Gestão

Roberto Rodrigues reforça papel estratégico das cooperativas no agro brasileiro

Em entrevista ao Canal Rural, Roberto Rodrigues destaca que cooperativas são peça-chave para competitividade, renda e organização dos produtores no Brasil.

08 de julho de 2026 4 min de leitura
Roberto Rodrigues reforça papel estratégico das cooperativas no agro brasileiro

Em entrevista ao Canal Rural, o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, hoje professor emérito da FGV e Embaixador Especial da FAO para cooperativas, reforçou que o cooperativismo é uma das principais ferramentas para garantir renda, escala e competitividade ao produtor brasileiro, especialmente o pequeno e médio.[1][6] A mensagem interessa diretamente à gestão de propriedades e à organização de cadeias produtivas em um cenário de custos altos e mercados cada vez mais exigentes.

O que aconteceu

Rodrigues participou de programa especial do Canal Rural voltado ao debate sobre o futuro do agro e dedicou boa parte da conversa à importância das cooperativas na estrutura produtiva do Brasil. O ex-ministro lembrou sua trajetória ligada ao cooperativismo de crédito e de produção desde os anos 1970 e destacou que essa experiência foi decisiva para formar a atual potência agrícola brasileira.[1][8]

Ele ressaltou que cooperativas permitem acesso a insumos, tecnologia, crédito, serviços e mercados em condições que um produtor isolado dificilmente conseguiria. Segundo Rodrigues, o modelo cooperativista ajudou o país a sair de uma situação de dependência de importações de alimentos para se tornar grande exportador, combinando políticas públicas, pesquisa e organização dos produtores.[4]

Rodrigues também chamou atenção para o papel das cooperativas na governança do agro, ao aproximar produtores de decisões estratégicas e dar voz coletiva na negociação com indústrias, bancos e governo. Para ele, fortalecer o cooperativismo é caminho obrigatório para que o Brasil continue ampliando produção com inclusão e eficiência.

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Por que importa para o agro

Para o produtor, a fala de Rodrigues reforça uma orientação prática: entrar ou se manter bem posicionado em cooperativas tende a ser uma vantagem competitiva relevante em cenários de margens apertadas e volatilidade de preços. Pela lógica defendida pelo ex-ministro, a cooperação reduz custos de transação, melhora o poder de barganha e abre portas para mercados mais sofisticados, inclusive exportação.[4]

Na visão de cadeia produtiva, cooperativas funcionam como nós de organização: coordenam oferta, qualificam produtos, investem em armazenagem, logística e industrialização. Isso impacta diretamente o mercado, já que grupos organizados entregam volume e padrão, simplificando operações de tradings, frigoríficos e agroindústrias e fortalecendo a imagem do agro brasileiro lá fora.

Dados e contexto

Há cinco décadas o Brasil importava cerca de 30% dos alimentos consumidos internamente; hoje está entre os maiores exportadores globais de soja, carne, açúcar e outros produtos.[4] Esse salto foi apoiado por três pilares: pesquisa (com destaque para a Embrapa), políticas agrícolas e organização dos produtores em cooperativas e associações.

Roberto Rodrigues acumula funções diretamente ligadas a esse movimento:

  • Ex-ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (2003–2006).[5]
  • Professor emérito e coordenador do Centro de Agronegócios da FGV.[6]
  • Embaixador Especial da FAO para cooperativas, com atuação internacional.[1]
O cooperativismo cresce em diversas regiões, especialmente no Sul e Sudeste, com forte presença em grãos, leite, carnes e crédito rural. Cooperativas lideram investimentos em armazenagem, indústria de alimentos e bioenergia, ampliando valor agregado e absorvendo parte do risco que, isoladamente, recairia sobre cada produtor.
Pilar do agro modernoPapel das cooperativas
ProduçãoOrganização de insumos, assistência técnica e planejamento
MercadoNegociação coletiva, padronização e acesso a exportação
FinanciamentoCrédito cooperativo e redução de custo financeiro

O que observar daqui pra frente

A partir da análise de Rodrigues, o ponto crítico para o produtor é acompanhar como cooperativas vão se profissionalizar em gestão, governança e inovação, sem perder o caráter associativo. Oportunidades estão em ampliar a participação em investimentos coletivos, integração em cadeias globais e adoção de tecnologias de gestão e sustentabilidade, enquanto riscos envolvem cooperativas mal geridas, baixa transparência e falta de preparo para competir em mercados mais complexos.

Fontes

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