Gestão

Redução da jornada amplia debate sobre trabalho no campo

Presidente da Fetaep apoia a redução da jornada, mas mudança exige adaptação das atividades rurais e dos custos de mão de obra.

16 de outubro de 2026 3 min de leitura
Redução da jornada amplia debate sobre trabalho no campo

O presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais e Agricultores Familiares do Paraná (Fetaep), Alexandre Leal dos Santos, comemorou a redução da jornada de trabalho para trabalhadores rurais e urbanos. A medida aumenta o período de descanso, mas também exige mudanças na organização das atividades agropecuárias.

O que aconteceu

Em declaração ao Canal Rural, Leal dos Santos defendeu que o trabalhador tenha mais tempo para descanso e convivência familiar. A posição da entidade acompanha o movimento político pela revisão do limite atual de jornada, válido para trabalhadores urbanos e rurais.

A Constituição Federal estabelece jornada normal de até oito horas por dia e 44 horas por semana, com possibilidade de compensação por acordo. Propostas em tramitação no Congresso discutem reduzir esse limite para 40 ou 36 horas semanais, além de ampliar o descanso semanal.

A alteração ainda depende da tramitação e da regulamentação definitiva das propostas. Até que novas regras entrem em vigor, permanecem válidos os limites atuais e as normas previstas em contratos, convenções coletivas e na legislação trabalhista.

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Por que importa para o agro

A produção rural tem atividades contínuas, sazonais e dependentes do clima. Ordenha, manejo de animais, irrigação, colheita e aplicação de insumos não seguem necessariamente o horário comercial. Uma jornada menor pode exigir revezamento, contratação adicional ou reorganização das escalas.

Para o trabalhador, a redução pode melhorar descanso, saúde e retenção de mão de obra. Para o produtor, o impacto dependerá do texto aprovado, da possibilidade de compensação e do tratamento dado às atividades essenciais. Em operações com margem apertada, o custo por hora trabalhada tende a ganhar peso nas decisões de gestão.

Dados e contexto

  • A Constituição limita a jornada normal a 8 horas diárias e 44 horas semanais para trabalhadores urbanos e rurais.
  • A PEC 148/2015, aprovada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, prevê redução gradual para 36 horas semanais.
  • A PEC 221/2019, analisada na Câmara, também propõe chegar a 36 horas de forma progressiva.
  • Outras propostas discutem jornada de 40 horas e dois dias de descanso semanal.
  • O Tribunal Superior do Trabalho diferencia algumas regras aplicáveis ao campo, como o aviso-prévio do trabalhador rural, que prevê um dia de folga semanal para busca de novo emprego.
A aplicação prática dependerá do vínculo empregatício. Trabalhadores contratados sob a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estão no centro do debate, enquanto regimes específicos podem seguir regras próprias. A negociação coletiva também deve ter papel relevante na adaptação das escalas.

O que observar daqui pra frente

Produtores devem acompanhar a tramitação das propostas e revisar contratos, escalas e controles de jornada antes de qualquer mudança obrigatória. O principal risco é elevar o custo operacional sem ganho proporcional de produtividade. A oportunidade está em combinar mecanização, planejamento de turnos e melhor gestão de equipes para reduzir horas improdutivas sem comprometer o calendário agrícola.

Fontes

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