Reforma tributária pode elevar em 414% a carga de transportadoras do agro
Estudo aponta forte alta tributária para transportadoras do agro com a CBS, o que pode pressionar fretes e custos logísticos no campo.
Um estudo da consultoria Rumo Brasil aponta que transportadoras especializadas em produtos do agronegócio podem ter aumento médio de 414,44% na carga tributária com a implantação da CBS, prevista na reforma tributária. O efeito acende alerta porque o transporte é uma das etapas mais sensíveis da cadeia, com impacto direto no custo final do alimento e dos insumos.
O que aconteceu
A análise citada pelo Canal Rural indica que a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) pode elevar fortemente a tributação sobre empresas que operam fretes ligados ao agro. O estudo foi divulgado em meio à fase de implementação da reforma tributária e foca transportadoras com atividade voltada ao escoamento de grãos, insumos e outros produtos do setor.[1]
A principal preocupação é que o novo modelo substitui tributos como PIS e Cofins e muda a lógica de cobrança. No caso do transporte, a alíquota padrão tende a incidir de forma mais ampla, o que, segundo o estudo, gera pressão relevante sobre a margem das empresas e sobre a formação de preços na logística.[1][2]
Por que importa para o agro
Se a conta das transportadoras subir, parte desse custo tende a ser repassada para a cadeia. Na prática, isso pode encarecer o frete de fertilizantes, defensivos, sementes, combustíveis e a saída da produção das fazendas até armazéns, indústrias e portos.
Para o produtor, o efeito pode aparecer em duas frentes: insumos mais caros e escoamento mais oneroso. Em culturas com margem apertada e longas distâncias até os centros consumidores, qualquer aumento logístico pesa no resultado final e reduz competitividade.
Dados e contexto
A reforma tributária criou o IVA Dual, formado por CBS e IBS, com transição gradual e promessa de simplificação do sistema. A proposta também prevê crédito amplo para parte dos tributos pagos na cadeia, o que é usado por defensores da reforma como argumento de neutralização parcial do impacto.[2][5]
| Indicador | Dado |
|---|---|
| Alta estimada na carga tributária das transportadoras do agro | **414,44%** |
| Novo tributo federal | **CBS** |
| Modelo da reforma | **IVA Dual** |
| Tributos substituídos | ICMS, ISS, IPI, PIS e Cofins |
A CNT já havia mostrado, em estudo sobre transporte rodoviário, que o setor de cargas tende a enfrentar aumento de carga tributária com a reforma, ainda que com efeitos diferentes do transporte de passageiros.[3] Já a regulamentação aprovada na Lei Complementar 214/2025 define as bases da implementação do novo sistema.[5]
O que observar daqui pra frente
O ponto central agora é saber como a regulamentação e a fase de transição vão tratar o transporte ligado ao agro. Se não houver ajustes, a tendência é de pressão sobre fretes e contratos logísticos, especialmente em operações de longa distância e baixo valor agregado. Empresas e produtores devem acompanhar créditos tributários, mudanças de tabela e renegociações com operadores logísticos.
Fontes
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