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PEC do fim da escala 6x1 preocupa confederações empresariais

Entidades empresariais alertam para aumento de custos e impactos na operação caso a PEC que reduz a jornada avance no Congresso.

07 de outubro de 2026 4 min de leitura
PEC do fim da escala 6x1 preocupa confederações empresariais

Confederações empresariais criticam o avanço da proposta que reduz a jornada semanal e garante dois dias de descanso. As entidades avaliam que a medida pode elevar custos, exigir novas contratações e dificultar operações contínuas. No agronegócio, o impacto tende a variar conforme a atividade, a região e o nível de dependência de mão de obra.

O que aconteceu

A Câmara dos Deputados aprovou o texto-base da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que encerra a escala 6x1 e fixa jornada máxima de 40 horas semanais, distribuídas em cinco dias de trabalho e dois de descanso. A proposta também prevê a manutenção dos salários.

O texto aprovado estabelece uma transição. Após a promulgação, a jornada passaria inicialmente de 44 para 42 horas semanais e chegaria a 40 horas em até 14 meses. A regra dos dois dias de repouso remunerado começaria 60 dias depois da promulgação, segundo informações da Câmara.

As confederações empresariais argumentam que a mudança pode aumentar o custo por trabalhador. Entre os efeitos apontados estão a necessidade de ampliar equipes, reorganizar turnos e pagar horas extras para manter o funcionamento de empresas e serviços durante toda a semana.

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Por que importa para o agro

A produção rural reúne atividades com operação contínua, como criação de animais, ordenha, irrigação, armazenagem, secagem e processamento. A redução da jornada pode exigir escalas alternativas e mais trabalhadores para preservar a rotina operacional, principalmente em propriedades médias e grandes.

O impacto não será igual em toda a cadeia. Fazendas mecanizadas podem compensar parte da redução com tecnologia, automação e planejamento de turnos. Já atividades intensivas em mão de obra, como horticultura, pecuária leiteira, avicultura e suinocultura, podem enfrentar maior pressão sobre custos e disponibilidade de trabalhadores.

Para cooperativas, armazéns, agroindústrias e transportadoras, o desafio será manter recebimento, beneficiamento e expedição sem interrupções. Se o custo adicional for repassado, pode haver pressão sobre margens, preços de serviços e remuneração recebida pelo produtor.

Dados e contexto

  • A Constituição estabelece atualmente limite de 8 horas por dia e 44 horas por semana para a jornada normal de trabalho.
  • A proposta aprovada na Câmara prevê jornada de 40 horas semanais e dois dias de descanso.
  • O texto recebeu 472 votos favoráveis e 22 contrários no primeiro turno, segundo a Câmara dos Deputados.
  • A PEC ainda precisa ser analisada pelo Senado para entrar em vigor.
  • A discussão envolve duas frentes: redução do tempo de trabalho e preservação da remuneração mensal.
A tramitação ocorre em um ambiente de debate sobre produtividade, renda e custo de contratação. Para o setor produtivo, o resultado dependerá também da regulamentação e das exceções aplicáveis a atividades com regimes diferenciados.

O que observar daqui para frente

Empresas rurais e agroindustriais devem acompanhar o texto final, o calendário de transição e possíveis regras específicas para operações contínuas. Também será necessário revisar contratos, escalas, custos de pessoal e investimentos em automação. A principal variável será a capacidade de absorver a redução da jornada sem comprometer produtividade, oferta de serviços e competitividade.

Fontes

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