média de 19 arrobas

Um confinamento em Confresa (MT) terminou um lote de bois nelore pintado com média de 19 arrobas de carcaça após cerca de 120 dias de cocho, segundo matéria do Canal Rural. O resultado chama atenção porque combina ganho de peso elevado, manejo simplificado e foco em genética de qualidade, reforçando o potencial da raça pintada em sistemas intensivos.

O que aconteceu

Na propriedade acompanhada pelo Senar-MT, um lote de nelore pintado foi confinado com dieta à base de milho, ingrediente fibroso, fonte proteica e suplemento mineral, em uma formulação simples, mas bem planejada. O planejamento alimentar e a idade de entrada dos animais foram definidos com antecedência, incluindo o momento ideal de colheita do capim para silagem.

O manejo diário priorizou cochos limpos, oferta constante de água e monitoramento das fezes, ajustando a dieta conforme a resposta dos animais. O resultado foi um ganho de peso consistente ao longo dos 100–120 dias de permanência, chegando à média de 19 arrobas por boi terminado.

A experiência ocorreu em área antes usada como chácara, que foi transformada em confinamento eficiente, com capacidade para terminar dezenas de bois por hectare ao ano, seguindo orientação técnica do Senar-MT e aplicando conceitos de gestão e manejo intensivo.[2]

Por que importa para o agro

A marca de 19 arrobas de carcaça posiciona o nelore pintado como opção competitiva em sistemas de engorda intensiva, especialmente em regiões como o Norte do Mato Grosso, onde há disponibilidade de grãos e volumosos. Em comparação, dados médios nacionais apontam abate próximo de 17 arrobas por animal em sistemas tradicionais, o que evidencia ganho adicional em produtividade por cabeça.[1]

Para o produtor, o resultado mostra que genética + manejo + dieta simples podem aumentar a receita por boi terminado, diluindo custos fixos do confinamento. Em cenário de margem apertada na pecuária de corte, lotes mais pesados e homogêneos ajudam a negociar melhor com a indústria, aproveitando bonificações por carcaça e reduzindo riscos de abate fora de padrão.

Dados e contexto

Estudos com nelore em sistemas semi-intensivos no Centro-Oeste indicam carcaças com cerca de 17,7 arrobas e peso de 266 kg, com cobertura de gordura média de 3,6 mm.[4] O lote de nelore pintado em MT superou essa referência ao atingir 19 arrobas, mostrando desempenho acima da média histórica.

No mercado, levantamento de preços de boi gordo em Mato Grosso mostra valores próximos de R$ 2.650,00 por cabeça, enquanto o boi magro de 12,5 arrobas é negociado em torno de R$ 1.840,00, segundo dados de plataformas de cotações.[5] Ganhos extras de arrobas em confinamento ajudam a compensar o custo de compra do boi magro e da alimentação intensiva.

A Embrapa registra sistemas semi-intensivos produzindo cerca de 101 kg de carne equivalente carcaça por hectare/ano com nelore, em áreas tecnificadas do Centro-Oeste.[4] A transformação de pequenas áreas em estruturas de confinamento, como ocorreu em Confresa, segue a mesma lógica de intensificar produção por hectare sem ampliar área de pastagem.

O que observar daqui pra frente

Para quem pensa em confinar nelore pintado ou nelore tradicional, vale acompanhar custos de alimentação, preço do boi magro e do boi gordo na região, além de ajustes de dieta para manter ganho de peso próximo ao observado em MT. Sistematizar planejamento alimentar, idade de entrada, ponto de colheita do volumoso e manejo diário de cocho será decisivo para replicar arrobas altas com rentabilidade, especialmente em anos de volatilidade de grãos e mercado.

Fontes

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