Produção de café do Brasil pode bater 66,7 milhões de sacas em 2026, projeta Conab
Conab projeta safra recorde de 66,7 milhões de sacas de café em 2026, alta de 18% sobre 2025, com recuperação do arábica e avanço de produtividade.
A produção brasileira de café pode alcançar 66,7 milhões de sacas de 60 kg em 2026, segundo a Conab, o que representaria um crescimento em torno de 18% em relação à safra anterior. A projeção indica recuperação forte do café arábica, avanço de área colhida e ganho de produtividade, o que tende a pressionar preços internos e reforçar o Brasil como principal fornecedor global.
O que aconteceu
No 2º Levantamento da Safra de Café, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projetou que o Brasil deve colher 66,7 milhões de sacas em 2026, somando café arábica e conilon/robusta. O volume é apontado como potencial recorde histórico, acima das principais safras recentes.
O relatório destaca que o aumento vem principalmente da bienalidade positiva do arábica, após um ciclo de menor produção, além da recuperação de lavouras que sofreram com clima adverso em anos anteriores. A melhoria do manejo e a adoção de tecnologias de plantio e adubação também contribuem para elevar a produtividade média nacional.
A Conab ressalta ainda a expansão de área em algumas regiões, sobretudo no cerrado mineiro, sul de Minas e Cerrado baiano, além do fortalecimento do conilon no Espírito Santo, Bahia e Rondônia. Esses polos seguem investindo em irrigação, renovação de lavouras e variedades mais produtivas e resistentes.
Por que importa para o agro
Uma safra maior tende a aumentar a oferta de café no mercado interno e externo, com impacto direto na formação de preços. Para o produtor, isso exige atenção redobrada na comercialização: travas de preço, contratos futuros, barter e diversificação de canais de venda ganham peso para proteger a margem.
No mercado internacional, o Brasil reforça sua posição de principal exportador e referência de formação de preços. Um volume de 66,7 milhões de sacas amplia o poder de negociação do país, mas também aumenta a sensibilidade às variações cambiais, à logística portuária e às exigências de qualidade e rastreabilidade dos compradores.
Dados e contexto
A projeção da Conab considera a soma das duas espécies de maior relevância:
| Indicador | Estimativa/Informação |
|---|---|
| Produção total 2026 | **66,7 milhões de sacas de 60 kg** |
| Crescimento sobre 2025 | **cerca de 18%** |
| Espécies | Arábica e conilon/robusta |
| Tendência do arábica | Recuperação com bienalidade positiva |
| Fatores de alta | Aumento de área, clima mais favorável e produtividade |
O Brasil já responde historicamente por cerca de 35% a 40% da produção mundial de café, segundo dados de Conab e USDA. Com a nova projeção, o país deve manter folga na liderança global, o que impacta não apenas a exportação em grãos, mas também a indústria de torrado, moído e solúvel.
Nos últimos anos, eventos climáticos como geadas e secas severas reduziram a produção e pressionaram custos. A expectativa de uma safra cheia em 2026, com clima menos extremo, ajuda a recompor estoques, dar previsibilidade à indústria e reduzir a volatilidade dos preços nas bolsas internacionais.
Para o produtor, o cenário combina custos elevados – especialmente com fertilizantes, mão de obra e energia – com perspectiva de maior produtividade. Isso torna o planejamento técnico e financeiro ainda mais decisivo para manter rentabilidade, sobretudo em áreas de menor tecnologia.
O que observar daqui pra frente
Até a consolidação da safra 2026, o produtor deve acompanhar de perto o clima nas principais regiões, as próximas estimativas da Conab e os relatórios de oferta e demanda do USDA. Movimentos do câmbio, ritmo das exportações e estratégia de compra da indústria serão determinantes para os preços. Quem se antecipar em gestão de risco, qualidade do produto e eficiência de colheita e pós-colheita tende a capturar melhor as oportunidades dessa safra potencialmente recorde.
Fontes
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