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Pesquisa amplia uso de fungo no controle biológico da podridão cinzenta

Estudo da Embrapa mostra que ajustes simples no cultivo de Clonostachys rosea aumentam a eficiência do fungo no controle biológico da podridão cinzenta, abrindo margem para biopesticidas mais robustos e sustentáveis.

27 de julho de 2026 5 min de leitura
Pesquisa amplia uso de fungo no controle biológico da podridão cinzenta

Pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente identificaram que ajustes simples nas condições de cultivo do fungo Clonostachys rosea aumentam de forma significativa seu potencial de controle biológico da podridão cinzenta, uma das doenças mais destrutivas da agricultura mundial[1]. O avanço abre espaço para biopesticidas mais eficientes, com menor dependência de fungicidas químicos e impacto direto na sustentabilidade das cadeias de frutas, hortaliças e outras culturas sensíveis ao patógeno[1][6].

O que aconteceu

O estudo avaliou como mudanças na disponibilidade de oxigênio e na proporção carbono/nitrogênio no meio de cultivo afetam a produção de estruturas reprodutivas e de resistência de Clonostachys rosea[1]. Ao otimizar essas condições, os pesquisadores conseguiram estimular fortemente a geração de microscleródios, estruturas que aumentam a sobrevivência do fungo e sua eficácia no campo[1].

Essas estruturas de resistência podem ser incorporadas em formulações comerciais de controle biológico, tornando o produto mais estável ao armazenamento, ao transporte e às variações ambientais após a aplicação[1][6]. Na prática, isso significa menor perda de eficiência, maior segurança no uso e melhor desempenho em diferentes sistemas produtivos.

O trabalho também reforça o papel de Clonostachys rosea como agente-chave de biocontrole em programas de manejo integrado de doenças, somando-se a outros fungos benéficos como Trichoderma spp. já usados em diversas culturas[1][8]. A partir desses resultados, a Embrapa busca aproximar a pesquisa da indústria de bioinsumos, encurtando o caminho até produtos disponíveis ao produtor.

Por que importa para o agro

A podridão cinzenta está entre as principais causas de perdas em fruticultura e horticultura, afetando produtividade, qualidade e vida pós-colheita dos produtos. O uso intensivo de fungicidas químicos eleva custos, pressiona margens e dificulta acesso a mercados que exigem redução de resíduos, como União Europeia e alguns nichos de varejo premium[1][6].

Com um fungo de alta performance em biocontrole, o produtor ganha uma ferramenta adicional para diminuir o número de aplicações químicas, reduzir risco de resistência de patógenos e melhorar a imagem ambiental da propriedade[6][8]. Para cooperativas, agroindústrias e exportadores, a adoção de biopesticidas robustos facilita certificações e atende à demanda crescente por cadeias mais sustentáveis.

Dados e contexto

A podridão cinzenta, causada em geral por fungos do gênero Botrytis, impacta culturas como uva, morango, flores e hortaliças, gerando prejuízos elevados em sistemas intensivos de produção[1][6]. Hoje, o controle é baseado principalmente em fungicidas, com aplicações frequentes em ambientes úmidos e de alta pressão de inóculo.

Ao otimizar o cultivo de Clonostachys rosea, o estudo da Embrapa mostrou:

  • Aumento significativo da produção de microscleródios com maior oferta de oxigênio[1].
  • Melhora na formação de estruturas de resistência com ajuste na relação carbono/nitrogênio[1].
  • Potencial de uso dessas estruturas em formulações estáveis de bioprodutos para controle da doença[1].
Em outros casos de biocontrole, fungos como Trichoderma já são usados para combater doenças de solo, mofo branco e fitonematoides, com custo médio entre R$ 60 e R$ 125 por hectare para produtos comerciais em soja[8]. Isso mostra que bioinsumos à base de fungos podem ser economicamente competitivos frente a programas convencionais de fungicidas, especialmente quando associados a ganhos de produtividade e redução de perdas pós-colheita.

Tabela-resumo do contexto:

AspectoSituação atual
Doença-alvoPodridão cinzenta, importante em fruticultura e horticultura[1]
Agente de controle*Clonostachys rosea* com potencial ampliado[1]
EstratégiaOtimização de oxigênio e C/N no cultivo para gerar estruturas de resistência[1]
Impacto esperadoBiopesticidas mais estáveis, redução de fungicidas químicos[1][6]

O que observar daqui pra frente

A pesquisa cria base tecnológica para novas formulações comerciais de bioinsumos contra a podridão cinzenta, mas o ganho real depende da escala industrial, registro no MAPA e adoção em campo. Produtores e cooperativas devem acompanhar o avanço de produtos à base de Clonostachys rosea, testar desempenho em diferentes sistemas de manejo e avaliar a integração com fungicidas químicos e outras práticas de proteção de plantas, buscando reduzir custos, perdas e resíduos sem abrir mão da segurança fitossanitária.

Fontes

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