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Queda no preço do tabaco acende alerta para próxima safra

Preço médio pago ao produtor de tabaco cai e reduz a rentabilidade, exigindo cautela na área plantada e nas decisões da próxima safra no Sul do país.

27 de agosto de 2026 4 min de leitura
Queda no preço do tabaco acende alerta para próxima safra

A remuneração dos produtores de tabaco caiu na safra 2025/2026, mesmo com produção semelhante ao ciclo anterior, reduzindo a rentabilidade e acendendo um sinal de alerta para o planejamento da próxima temporada. A Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) reforça a necessidade de cautela na área plantada, diante de preços mais baixos, concorrência de outros países e aumento da taxação em mercados-chave como os Estados Unidos.

O que aconteceu

Levantamento da Afubra mostra que o preço médio pago ao produtor recuou em relação às últimas safras, após atingir patamar recorde acima de R$ 23 por quilo em 2023/2024 e cair para cerca de R$ 20 em 2024/2025. No ciclo atual, a estimativa fica próxima de R$ 19 por quilo, ainda alta em termos históricos, mas insuficiente para manter o mesmo nível de faturamento bruto.

Apesar de a produção total ter se mantido estável no Sul do Brasil, a combinação de preço menor e custo elevado de insumos reduziu a margem do fumicultor. Projeções para 2025/2026 apontam queda superior a R$ 1,5 bilhão na receita da cadeia na região, com redução do número de famílias produtoras e pressão maior sobre propriedades de menor escala.

A comercialização também avança de forma mais lenta. Entidades relatam pouca diferenciação de preço por qualidade e que produtores com maior investimento em manejo e cura têm dificuldade em obter valorização proporcional, o que aumenta a frustração e o risco de descapitalização.

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Por que importa para o agro

O tabaco é uma das principais fontes de renda agrícola de pequenas propriedades no Sul, sustentando milhares de famílias e movimentando indústrias, logística e serviços. A queda no preço e a perda de receita tendem a afetar o fluxo de caixa desses produtores, atrasar investimentos em tecnologia e reduzir capacidade de pagamento de dívidas e custeio da próxima safra.

Para o mercado, o recuo na remuneração ocorre em meio à concorrência crescente de outros países exportadores e à pressão regulatória sobre o consumo de cigarros em grandes compradores. Um movimento de aumento desordenado da produção, na tentativa de compensar o preço menor, pode gerar superoferta, derrubar ainda mais as cotações e aprofundar o desequilíbrio entre indústria e campo.

Dados e contexto

Afubra e entidades do setor apontam os seguintes pontos para a safra recente:

IndicadorSituação aproximada
Preço médio 2023/2024**~R$ 23,5/kg** (recorde histórico)
Preço médio 2024/2025**~R$ 20,5/kg**
Preço estimado 2025/2026**~R$ 19/kg**
Faturamento Sul 2024/2025**~R$ 14,5 bilhões**
Faturamento estimado 2025/2026**~R$ 13 bilhões**
Queda de receita**>R$ 1,5 bilhão**

A Câmara Setorial do Tabaco e a Afubra vêm reforçando a orientação de não aumentar a área plantada na próxima safra. A lógica é simples: "menos significa mais". Produção em excesso derruba preço e agrava o problema de renda.

Além do cenário interno, o setor enfrenta:

  • Taxação maior e restrições ao tabaco em mercados como Estados Unidos e Europa.
  • Concorrência de produtores da África e da Ásia, com custos menores.
  • Pressão por sustentabilidade, rastreabilidade e redução de trabalho infantil, exigindo mais controle e custo do produtor.
Instituições como IBGE e Conab acompanham o papel do tabaco na renda agrícola regional, enquanto Afubra e câmaras setoriais concentram os dados específicos da fumicultura.

O que observar daqui pra frente

Para a próxima safra, o produtor precisa acompanhar de perto acordos comerciais com a indústria, indicativos de preço inicial, demanda externa e novas regras de tributação em países compradores. A recomendação prática é manter ou até reduzir a área plantada, priorizar lotes de melhor qualidade, controlar custos e avaliar alternativas de diversificação de culturas na propriedade, reduzindo a dependência exclusiva do tabaco.

Fontes

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