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Raízen vende operação na Argentina e reforça caixa em R$ 7,2 bi

Raízen vende negócio de downstream na Argentina para a Mercuria por US$ 1,42 bi e direciona recursos para reduzir dívida e acelerar investimentos no Brasil.

05 de junho de 2026 4 min de leitura
Raízen vende operação na Argentina e reforça caixa em R$ 7,2 bi

A Raízen fechou a venda de sua operação de downstream na Argentina para a trading suíça Mercuria por US$ 1,42 bilhão (cerca de R$ 7,2 bilhões). O dinheiro será usado para reduzir alavancagem e fortalecer o plano de investimentos da empresa em biocombustíveis, energia renovável e infraestrutura no Brasil, o que impacta toda a cadeia de etanol, açúcar e bioenergia.

O que aconteceu

A transação envolve o negócio argentino de distribuição e comercialização de combustíveis e lubrificantes, incluindo rede de postos, logística e ativos de infraestrutura. A Raízen informou que, após a conclusão das condições regulatórias, o valor líquido deve entrar no caixa ao longo dos próximos meses, sujeito a ajustes usuais de fechamento.[1]

Segundo a companhia, o desinvestimento está alinhado à estratégia de focar em mercados onde tem maior escala e sinergia com o core de bioenergia, açúcar e geração de energia a partir da biomassa de cana. A operação argentina, embora relevante, tinha perfil mais competitivo e margens menores, com forte exposição ao ambiente regulatório local e à volatilidade do câmbio.[1]

A compradora, Mercuria, é uma das maiores tradings globais de energia e commodities, com atuação em petróleo, gás, biocombustíveis e eletricidade. Ao assumir o negócio, a suíça amplia presença física na América do Sul e ganha acesso direto ao mercado argentino de combustíveis, historicamente marcado por forte atuação de estatais e multinacionais.

Por que importa para o agro

Para o agronegócio brasileiro, a venda reforça o caixa da Raízen e tende a fortalecer a empresa como grande compradora de cana, milho para etanol de segunda geração, biomassa e outros insumos ligados à bioenergia. Uma companhia menos alavancada tem mais capacidade de investir em novas usinas, modernização industrial e contratos de longo prazo com produtores.

O movimento também consolida a estratégia do Brasil como hub de biocombustíveis e energia renovável, em linha com políticas como RenovaBio (MAPA/ANP) e metas de descarbonização assumidas pelo país. Com mais capital disponível e foco geográfico, a Raízen pode acelerar projetos de etanol de segunda geração, biogás e energia elétrica a partir de resíduos da cana, impactando positivamente a demanda por matéria-prima no campo.

Dados e contexto

  • Valor da transação: US$ 1,42 bilhão (aprox. R$ 7,2 bilhões na taxa de câmbio usada pela companhia).[1]
  • Atividade vendida: operação de downstream na Argentina (distribuição, varejo e logística de combustíveis e lubrificantes).[1]
  • Comprador: Mercuria Energy Group, trading suíça com atuação global em energia e commodities.
  • Uso dos recursos: redução de dívida, reforço de liquidez e suporte ao plano de investimentos em bioenergia e renováveis.
  • A Raízen é hoje uma das maiores produtoras globais de etanol e açúcar, com forte presença na matriz de biocombustíveis brasileira, que responde por cerca de 48% do consumo energético do transporte leve, somando etanol e biodiesel, segundo dados da EPE/ANP.
  • O Brasil é o segundo maior produtor mundial de etanol, atrás apenas dos EUA, com destaque para a cana-de-açúcar, de acordo com a Embrapa e MAPA.
IndicadorSituação recente

| Valor da venda (US$) | 1,42 bilhão | | Valor estimado em R$ | 7,2 bilhões | | Foco estratégico da Raízen | Bioenergia, etanol, açúcar, energia renovável | | Região desinvestida | Argentina (downstream) |

O que observar daqui pra frente

Produtores e agentes do agro devem acompanhar como a Raízen vai alocar esse capital extra em novas usinas, expansão de etanol de segunda geração, biogás e contratos de fornecimento de cana e biomassa. Também vale monitorar o efeito da menor exposição internacional no perfil de risco da companhia e o impacto sobre a competição nos mercados de combustíveis e biocombustíveis na região, especialmente em meio à agenda global de descarbonização e à evolução das políticas de crédito de carbono e RenovaBio no Brasil.

Fontes

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