Manejo

Produtores de SC apostam no terraceamento contra efeitos do El Niño

No Oeste catarinense, produtores ampliam o terraceamento para segurar enxurradas e proteger o solo diante do El Niño 2026/27.

19 de setembro de 2026 4 min de leitura
Produtores de SC apostam no terraceamento contra efeitos do El Niño

Produtores do Oeste de Santa Catarina estão ampliando o terraceamento nas lavouras para enfrentar o excesso de chuvas previsto com o El Niño 2026/27. A prática, já consolidada na região, ganha nova importância para reduzir erosão, enxurradas e perdas de produtividade em áreas de grãos e leite.

O que aconteceu

Na granja da produtora Terezinha Trombeta, em Guatambu (SC), foram construídos 10 terraços em áreas de maior declividade para segurar a água das chuvas fortes e evitar que a enxurrada desça com velocidade sobre as lavouras. Segundo técnicos que acompanham a propriedade, os terraços funcionam como barreiras físicas, diminuindo o fluxo superficial e facilitando a infiltração da água no solo.

A adoção do terraceamento foi planejada em conjunto com assistência técnica e cooperativas locais, que orientaram o desenho das estruturas e a integração com plantio direto e rotação de culturas. O objetivo é proteger o solo em anos de chuvas intensas, sem perder capacidade produtiva em períodos de estiagem, comuns na região.

O movimento não é isolado: no Oeste catarinense, ações de conservação de solo com terraceamento vêm sendo expandidas desde meados da década de 2010, em resposta a eventos extremos recorrentes. A previsão de 90% de probabilidade de El Niño para a safra 2026/27 acelerou novos projetos de adequação.

Por que importa para o agro

O terraceamento reduz a erosão, mantém nutrientes na área produtiva e diminui o carreamento de sedimentos para cursos d’água. Em cenários de El Niño, com maior frequência de chuvas intensas, essa proteção ajuda a evitar perda de adubação, falhas de estande e assoreamento de canais de drenagem, preservando a rentabilidade do produtor.

Além disso, ao reter e infiltrar parte da água da chuva, os terraços funcionam como um “seguro hídrico” para a lavoura. Em períodos de veranico, comuns no Sul sob influência de El Niño, o solo com melhor estrutura e maior armazenamento de água mantém plantas em condição menos estressada, reduzindo quedas de produtividade.

Dados e contexto

A Epagri estima que, no Oeste catarinense, o terraceamento de base larga já esteja presente em dezenas de propriedades, somando centenas de hectares em áreas de grãos e pastagens. Estudos da instituição mostram que, em áreas com terraços, a concentração de nutrientes no solo pode ficar até seis vezes maior em comparação a áreas expostas à enxurrada, reduzindo custos com adubação.

A prática é reconhecida como agricultura conservacionista em Santa Catarina e recomendada para terrenos com declividade acima de aproximadamente 5%, especialmente quando associados ao plantio direto. Em documentos técnicos, Epagri e Embrapa destacam que os terraços devem ser construídos transversalmente ao maior declive, com dique e canal para reter ou conduzir a água de forma lenta.

No cenário climático, boletins de órgãos estaduais de defesa civil e do sistema FAESC/Senar apontam probabilidade superior a 90% de ocorrência de El Niño a partir de setembro de 2026. O fenômeno costuma trazer excesso de chuvas e episódios de alagamentos para o Sul, aumentando o risco de enxurradas sobre áreas agrícolas mal protegidas.

Instituições como Embrapa e Epagri vêm reforçando a combinação de terraceamento, plantio direto, manejo correto de estradas internas e implantação de canais gramados nos talvegues para minimizar erosão em propriedades com grãos, leite e arroz de terras altas.

O que observar daqui pra frente

Para o produtor catarinense, o foco deve estar em avaliar declividade, redesenhar terraços existentes, evitar que estradas rurais se tornem canais de enxurrada e integrar manejo de solo com informação climática atualizada. A adoção de projetos bem dimensionados, com apoio técnico de cooperativas, Epagri e profissionais privados, tende a diferenciar quem atravessará o El Niño com menos perdas de solo, nutrientes e produtividade.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo