Gestão

O que o agro pode esperar do governo Lula após a eleição

Crédito, juros, sustentabilidade e relações comerciais devem definir o ambiente do agronegócio no governo Lula.

31 de outubro de 2026 3 min de leitura
O que o agro pode esperar do governo Lula após a eleição

A continuidade do governo Lula mantém no centro do debate do agronegócio temas como crédito rural, juros, sustentabilidade e comércio exterior. Para produtores e empresas, o próximo ciclo deve combinar ampliação de programas oficiais com maior cobrança ambiental e necessidade de planejamento financeiro.

O que aconteceu

A política agrícola da gestão tem priorizado o aumento dos recursos para financiamento, especialmente por meio do Plano Safra. Em 2023/2024, o governo anunciou R$ 364,2 bilhões para a agricultura empresarial, com linhas voltadas a custeio, comercialização e investimento.

Na agricultura familiar, a estratégia combina crédito, assistência técnica, seguro rural, compras públicas e incentivo à agroecologia. O governo também tem usado taxas diferenciadas para estimular a produção de alimentos e a adoção de sistemas de menor impacto ambiental.

A agenda ambiental ganhou espaço nas decisões de crédito. Programas como o RenovAgro direcionam recursos para recuperação de áreas degradadas, conservação do solo, plantio de florestas, prevenção de incêndios e redução das emissões de carbono.

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Por que importa para o agro

O crédito oficial continuará sendo relevante para produtores que enfrentam custos elevados de fertilizantes, defensivos, máquinas e mão de obra. Taxas subsidiadas podem reduzir a pressão sobre o caixa, mas não eliminam os riscos causados por juros básicos elevados, restrição bancária e instabilidade dos preços agrícolas.

A sustentabilidade também tende a influenciar o acesso a financiamento e mercados. Propriedades com regularidade ambiental, rastreabilidade e capacidade de comprovar boas práticas podem obter melhores condições comerciais. Em contrapartida, passivos ambientais e falhas de documentação podem dificultar crédito e exportações.

Dados e contexto

  • O Plano Safra 2023/2024 destinou R$ 364,2 bilhões à agricultura empresarial, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
  • Desse total, R$ 272,12 bilhões foram direcionados a custeio e comercialização, enquanto R$ 92,1 bilhões ficaram para investimentos.
  • Para o Pronamp, os juros de custeio anunciados foram de 8% ao ano. Para os demais produtores, chegaram a 12% ao ano.
  • O Plano Safra 2024/2025 elevou o crédito da agricultura empresarial para R$ 400,59 bilhões.
  • Na agricultura familiar, o governo anunciou R$ 89 bilhões para o ciclo 2025/2026, com juros de 3% ao ano para alimentos da cesta básica e de 2% para sistemas orgânicos ou agroecológicos.
A direção da política pública indica prioridade para três frentes: produção de alimentos, modernização das propriedades e transição para sistemas mais sustentáveis. O desafio será transformar os anúncios em crédito efetivamente contratado, assistência técnica e seguro adequado às diferentes regiões do país.

O que observar daqui para frente

Produtores devem acompanhar taxas, limites e regras dos programas oficiais antes de definir investimentos. Também será necessário revisar o planejamento de custos, proteger o caixa e manter documentos ambientais e fundiários atualizados. Para o mercado, os principais pontos de atenção serão juros, câmbio, inflação, negociações comerciais e exigências ambientais dos compradores.

Fontes

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