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O que o agro cobra do próximo presidente

Setor rural quer crédito mais barato, seguro agrícola robusto, logística eficiente e segurança jurídica como prioridades do próximo presidente.

29 de agosto de 2026 4 min de leitura
O que o agro cobra do próximo presidente

O agronegócio entra na eleição presidencial com uma pauta clara: crédito rural mais barato, seguro agrícola amplo, logística eficiente e segurança jurídica para investir com previsibilidade. Entidades de produtores querem menos burocracia, políticas de Estado e ações coordenadas entre Executivo e Legislativo para reduzir custos e proteger a renda do campo.

O que aconteceu

Em debates recentes, como o programa Radar Rural, lideranças do agro apresentaram uma lista de prioridades para o próximo presidente: revisão das regras de crédito rural, expansão do seguro agrícola, melhoria da infraestrutura logística e redução do custo de produção.[1][3][11]

Aprosoja Brasil, federações de agricultores e associações setoriais reforçam que o produtor está mais endividado, com acesso restrito a financiamento e exposto a eventos climáticos sem cobertura adequada.[1][3][9] Ao mesmo tempo, cobram regras claras e previsíveis, além de políticas que ultrapassem um mandato e deem horizonte de 10 anos para a agricultura e a pecuária.[4][11]

Também há pressão para que o próximo governo veja o agronegócio como parceiro estratégico, responsável por boa parte do superávit da balança comercial, e para que sabatinas com candidatos resultem em propostas concretas, e não apenas promessas vagas.[4][10]

Por que importa para o agro

Sem crédito acessível e seguro rural consistente, o produtor reduz tecnologia, corta investimento e perde competitividade frente a concorrentes subsidiados de países como Estados Unidos e União Europeia.[3][6][9] Isso afeta diretamente produtividade, oferta interna de alimentos e capacidade de exportação.

A falta de segurança jurídica e de infraestrutura logística eficiente (rodovias, ferrovias, armazenagem) aumenta o custo Brasil, reduz a margem do produtor e trava novos investimentos em áreas como irrigação, integração lavoura-pecuária e agroindústria.[3][4][7] Para cadeias longas, como soja, milho, carnes e frutas, previsibilidade regulatória e logística são decisivas para contratos de longo prazo.

Dados e contexto

Dados recentes mostram a dimensão do desafio:

  • Segundo o USDA e o MAPA, o Brasil disputa a liderança mundial em exportações de soja, milho e carnes, com o agro respondendo por cerca de 25% do PIB ampliado e mais de 40% das exportações em valor.
  • A Conab aponta colheitas recordes nos últimos anos, mas com forte pressão de custos em insumos importados (fertilizantes, defensivos) e frete.
  • De acordo com Aprosoja Brasil, o seguro rural cobre menos de 4% da área agrícola do país, deixando a maior parte das lavouras sem proteção diante de eventos como El Niño e La Niña.[3][6][9]
  • Entidades pedem um fundo garantidor para facilitar o acesso ao crédito a produtores com pouca garantia física, aliado à aceleração da regularização fundiária e do Cadastro Ambiental Rural (CAR).[3][9]
  • Lideranças do sul e do centro-oeste pedem políticas agrícolas de Estado, com juros compatíveis à renda do agricultor, e criticam a combinação de endividamento elevado com taxas de juros altas.[4][8][14]
Ponto da pautaO que o setor pede
Crédito ruralJuros menores, menos burocracia, fundo garantidor
Seguro ruralCobertura ampla, orçamento estável, foco em clima e renda
LogísticaRodovias, ferrovias, armazenagem e portos mais eficientes
Segurança jurídicaRegularização fundiária, CAR, regras previsíveis
Política de EstadoPlanejamento de longo prazo, acima de governos

O que observar daqui pra frente

Produtores e cooperativas devem acompanhar a postura dos candidatos sobre crédito rural, seguro, logística e segurança jurídica, cobrando metas, cronogramas e orçamento claro. Quem conseguir transformar essas demandas em programa de governo consistente tende a ganhar espaço no interior, enquanto o setor avalia riscos de mais custos, mais burocracia e menor competitividade se a agenda do agro não for tratada como prioridade nacional.

Fontes

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