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Pesquisa identifica soja mais tolerante a percevejos

Linhagens de soja brasileiras mostram maior tolerância a percevejos, abrindo espaço para redução de aplicações de inseticidas e menor perda de produtividade.

15 de agosto de 2026 4 min de leitura
Pesquisa identifica soja mais tolerante a percevejos

Pesquisadores brasileiros identificaram linhagens de soja com maior tolerância ao ataque de percevejos, uma das principais pragas da cultura no país. A descoberta resulta de programas de melhoramento genético que buscam plantas capazes de manter produtividade mesmo sob maior pressão da praga, abrindo espaço para reduzir aplicações de inseticidas e custos de produção.

O que aconteceu

O estudo avaliou diferentes genótipos de soja sob infestação controlada de percevejos, comparando danos nas vagens, qualidade das sementes e produtividade final. Linhagens selecionadas apresentaram menor abortamento de grãos, menos sementes chochas e maior estabilidade de rendimento em relação a materiais suscetíveis.

Pesquisas anteriores da Embrapa e de instituições como o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) já haviam apontado cultivares com resistência ou tolerância ao complexo de percevejos, como IAC 100 e materiais com tecnologia Block®, que suportam maior número de insetos sem queda significativa de produtividade. Esse novo trabalho reforça o avanço da genética brasileira nesse tipo de tolerância.

Na prática, os pesquisadores definiram níveis de dano aceitáveis, mostrando que algumas linhagens conseguem manter produção mesmo com densidades de percevejos acima do patamar usado como referência em manejo, o que ajuda a calibrar o limiar econômico para decisões de controle químico.

Por que importa para o agro

Percevejos causam perdas diretas em produtividade e qualidade, afetando peso de grãos, teor de óleo e aparência da soja, com impacto em bonificações e descontos na indústria. Linhagens mais tolerantes reduzem o risco de perdas em anos de alta pressão de pragas e podem diminuir a dependência de múltiplas aplicações de inseticidas.

Para o produtor, cultivares com maior tolerância representam oportunidade de reduzir custo por hectare, especialmente em regiões onde o número de aplicações contra percevejos é elevado. Em sistemas de produção orgânica ou de baixo uso de insumos, materiais com tecnologias como Block® ou similares ajudam a viabilizar o manejo integrado com menor carga química.

Dados e contexto

Os principais percevejos da soja no Brasil são, entre outros, Euschistus heros, Nezara viridula e Piezodorus guildinii, responsáveis por danos em vagens e sementes, redução de peso e queda de germinação.

Estudos de Embrapa Soja indicam que cultivares tolerantes conseguem manter produtividade mesmo com infestação acima de 2 percevejos por pano de batida, patamar tradicionalmente usado como referência para entrada de inseticidas.

Diversos programas de melhoramento já liberaram cultivares com resistência ou tolerância:

Programa / tecnologiaCaracterística principal
IAC (ex.: IAC 100)Resistência/tolerância ao complexo de percevejos
Embrapa – Block® (BRS 391, BRS 523, BRS 539)Maior tolerância aos danos de percevejos
Embrapa – Shield® + Block® (ex.: BRS 539)Resistência à ferrugem asiática + tolerância a percevejos

Segundo a Conab, o Brasil cultiva mais de 45 milhões de hectares de soja, e percevejos estão entre as principais causas de aplicação de inseticidas na fase de enchimento de grãos. Avanços em genética tolerante podem reduzir o impacto econômico dessa praga em grande escala.

O que observar daqui pra frente

Produtores devem acompanhar a recomendação oficial de novas cultivares tolerantes nos materiais da Embrapa, IAC e empresas parceiras, avaliando desempenho em suas regiões e sistemas de manejo. A adoção de linhagens mais tolerantes precisa vir junto com monitoramento constante de pragas e uso criterioso de inseticidas, integrando genética, manejo de campo e nível de dano econômico para reduzir custo e preservar eficiência das moléculas disponíveis.

Fontes

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