Os sete pecados que fragilizam o agro americano
Dependência de insumos, tarifas e perda de competitividade expõem fragilidades estruturais do agronegócio dos Estados Unidos.

O agronegócio dos Estados Unidos enfrenta problemas estruturais que vão além de uma safra ruim ou de uma disputa comercial. Dependência de insumos, concentração produtiva, pressão ambiental e decisões políticas de curto prazo reduzem a competitividade do setor e abrem espaço para concorrentes, especialmente o Brasil.
O que aconteceu
A análise do AgFeed organiza os principais erros do agro americano como “sete pecados capitais”. O ponto central é a perda de uma base produtiva integrada, capaz de sustentar agricultores com indústria nacional de fertilizantes, defensivos, genética, máquinas e crédito.
A dependência externa aumentou justamente em áreas estratégicas. O país também perdeu participação em mercados relevantes. A fatia americana nas exportações globais de milho caiu de 68% para cerca de 30% em duas décadas, enquanto a soja sofreu com a retaliação chinesa após as tarifas impostas em 2018.
Outro problema é a combinação entre protecionismo e compensações públicas. Desde 2025, o governo americano transferiu US$ 12 bilhões aos produtores para compensar prejuízos associados às próprias tarifas. A medida reduz o impacto imediato, mas não resolve a perda de mercados nem recompõe a competitividade da cadeia.
Por que importa para o agro
A fragilidade americana altera o equilíbrio dos mercados de soja, milho, algodão, etanol e açúcar. Quando os Estados Unidos restringem importações, elevam tarifas ou subsidiam produtores, os efeitos chegam aos preços internacionais, ao frete, ao câmbio e às decisões de plantio em outros países.
Para o Brasil, a oportunidade é ampliar participação comercial e agregar valor. O risco é substituir uma dependência por outra. A produção brasileira ainda depende fortemente de insumos importados, o que deixa o produtor exposto a guerras, sanções, gargalos logísticos e oscilações cambiais.
Dados e contexto
- Cerca de 40% do milho americano é destinado à produção de etanol, sustentada por mandatos regulatórios.
- A perda de participação dos Estados Unidos no milho reduziu a capacidade do país de influenciar sozinho o mercado global.
- O Brasil importa mais de 85% dos fertilizantes que consome, segundo dados citados na análise.
- Fertilizantes e defensivos representam mais de 60% dos custos considerados na estrutura de produção brasileira apresentada no texto.
- A retaliação chinesa às tarifas americanas de 2018 redirecionou parte relevante da demanda de soja para outros fornecedores, com benefício para o Brasil.
O que observar daqui para frente
O produtor deve acompanhar tarifas, estoques, políticas de biocombustíveis e investimentos em fertilizantes. Para o Brasil, as prioridades são acelerar o Plano Nacional de Fertilizantes, ampliar a produção doméstica, melhorar a previsibilidade regulatória e desenvolver genética tropical, bioinsumos e tecnologias de adaptação climática. A vantagem competitiva dependerá menos do volume exportado e mais do controle sobre ciência, processamento e tecnologia.
Fontes
Continue lendo

Agro após as urnas: crédito, segurança e previsibilidade serão decisivos
O próximo ciclo político deverá definir as condições de crédito, infraestrutura e segurança jurídica que orientarão o agro brasileiro.
TCU aprova alíquota de referência da CBS em 11,35% para 2027
Alíquota da CBS aprovada pelo TCU será enviada ao Senado e pode alterar o planejamento tributário de produtores e empresas do agronegócio.
Calor chega a 38 °C em quatro municípios da Bahia
Itapetinga, Correntina, Jaborandi e Cocos terão temperaturas acima da média entre quinta-feira e sábado.