Manejo

Pós-colheita entra no centro do debate sobre perdas, pragas e logística

Etapa de pós-colheita ganha protagonismo na RPS ao discutir perdas, pragas em armazéns e gargalos logísticos que impactam diretamente a renda do produtor.

11 de junho de 2026 4 min de leitura
Pós-colheita entra no centro do debate sobre perdas, pragas e logística

A etapa de pós-colheita dominou os debates da Rede de Pesquisas em Sementes (RPS), com foco em pragas de armazenagem, qualidade dos grãos e gargalos logísticos. Especialistas reforçaram que parte relevante da renda do produtor se perde depois da porteira, por má armazenagem, manejo inadequado e transporte ineficiente.

O que aconteceu

Durante encontro da RPS, pesquisadores, técnicos e representantes da cadeia de grãos discutiram como reduzir perdas na fase de pós-colheita, do armazém à logística de escoamento. O painel destacou que o produtor investe em genética, manejo e tecnologia a campo, mas muitas vezes entrega menos produto e com pior qualidade por falhas após a colheita.

Os debates abordaram controle de pragas em armazenagem, qualidade de estruturas de estocagem nas fazendas, necessidade de monitoramento constante e uso correto de inseticidas e fumigantes registrados. Também entrou na pauta a importância de uma logística integrada, capaz de evitar filas, demora nos portos e avarias durante o transporte.

Representantes do setor ressaltaram que a profissionalização da pós-colheita é hoje tão estratégica quanto o manejo da lavoura. Investimentos em armazéns, secadores, termometria, aeração e gestão de risco são vistos como diferenciais competitivos para o produtor, cooperativas e cerealistas.

Imagem

Por que importa para o agro

Perdas na pós-colheita significam menos grão vendido e, muitas vezes, deságio no preço por problemas de umidade, impurezas, fungos ou infestação de insetos. Em cenário de custos elevados, qualquer ponto percentual de perda a menos vira margem de lucro, especialmente em commodities como soja, milho e trigo.

Além disso, a pressão de compradores internos e externos por qualidade e rastreabilidade aumenta. Lotes com resíduos acima do limite, micotoxinas ou infestação em armazéns tendem a ser desclassificados ou descontados. O produtor que domina a pós-colheita ganha poder de negociação, reduz risco de sanções e melhora sua reputação junto a tradings, cooperativas e indústrias.

Dados e contexto

Segundo a Embrapa, as perdas pós-colheita em grãos no Brasil podem chegar a 10% em alguns sistemas, somando colheita, transporte e armazenagem. No milho, por exemplo, parte do volume é perdida por má regulagem de colhedoras, secagem deficiente e controle inadequado de pragas em silos.

A Conab estima que a produção brasileira de grãos supere 300 milhões de toneladas na safra recente, enquanto a capacidade estática de armazenagem segue abaixo desse volume, com forte concentração fora das fazendas. Esse descompasso obriga o escoamento rápido, aumenta filas em armazéns comerciais e eleva o risco de perdas por manejo apressado.

Pragas como carunchos, traças e besouros se aproveitam de grãos mal secos, com impurezas e sem monitoramento. O uso incorreto de produtos químicos agrava o problema, eleva custo e pode gerar resíduos acima dos limites tolerados pelo MAPA e mercados importadores. A adoção de boas práticas, manejo integrado de pragas e monitoramento de temperatura e umidade é apontada por pesquisadores como o caminho mais eficiente.

No campo logístico, gargalos em rodovias, terminais e portos ainda pesam no custo do frete e na integridade dos grãos. Atrasos em filas, falta de cobertura adequada e carga mal acondicionada podem gerar aquecimento, condensação e danos físicos, com impacto direto na classificação do produto na chegada ao destino.

O que observar daqui pra frente

Produtores e cooperativas que priorizarem infraestrutura de armazenagem, capacitação em pós-colheita e gestão integrada da logística tendem a reduzir perdas e ganhar competitividade. A tendência é de maior exigência de qualidade, rastreabilidade e conformidade regulatória em grãos, abrindo espaço para quem investe em tecnologia, monitoramento contínuo e boas práticas do campo ao porto.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo