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Produtores de Mato Grosso cobram medidas para enfrentar dívidas de R$ 20 bilhões

Endividamento rural em Mato Grosso pressiona produtores, que esperam novas medidas de renegociação após as eleições.

02 de outubro de 2026 4 min de leitura
Produtores de Mato Grosso cobram medidas para enfrentar dívidas de R$ 20 bilhões

Produtores de Mato Grosso esperam mudanças nas políticas para o campo após as eleições. O setor enfrenta um passivo acumulado de aproximadamente R$ 20 bilhões nas últimas safras, com impacto direto sobre o acesso a crédito, o planejamento do plantio e a capacidade de pagamento das propriedades.

O que aconteceu

A pressão financeira aumentou com a combinação de custos elevados, juros mais altos, queda ou instabilidade nos preços das commodities e problemas climáticos. O cenário reduziu a margem de produtores de soja, milho e outras culturas relevantes para a economia mato-grossense.

Segundo dados apresentados pelo Canal Rural, os pedidos relacionados a dívidas e dificuldades financeiras cresceram no estado nos últimos anos. O volume teria passado de cerca de R$ 3 bilhões em 2023 para R$ 5 bilhões em 2024 e R$ 7,8 bilhões em 2025. Somado às solicitações registradas no início de 2026, o montante acumulado se aproxima de R$ 20 bilhões.

Entidades do setor defendem medidas mais amplas para alongar vencimentos, reduzir o custo financeiro e garantir recursos para a próxima safra. A proposta é evitar que produtores com capacidade operacional deixem a atividade por falta de capital de giro.

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Por que importa para o agro

Mato Grosso lidera a produção brasileira de grãos e tem forte participação nas exportações de soja, milho e algodão. Quando o produtor reduz investimentos ou não consegue financiar o plantio, o efeito alcança revendas, tradings, transportadoras, cooperativas e trabalhadores ligados à cadeia.

O endividamento também limita a adoção de tecnologia e a manutenção de máquinas, armazenagem e infraestrutura. Sem uma solução financeira adequada, a renegociação pode apenas adiar o problema, sem recuperar a capacidade de geração de renda da propriedade.

Para o mercado, uma saída organizada tende a reduzir o risco de vendas antecipadas em condições desfavoráveis. Também pode ajudar a preservar a área plantada e a regularidade da oferta de grãos no estado.

Dados e contexto

  • Os pedidos de apoio financeiro em Mato Grosso cresceram de R$ 3 bilhões em 2023 para R$ 7,8 bilhões em 2025.
  • O volume acumulado nas últimas quatro safras se aproxima de R$ 20 bilhões.
  • Levantamento do Imea indica que o crédito problemático no estado chegou a R$ 21,79 bilhões até abril de 2026.
  • Esse valor representa 18,22% da carteira de crédito rural mato-grossense.
  • O crédito problemático reúne operações em atraso, inadimplentes, prorrogadas ou renegociadas.
  • Dados divulgados pelo setor apontam cerca de R$ 5,25 bilhões em operações inadimplentes por mais de 90 dias.
O cenário não significa que todo o valor esteja vencido. Parte relevante corresponde a contratos renegociados ou prorrogados. Ainda assim, o indicador mostra que uma parcela expressiva da carteira perdeu as condições originais de pagamento.

O que observar daqui pra frente

O setor deve acompanhar as propostas de alongamento de dívidas, as regras do próximo Plano Safra e a disponibilidade de crédito para custeio e investimento. O principal risco é a adoção de medidas com prazo curto ou juros incompatíveis com a renda agrícola. A oportunidade está em criar uma reestruturação que preserve produtores eficientes, melhore o perfil das dívidas e reduza a dependência de renegociações sucessivas.

Fontes

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