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Pico da inadimplência rural acende alerta para o crédito no campo

Inadimplência rural deve atingir pico em 2024, pressiona bancos, cooperativas e produtores e pode redesenhar as regras do crédito agrícola no Brasil.

02 de junho de 2026 4 min de leitura
Pico da inadimplência rural acende alerta para o crédito no campo

A inadimplência no crédito rural deve chegar ao pico em 2024, pressionando bancos, cooperativas e produtores e aumentando o risco de aperto nas condições de financiamento para a próxima safra. O movimento é resultado da combinação de juros altos, queda de preços de grãos e aumento de custos, o que reduz a capacidade de pagamento do produtor e força o sistema financeiro a recalibrar risco, prazos e garantias.

O que aconteceu

Especialistas em crédito agrícola apontam que a carteira rural vive um ciclo de estresse depois de anos de forte expansão, impulsionada por margens recordes na pandemia e por programas oficiais robustos. Com a virada do ciclo de commodities e o encarecimento do dinheiro, cresceu o número de produtores com parcelas em atraso, tanto em bancos tradicionais quanto em cooperativas de crédito e tradings financiadoras.

A inadimplência ainda se concentra em algumas regiões e culturas mais expostas à volatilidade de preços e à quebra de safra, mas o avanço é suficiente para acender o alerta em todo o sistema. Instituições financeiras já revisam políticas internas, elevam exigência de garantias e ficam mais seletivas em relação a perfil de cliente, tipo de projeto e nível de alavancagem.

Ao mesmo tempo, aumenta a busca por renegociação, alongamento de dívidas e uso de instrumentos como Proagro, seguro rural e linhas de apoio em programas federais. A discussão sobre novas medidas de socorro e ajustes nas regras de crédito volta à mesa, com pressão de entidades do setor junto ao governo.

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Por que importa para o agro

Para o produtor, um pico de inadimplência significa crédito mais caro e mais difícil. Bancos e cooperativas tendem a elevar spreads, pedir mais garantias reais e reduzir prazos, especialmente para perfis altamente alavancados. Isso limita investimentos em tecnologia, irrigação, armazenagem e expansão de área, afetando produtividade e competitividade no médio prazo.

Para a cadeia do agro, o aumento de atrasos pode travar o financiamento de insumos, barter, compra de máquinas e capital de giro das revendas. Indústrias e tradings passam a selecionar mais rigorosamente clientes e regiões, o que pode gerar concentração de crédito em grupos maiores e melhor estruturados, deixando pequenos e médios com menos opções e maior dependência de programas públicos.

Dados e contexto

  • A taxa básica de juros (Selic) saiu de 2% ao ano em 2020 para patamar de dois dígitos a partir de 2021, encarecendo o custo do crédito rural, mesmo em linhas equalizadas.
  • Levantamentos de mercado mostram aumento da inadimplência em carteiras ligadas a soja, milho e algodão, impactadas pela queda de preços internacionais e câmbio menos favorável.
  • A Conab registrou safra cheia em importantes culturas em 2023/24, o que ajudou a derrubar cotações e apertar margens em várias regiões.
  • Em anos recentes, o volume de crédito rural contratado superou R$ 400 bilhões por safra, somando recursos controlados, livres e operações de barter, o que amplia o impacto de qualquer alta na taxa de inadimplência.
  • Embrapa e instituições de pesquisa em gestão têm destacado o aumento da alavancagem de parte dos produtores, que cresceram rápido com base em financiamento e agora enfrentam margens mais estreitas.
Fator de pressãoEfeito no produtor
Juros mais altosAumentam custo financeiro e encurtam prazos
Preços menores de grãosReduzem receita e margem de lucro
Custos elevadosAperta caixa e dificulta honrar parcelas
Crédito mais seletivoRestringe investimento e expansão

O que observar daqui pra frente

Nos próximos meses, o foco estará no comportamento da inadimplência após o pico estimado para 2024, na resposta do governo em eventuais programas de renegociação e no apetite de bancos e cooperativas para a safra seguinte. Produtores com gestão de risco mais estruturada, uso disciplinado de hedge, seguro e planejamento de caixa tendem a atravessar melhor o ciclo, enquanto quem entrou muito alavancado pode enfrentar restrição severa de crédito e necessidade de reestruturação profunda.

Fontes

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