Sustentabilidade

Petrobras aprova US$ 1,2 bilhão em planta de BioQAV e diesel renovável em Cubatão

Petrobras vai investir US$ 1,2 bilhão em unidade de BioQAV e diesel 100% renovável na RPBC, abrindo nova frente de demanda para óleos vegetais e gorduras do agro.

19 de junho de 2026 4 min de leitura
Petrobras aprova US$ 1,2 bilhão em planta de BioQAV e diesel renovável em Cubatão

A Petrobras aprovou investimento de cerca de US$ 1,2 bilhão para construir sua primeira planta dedicada à produção de diesel 100% renovável (HVO) e BioQAV na Refinaria Presidente Bernardes (RPBC), em Cubatão (SP). O projeto reforça a estratégia de descarbonização da companhia, abre nova frente de demanda para óleos vegetais e gorduras animais e posiciona o Brasil no mapa dos combustíveis de baixa emissão para aviação.

O que aconteceu

A nova unidade será instalada dentro da RPBC e será a primeira do país totalmente dedicada à produção de diesel renovável e combustível sustentável de aviação (SAF/BioQAV).[1][2] O projeto integra o programa de biorrefino da Petrobras, que prevê a ampliação da oferta de combustíveis com menor pegada de carbono no mercado brasileiro.[1][2]

Segundo informações técnicas já divulgadas pela companhia, a planta deve processar na faixa de 800 mil a 950 mil toneladas por ano de matérias-primas de origem vegetal e gorduras animais, com capacidade de produção estimada entre 12 mil e 16 mil barris/dia de biocombustíveis avançados.[1][2][3][7]

A unidade utilizará tecnologia de hidrotratamento (HVO), que gera diesel renovável e BioQAV quimicamente semelhantes aos fósseis, permitindo uso em mistura ou puro, sem adaptação de motores e infraestrutura. A entrada em operação é prevista na próxima década, após fase de contratação, construção e comissionamento.[1][3][7]

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Por que importa para o agro

A escolha por óleos vegetais e gorduras animais como principais insumos cria uma nova fronteira de demanda para o agronegócio, em especial para óleo de soja, outros óleos vegetais e sebo bovino.[1][2][3] Esse movimento tende a fortalecer a integração entre cadeias de grãos, proteína animal e energia, com impacto direto sobre preços e contratos de fornecimento de matéria-prima.

Para o produtor, o avanço do HVO e do BioQAV abre espaço para contratos de longo prazo com a indústria, incentiva eficiência logística e pode estimular investimentos em rastreabilidade e certificação de origem, já que grandes compradores internacionais exigem comprovação de redução de emissões e critérios ambientais na produção agrícola.

Dados e contexto

  • A planta em Cubatão será a primeira do país totalmente dedicada a diesel renovável e BioQAV.[1][2][4]
  • Capacidade estimada: até 16 mil barris/dia de biocombustíveis, com processamento próximo de 950 mil t/ano de insumos vegetais e gorduras animais.[3][7]
  • Estudos indicam que diesel renovável e BioQAV podem reduzir emissões de gases de efeito estufa em 55% a 90% em relação aos combustíveis fósseis, dependendo da matéria-prima e da rota tecnológica.[1][2]
  • A Petrobras já testa diesel renovável coprocessado em refinarias como a Repar, no Paraná, e projeta expansão da oferta para o mercado interno.[6]
  • A IATA e órgãos reguladores internacionais apontam o SAF como principal alavanca para descarbonização da aviação até 2050, o que tende a consolidar uma demanda estrutural por BioQAV.
IndicadorEstimativa do projeto RPBC

| Investimento total | ~US$ 1,2 bilhão | | Capacidade de processamento | 800–950 mil t/ano de matérias-primas | | Produção diária estimada | 12–16 mil barris/dia de HVO + BioQAV | | Redução potencial de emissões | 55%–90% vs. combustível fóssil |

Para o Brasil, grande produtor de soja, milho, bovinos e outras culturas energéticas, a expansão de biorrefino reforça o papel do agro como fornecedor de energia de baixo carbono, ampliando a diversificação além de etanol e biodiesel B100.

O que observar daqui pra frente

Produtores e indústrias devem acompanhar de perto a definição das matérias-primas elegíveis, regras de certificação de sustentabilidade, regime tributário para HVO e BioQAV e a evolução de metas de descarbonização em programas como o RenovaBio. O ritmo de implantação de novas plantas, a disputa global por óleo vegetal para energia e alimentos e possíveis restrições a matérias-primas com risco de desmatamento vão definir o tamanho da oportunidade – e a volatilidade de preços – para o agro brasileiro.

Fontes

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