Sustentabilidade

Rainforest Alliance mira protagonismo no café e no cacau no Brasil

Rainforest Alliance acelera certificações e projetos em café e cacau no Brasil para atender demanda global por rastreabilidade, ESG e agricultura regenerativa.

15 de agosto de 2026 4 min de leitura
Rainforest Alliance mira protagonismo no café e no cacau no Brasil

A Rainforest Alliance intensificou sua atuação no Brasil para consolidar o país como vitrine de café e cacau certificados, conectando produtores a compradores globais que exigem rastreabilidade, critérios ESG e cadeias livres de desmatamento. A estratégia combina expansão de certificações, apoio técnico em campo e alinhamento a regulações como o EUDR europeu, mirando ganhos de mercado e diferenciação para quem adota práticas sustentáveis.

O que aconteceu

A organização vem usando o selo de certificação como principal porta de entrada em lavouras de café e cacau, ampliando projetos com cooperativas, exportadores e grandes indústrias que querem comprovar origem responsável dos grãos. O foco é garantir que propriedades cumpram padrões ambientais, sociais e de governança, com ênfase em desmatamento zero, respeito a direitos trabalhistas e gestão de riscos climáticos.

Na cadeia do café, o Brasil aparece entre os principais países onde a Rainforest Alliance testa e escala sua certificação de agricultura regenerativa, que aprofunda exigências em saúde do solo, biodiversidade e resiliência climática. Em cacau, a entidade atua para apoiar empresas na adequação ao regulamento europeu de produtos livres de desmatamento, oferecendo ferramentas de rastreabilidade de área e suporte técnico a fornecedores.

Ao mesmo tempo, marcas de alimentos e bebidas reforçam o uso do selo para comunicar sustentabilidade ao consumidor, aumentando a pressão sobre a base produtiva. O resultado é um movimento de consolidação da Rainforest Alliance como referência para empresas que precisam comprovar conformidade socioambiental em café e chocolate.

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Por que importa para o agro

Para o produtor de café e cacau, a presença mais forte da Rainforest Alliance significa acesso a mercados que pagam prêmio, mas também a um novo patamar de requisitos. A certificação passa a ser, na prática, uma licença de operação para quem pretende vender para grandes torrefadoras, indústrias de chocolate e redes internacionais de varejo.

Ao mesmo tempo, a agenda de agricultura regenerativa e desmatamento zero tende a influenciar crédito rural, seguros e programas de compra corporativos. Quem se adapta mais rápido à lógica de rastreabilidade de talhão, monitoramento de área e indicadores ambientais tende a ganhar competitividade, enquanto produtores sem comprovação de origem podem perder espaço, especialmente nos embarques para a União Europeia.

Dados e contexto

  • O Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo, com mais de 50 milhões de sacas produzidas em safras recentes, segundo a Conab.
  • No cacau, o país figura entre os principais produtores da América Latina, com produção concentrada na Bahia e no Pará, segundo dados do IBGE.
  • A certificação Rainforest Alliance 2020 já soma centenas de licenças em café no Brasil, tornando o país um dos principais polos globais do selo.
  • A nova Norma de Agricultura Regenerativa da organização começou a ser implementada em fazendas de café no Brasil e em outros países da América Latina, com previsão de chegada de produtos certificados regenerativos ao varejo global a partir de 2026.
  • A Rainforest Alliance posiciona sua certificação como solução para empresas que precisam se adequar ao Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR) até dezembro de 2025, especialmente nas cadeias de café e cacau.
Ponto-chaveImpacto para o agro
Certificação e seloDiferenciação comercial e acesso a compradores globais
Agricultura regenerativaMaior foco em solo, biodiversidade e clima na gestão da fazenda
EUDR e rastreabilidadeExigência de comprovar área livre de desmatamento e cadeia rastreável
Pressão de marcas e varejoAdoção de critérios ESG como pré-requisito de fornecimento

O que observar daqui pra frente

Produtores e empresas de café e cacau que queiram manter ou ampliar exportações, sobretudo para a União Europeia, terão de acelerar a regularização ambiental, a rastreabilidade e a adesão a certificações reconhecidas como a Rainforest Alliance. O movimento abre espaço para prêmio de preço, acesso a novos contratos e melhoria de gestão nas propriedades, mas também aumenta o risco de exclusão para quem não conseguir comprovar conformidade ambiental e social em tempo.

Fontes

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