Rede divulga desempenho de cultivares de trigo contra brusone da espiga
Rede cooperativa apresenta ranking de cultivares de trigo mais resistentes à brusone da espiga, oferecendo base técnica para reduzir perdas na lavoura.
A Rede de Ensaios Cooperativos para a Resistência à Brusone em Trigo divulgou novos resultados sobre o comportamento de cultivares comerciais frente à brusone da espiga, uma das doenças mais destrutivas da cultura. Os dados ajudam o produtor a escolher materiais com maior nível de resistência, reduzindo perdas de produtividade e qualidade dos grãos.
O que aconteceu
A rede avaliou cultivares de trigo em diferentes ambientes com histórico de brusone, usando inoculação controlada do patógeno Pyricularia oryzae e medição de severidade na espiga.[2][3] Foram consideradas variáveis como área afetada, incidência e impacto potencial na produtividade.
Segundo os resultados, um grupo de cultivares apresentou desempenho consistentemente superior, enquadrado como de maior resistência relativa à brusone da espiga.[2][3] Entre elas estão materiais como ORS 1401, ORS 1403, TBIO Audaz, TBIO Trunfo, TBIO Blanc, TBIO Aton, TBIO Sossego e BRS 404, que já vinham se destacando em estudos da Embrapa e instituições parceiras.[1][2][3]
Em contraste, cultivares mais suscetíveis, como BRS 264, mostraram maior incidência e severidade da doença nas espigas, reforçando o risco de uso desses materiais em áreas com histórico de brusone.[1][3] A rede recomenda que produtores em regiões mais favoráveis à doença deem prioridade a cultivares com melhor desempenho nos ensaios.
Por que importa para o agro
A brusone pode reduzir o peso da espiga de trigo em até 70–74%, derrubando produtividade e desclassificando o grão para uso industrial.[4][5] Em anos favoráveis à doença, a perda econômica é significativa, principalmente em regiões mais úmidas na fase de florescimento.
Nesse cenário, a informação sobre o nível de resistência de cada cultivar vira insumo estratégico de manejo. O uso de materiais mais tolerantes diminui a pressão da doença, reduz o número de aplicações de fungicidas e melhora a previsibilidade de resultado para o produtor, com impacto direto em custo por hectare e risco de quebra.
Dados e contexto
Estudos da Embrapa e de universidades mostram que não há cultivares totalmente imunes, mas há diferenças marcantes de reação entre materiais.[1][2][3][8] A brusone é hoje uma das principais limitações ao avanço do trigo em áreas tropicais e subtropicais do Brasil.[3][4]
Principais pontos técnicos:
- O fungo Pyricularia oryzae Triticum infecta principalmente a espiga, causando branqueamento parcial ou total acima do ponto de infecção.[3][4][5]
- As perdas podem chegar a mais de 50% de produtividade em áreas e anos favoráveis.[4][5]
- O controle curativo na espiga é pouco eficiente; o foco deve ser preventivo, com fungicidas no emborrachamento e florescimento.[4][5][7]
- O manejo integrado inclui uso de cultivares resistentes, rotação de culturas, eliminação de hospedeiros alternativos e respeito ao zoneamento agrícola.[3][4][5]
| Grupo de reação à brusone | Exemplos de cultivares |
|---|---|
| Maior resistência relativa | ORS 1401, ORS 1403, TBIO Trunfo, TBIO Audaz, TBIO Blanc, TBIO Aton, TBIO Sossego, BRS 404 |
| Maior suscetibilidade | BRS 264 e outras de reação semelhante |
A pesquisa recente com mais de 40 cultivares brasileiras reforça essa variabilidade de reação e confirma que a resistência genética é o pilar do manejo da doença.[2][9]
O que observar daqui pra frente
Produtores em regiões com histórico de brusone devem acompanhar as próximas atualizações da rede de ensaios e dos boletins da Embrapa, ajustando a escolha de cultivares a cada safra. A combinação de materiais mais resistentes, janela de semeadura adequada e programas de fungicidas preventivos tende a ganhar peso nas recomendações técnicas, especialmente em anos com previsão de clima úmido na fase de florescimento.
Fontes
}Continue lendo

Processamento de grãos aumenta desempenho e reduz custo no confinamento de bovinos
Tecnologias de processamento de milho elevam a digestibilidade do amido, melhoram ganho de peso e podem reduzir o custo da arroba no confinamento.

Chuvas intensas e calor de até 40°C: como fica o tempo no fim de julho e início de agosto
Fim de julho e começo de agosto terão chuva volumosa em várias regiões e calor acima da média, com impactos diretos no manejo da soja, milho, pastagens e logística.

Embrapa orienta sojicultores do Sul para enfrentar o El Niño
Embrapa divulga pacote de manejo, seguro e planejamento para reduzir perdas da soja e de outras culturas no Sul em anos de El Niño.