Os principais gargalos que o agro espera ver resolvidos pelo próximo presidente
Crédito caro, seguro rural limitado, logística deficiente e dependência de fertilizantes estão entre as prioridades do agronegócio para o próximo governo.
O agronegócio brasileiro chega à eleição de 2026 com uma agenda concentrada em cinco problemas: endividamento e crédito caro, baixa cobertura do seguro rural, eventos climáticos extremos, gargalos de infraestrutura e dependência de insumos importados. A solução exige políticas de longo prazo e tende a ultrapassar o mandato presidencial.
O que aconteceu
Especialistas ouvidos pelo g1 e a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) apontam que o produtor precisa de crédito mais previsível, mecanismos de proteção contra perdas climáticas e melhores condições para financiar a produção. O aumento dos custos e o acúmulo de dívidas reduzem a capacidade de investimento no campo.
A cobertura do seguro rural continua limitada. Atualmente, apenas 3% da produção agropecuária brasileira possui proteção, segundo os dados citados na reportagem. Com secas, enchentes e outros eventos extremos mais frequentes, a baixa cobertura amplia o risco de quebra de renda e de renegociação de dívidas.
Outro ponto crítico é a dependência externa de fertilizantes. O Brasil importa cerca de 80% dos adubos químicos que utiliza. A vulnerabilidade aumenta diante de conflitos internacionais, oscilações cambiais e interrupções no comércio global.
Por que importa para o agro
Crédito caro e seguro insuficiente afetam diretamente o planejamento da safra. Sem proteção adequada, produtores podem reduzir o uso de tecnologia, adiar investimentos e enfrentar dificuldades para manter o fluxo de caixa após uma perda climática. O problema também chega às cooperativas, tradings, revendas e instituições financeiras.
Na logística, a baixa capacidade de armazenagem, as estradas precárias e a conectividade limitada elevam o custo de transportar e comercializar a produção. A dependência de fertilizantes importados, por sua vez, expõe as margens dos produtores às decisões tomadas fora do país. A abertura de novos mercados é necessária para reduzir a concentração das exportações e ampliar as oportunidades comerciais.
Dados e contexto
- 3% da produção agropecuária tem cobertura de seguro rural.
- Cerca de 80% dos fertilizantes consumidos no Brasil são importados.
- Os principais gargalos logísticos são armazenagem insuficiente, estradas em más condições e falta de internet em áreas rurais.
- A Abag propõe cinco frentes de políticas públicas para financiamento, insumos, infraestrutura, comunicação e inserção internacional.
- Entre as medidas defendidas estão um marco plurianual para crédito e seguro rural e um fundo nacional para catástrofes climáticas.
O que observar daqui pra frente
O próximo governo deverá detalhar como financiar o seguro rural, ampliar a armazenagem, reduzir o custo logístico e diminuir a exposição aos fertilizantes importados. Para o produtor, os pontos mais relevantes serão as regras do Plano Safra, a disponibilidade de crédito privado, a subvenção ao seguro e os investimentos efetivos em estradas, ferrovias, portos e conectividade. A execução será decisiva: os gargalos são conhecidos, mas dependem de orçamento, coordenação entre órgãos e continuidade política.
Fontes
- G1 – Os problemas que o agro quer ver resolvidos pelo próximo presidente
- Associação Brasileira do Agronegócio (Abag)
- Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA)
- Companhia Nacional de Abastecimento (Conab)
- g1.globo.com
- spacemoney.com.br
- empreendencia.com
- ground.news
- g1.globo.com
- cnnbrasil.com.br
- globorural.globo.com
- canalrural.com.br
- jornaldocomercio.com
- g1.globo.com
- camara.leg.br
- globorural.globo.com
- g1.globo.com
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