Mercado

Produção de DDG pode superar 15 milhões de toneladas até 2030

Expansão do etanol de milho deve ampliar a oferta de DDG e fortalecer a integração entre produção de grãos, energia e pecuária.

25 de setembro de 2026 4 min de leitura
Produção de DDG pode superar 15 milhões de toneladas até 2030

A produção brasileira de DDG, coproduto do etanol de milho usado na alimentação animal, pode superar 15 milhões de toneladas até 2030. O avanço acompanha a instalação de novas usinas e amplia a integração entre os mercados de milho, biocombustíveis e proteína animal.

O que aconteceu

O DDG, sigla em inglês para grãos secos de destilaria, é obtido depois da retirada do amido do milho durante a produção de etanol. O coproduto concentra proteínas, fibras e minerais e pode ser utilizado em dietas de bovinos, suínos e aves, conforme sua composição e o balanceamento da ração.

A expansão ocorre principalmente no Centro-Oeste, região que reúne grande oferta de milho e crescimento da indústria de etanol. A Datagro estima que o consumo doméstico de DDG avance de cerca de 9 milhões para 10,8 milhões de toneladas até 2030. A projeção foi apresentada durante a Conferência Internacional UNEM Datagro sobre Etanol de Milho, em Cuiabá.

Além do mercado interno, a abertura de destinos internacionais cria uma segunda frente de crescimento. O Brasil já iniciou embarques de coprodutos do etanol de milho, incluindo DDG, ampliando as alternativas de comercialização para as usinas.

Por que importa para o agro

Para os produtores de milho, a expansão das usinas aumenta a demanda regional pelo cereal e pode reduzir custos logísticos quando a unidade industrial está próxima das áreas produtoras. A presença de compradores locais também diminui a dependência de longos deslocamentos até armazéns, portos ou tradings.

Na pecuária, o DDG amplia a oferta de ingredientes proteicos e energéticos. Em determinadas formulações, pode substituir parte do farelo de soja e do milho, mas a decisão depende do preço, da disponibilidade, do teor de proteína, da fibra e da qualidade do lote. O uso exige acompanhamento técnico para evitar desequilíbrios nutricionais.

A indústria também ganha receita com a diversificação. Uma tonelada de milho processada em uma usina pode gerar etanol, DDG, óleo de milho e energia. Segundo apresentação disponibilizada pelo Ministério da Agricultura, uma usina do tipo full pode produzir aproximadamente 420 litros de etanol, 285 quilos de DDG seco e 18 litros de óleo por tonelada de milho.

Dados e contexto

IndicadorDado ou projeção
Consumo doméstico de DDGDe 9 milhões para 10,8 milhões de toneladas até 2030
Produção potencial de DDGMais de 15 milhões de toneladas até 2030
Etanol por tonelada de milhoCerca de 420 litros
DDG seco por tonelada de milhoCerca de 285 quilos
Principais usosNutrição de bovinos, suínos e aves

O crescimento do setor depende da expansão da capacidade instalada, da oferta de milho e da logística. Também será necessário manter padrões de qualidade e informações claras sobre umidade, proteína, fibra e presença de contaminantes. O Ministério da Agricultura regulamenta requisitos para produtos e coprodutos destinados à alimentação animal.

O que observar daqui pra frente

Produtores devem acompanhar a abertura de novas usinas, os preços locais do milho e a demanda de confinamentos e fábricas de ração. Para pecuaristas, a oportunidade está em comparar o custo por unidade de proteína e energia, e não apenas o preço da tonelada de DDG. Para as usinas, exportações, padronização do produto e contratos regionais serão decisivos para absorver o aumento da oferta.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo