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Os principais gargalos que o agro espera ver resolvidos pelo próximo presidente

Crédito caro, seguro rural limitado, logística deficiente e dependência de fertilizantes estão entre as prioridades do agronegócio para o próximo governo.

09 de outubro de 2026 4 min de leitura
Os principais gargalos que o agro espera ver resolvidos pelo próximo presidente

O agronegócio brasileiro chega à eleição de 2026 com uma agenda concentrada em cinco problemas: endividamento e crédito caro, baixa cobertura do seguro rural, eventos climáticos extremos, gargalos de infraestrutura e dependência de insumos importados. A solução exige políticas de longo prazo e tende a ultrapassar o mandato presidencial.

O que aconteceu

Especialistas ouvidos pelo g1 e a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) apontam que o produtor precisa de crédito mais previsível, mecanismos de proteção contra perdas climáticas e melhores condições para financiar a produção. O aumento dos custos e o acúmulo de dívidas reduzem a capacidade de investimento no campo.

A cobertura do seguro rural continua limitada. Atualmente, apenas 3% da produção agropecuária brasileira possui proteção, segundo os dados citados na reportagem. Com secas, enchentes e outros eventos extremos mais frequentes, a baixa cobertura amplia o risco de quebra de renda e de renegociação de dívidas.

Outro ponto crítico é a dependência externa de fertilizantes. O Brasil importa cerca de 80% dos adubos químicos que utiliza. A vulnerabilidade aumenta diante de conflitos internacionais, oscilações cambiais e interrupções no comércio global.

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Por que importa para o agro

Crédito caro e seguro insuficiente afetam diretamente o planejamento da safra. Sem proteção adequada, produtores podem reduzir o uso de tecnologia, adiar investimentos e enfrentar dificuldades para manter o fluxo de caixa após uma perda climática. O problema também chega às cooperativas, tradings, revendas e instituições financeiras.

Na logística, a baixa capacidade de armazenagem, as estradas precárias e a conectividade limitada elevam o custo de transportar e comercializar a produção. A dependência de fertilizantes importados, por sua vez, expõe as margens dos produtores às decisões tomadas fora do país. A abertura de novos mercados é necessária para reduzir a concentração das exportações e ampliar as oportunidades comerciais.

Dados e contexto

  • 3% da produção agropecuária tem cobertura de seguro rural.
  • Cerca de 80% dos fertilizantes consumidos no Brasil são importados.
  • Os principais gargalos logísticos são armazenagem insuficiente, estradas em más condições e falta de internet em áreas rurais.
  • A Abag propõe cinco frentes de políticas públicas para financiamento, insumos, infraestrutura, comunicação e inserção internacional.
  • Entre as medidas defendidas estão um marco plurianual para crédito e seguro rural e um fundo nacional para catástrofes climáticas.
A agenda também inclui uma política industrial para estimular a produção nacional de insumos e reduzir entraves regulatórios. Na infraestrutura, a entidade defende planejamento de longo prazo e processos mais eficientes de licenciamento e autorização de obras.

O que observar daqui pra frente

O próximo governo deverá detalhar como financiar o seguro rural, ampliar a armazenagem, reduzir o custo logístico e diminuir a exposição aos fertilizantes importados. Para o produtor, os pontos mais relevantes serão as regras do Plano Safra, a disponibilidade de crédito privado, a subvenção ao seguro e os investimentos efetivos em estradas, ferrovias, portos e conectividade. A execução será decisiva: os gargalos são conhecidos, mas dependem de orçamento, coordenação entre órgãos e continuidade política.

Fontes

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