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Pinus completa 120 anos no Brasil sob forte pressão tarifária

Setor de pinus celebra 120 anos no Brasil em meio à pior crise tarifária recente, com queda nas exportações e busca urgente por novos mercados.

17 de setembro de 2026 5 min de leitura
Pinus completa 120 anos no Brasil sob forte pressão tarifária

O pinus, principal espécie de reflorestamento para madeira industrial no Sul do país, chega aos 120 anos de cultivo no Brasil em 2026 em plena crise de exportação. Tarifas dos Estados Unidos sobre produtos florestais brasileiros elevaram custos, derrubaram volumes embarcados e pressionam empregos, especialmente no Paraná, líder em compensados e molduras de pinus.

O que aconteceu

O setor florestal montou campanha nacional para marcar os 120 anos da introdução do pinus no Brasil e destacar sua relevância econômica, social e ambiental. Ao mesmo tempo, a data coincide com uma combinação de tarifas norte-americanas sobre madeira e produtos de pinus brasileiros, considerada a pior crise tarifária da história recente do segmento.[1][2]

Os EUA impuseram duas taxações que somam hoje 37,5% sobre boa parte dos produtos florestais brasileiros, após terem chegado a 59% anteriormente.[1][2] A medida encareceu a madeira nacional e reduziu competitividade, derrubando exportações de serrados, compensados, molduras e portas de pinus.

No primeiro semestre de 2026, consultorias especializadas registraram queda de 6% em volume e 8% em valor nos dez principais produtos florestais exportados pelo Brasil, com recuo ainda mais forte na madeira serrada de pinus, que desabou 37% em volume e 41% em valor.[2] No Paraná, as exportações de molduras caíram 61% e as de portas de madeira 55%, com perda estimada em US$ 226 milhões e cerca de 10 mil empregos afetados.[2]

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Por que importa para o agro

O pinus é base da indústria de madeira sólida, compensados, molduras, portas e parte importante da cadeia de papel e painéis, movimentando bilhões e sustentando milhares de produtores e empresas de silvicultura. A crise tarifária atinge diretamente a renda de produtores florestais, serrarias, fábricas de compensados e toda a logística associada, em uma região onde a silvicultura já representa parcela relevante do PIB agroindustrial.[2][11]

A dependência de poucos mercados, especialmente o norte-americano, tornou o setor mais vulnerável. Com o freio nos EUA e investigações antidumping na União Europeia sobre compensado de pinus brasileiro, o risco é de fechamento de plantas, redução de investimentos em manejo e menor expansão de áreas plantadas, agravando preocupações com o chamado “apagão florestal”, já apontado por estudos da Embrapa e de consultorias privadas.[5][8][10]

Dados e contexto

Atualmente, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul concentram cerca de 89% da área brasileira cultivada com pinus, em torno de 1,7 milhão de hectares, com produtividade média próxima de 31 m³/ha/ano, segundo dados recentes da indústria.[3][6]

Em estudos da Embrapa, o Brasil consolidou-se como maior exportador mundial de compensados de pinus, com forte presença também em molduras e portas de madeira.[11] No recorte estadual, o Paraná responde por:

Produto de pinusParticipação do Paraná nas exportações brasileiras
Molduras**69,49%**
Compensados de pinus**67,90%**
Portas de madeira**30,6%**
Serrado de pinus e papelmais de **25%**

[2]

A combinação de tarifas dos EUA, investigações comerciais na Europa e limitações de infraestrutura interna (rodovias, ferrovias, hidrovias e portos) forma um quadro de pressão estrutural. Especialistas do setor destacam que o Brasil avançou em genética, manejo e tecnologia industrial do pinus, mas ficou atrás em logística para escoar a produção com eficiência.[6][10]

Além da questão externa, estudos de Embrapa e de consultorias apontam risco de déficit de madeira de pinus nas próximas décadas, caso não haja ampliação de área plantada ou ganho adicional de produtividade. Projeções indicam déficit acumulado superior a 100 milhões m³ até 2030 na região Sul, se o ritmo atual for mantido.[5][8]

O que observar daqui pra frente

Produtores e indústria devem acompanhar as negociações comerciais com EUA e UE, a possível imposição de novas barreiras e a abertura de mercados alternativos na África, Ásia e Europa. A estratégia passa por diversificar destinos, investir em certificações ambientais e melhorar a infraestrutura logística, ao mesmo tempo em que se revisa o planejamento de plantios para evitar falta de madeira. Quem conseguir alinhar manejo eficiente, custos controlados e acesso a novos compradores tende a atravessar melhor a crise e capturar oportunidades na bioeconomia de produtos florestais renováveis.[1][2][7]

Fontes

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