Raízen vende operação na Argentina e mercado vê alívio limitado na alavancagem
A venda dos ativos argentinos por US$ 1,42 bilhão foi vista como positiva, mas analistas do Citi avaliam que o efeito na dívida da Raízen pode ser menor que o esperado.

A Raízen avançou no plano de desinvestimentos e vendeu sua operação de downstream na Argentina por US$ 1,42 bilhão. O movimento ajuda a reforçar o caixa da companhia, mas a leitura do Citi é de que o efeito sobre a alavancagem pode decepcionar o mercado.
A transação envolve refinaria e rede de combustíveis no país vizinho. Para a empresa, a venda faz parte da estratégia de reciclagem de ativos e da tentativa de reduzir pressão financeira em meio a um balanço ainda fragilizado.[1][8]
O que aconteceu
A Raízen fechou a venda de seus ativos na Argentina para sociedades controladas pela Mercuria Energy Group. O acordo prevê pagamento em dinheiro no fechamento e também a transferência do endividamento ligado às operações vendidas.[1]
O anúncio veio um dia depois da divulgação das linhas gerais de um plano de reestruturação extrajudicial. A operação é tratada como parte da resposta da empresa ao aumento da pressão de dívida e à necessidade de gerar liquidez.[1][6]
Embora o valor divulgado seja elevado, parte do mercado esperava um impacto maior na estrutura de capital. A Bloomberg Línea havia indicado negociações acima de US$ 1 bilhão, com potencial de chegar a US$ 1,6 bilhão, mas o Citi avaliou que a solução para a alavancagem ainda pode depender de outras vendas.[2][7]
Por que importa para o agro
A Raízen é uma das maiores empresas da cadeia de cana, etanol e energia no Brasil. Qualquer mudança em sua estrutura financeira afeta o humor do mercado com peso sobre usinas, fornecedores, contratos e valuation de ativos sucroenergéticos.
Para o produtor, o sinal é de que a empresa segue priorizando caixa e redução de dívida. Isso pode influenciar ritmo de investimentos, apetite por novas compras de cana e decisões sobre desinvestimentos em usinas, tema que já vem sendo monitorado por analistas do setor.[4][7]
Dados e contexto
| Indicador | Dado |
|---|---|
| Valor da venda na Argentina | **US$ 1,42 bilhão** |
| Comprador | Mercuria Energy Group, via veículos controlados |
| Ativo vendido | *Downstream* na Argentina |
| Dívida sob reestruturação | Cerca de **R$ 65 bilhões** |
| Alvo de mercado para aliviar a alavancagem | Entre **R$ 10 bilhões** e **R$ 15 bilhões** em desinvestimentos combinados |
O Citi e outras casas vinham citando a venda de ativos na Argentina e de usinas no Brasil como peças centrais para tentar recompor o balanço. Em paralelo, a companhia já havia confirmado a venda da Usina de Leme, por cerca de R$ 425 milhões.[4][7]
A própria Raízen, porém, afirmou depois à CVM que não havia negociação em curso para desinvestimento na Argentina, o que mostra que o tema ainda foi tratado com cautela pública enquanto as tratativas avançavam nos bastidores.[8][10]
O que observar daqui pra frente
O mercado vai acompanhar se a venda da Argentina será suficiente para destravar a reestruturação ou se a Raízen terá de acelerar novas alienações, inclusive de usinas. O ponto central continua sendo a velocidade com que a empresa transforma ativos em caixa sem comprometer sua operação principal.
Também será importante observar a reação dos credores e a eventual repercussão sobre governança, composição acionária e capitalização. Se o pacote final de medidas for menor que o esperado, a pressão sobre a alavancagem pode continuar e manter o papel sob volatilidade.[6][7]
Fontes
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