RS discute controle biológico do carrapato e cenário do leite
Câmara do Leite da SEAPI debate alternativas biológicas ao carrapato bovino e avalia o mercado lácteo no Rio Grande do Sul em meio à pressão de custos.
A Câmara Setorial do Leite da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul (SEAPI) debateu o uso de controle biológico do carrapato bovino e o cenário atual do mercado lácteo no estado. O tema é estratégico para reduzir perdas em produtividade, custos com medicamentos e melhorar a competitividade da cadeia de leite gaúcha, que já opera sob forte pressão de margens.
O que aconteceu
Em reunião recente, a Câmara do Leite da SEAPI reuniu produtores, técnicos e representantes da indústria para avaliar alternativas ao controle químico do carrapato bovino. Pesquisadores apresentaram tecnologias de controle biológico, como uso de fungos entomopatogênicos e manejo integrado, com foco em reduzir resistência aos carrapaticidas e resíduos em leite e carne.
O encontro também tratou da conjuntura do mercado lácteo no Rio Grande do Sul, com relatos de aumento de custos de produção, volatilidade de preços pagos ao produtor e preocupação com a competitividade frente a outros estados e às importações. Foram discutidas ações de curto prazo para mitigar perdas e estratégias de médio prazo para valorizar a produção local.
Segundo a SEAPI, o objetivo é alinhar sanidade, produtividade e renda do produtor em uma política mais integrada para o setor. A Câmara do Leite pretende encaminhar propostas tanto na área sanitária quanto em políticas de preço e incentivo à qualidade.
Por que importa para o agro
O carrapato bovino é um dos principais problemas sanitários dos rebanhos de corte e leite no país, com impacto direto em ganho de peso, produção de leite e custos veterinários. A Embrapa estima que parasitas externos, com destaque para o carrapato, gerem prejuízos bilionários anuais à pecuária brasileira. Para o produtor de leite, isso significa menos litros por vaca e maior gasto com tratamentos.
O avanço de alternativas biológicas é uma oportunidade para reduzir a dependência de carrapaticidas químicos, que enfrentam resistência crescente do parasita e pressionam o custo de produção. Ao mesmo tempo, uma estratégia sanitária mais eficiente pode melhorar a qualidade do leite, facilitar o atendimento a exigências de laticínios e abrir espaço para remunerações melhores por qualidade.
Dados e contexto
- A Embrapa Gado de Leite aponta que o Brasil tem cerca de 1,2 milhão de produtores de leite, com forte presença de pequenos e médios.
- O Rio Grande do Sul é um dos três maiores produtores de leite do país, ao lado de Minas Gerais e Paraná, segundo o IBGE e a Conab.
- Estudos da Embrapa indicam que o carrapato bovino pode reduzir a produção de leite em até 30% em casos graves de infestação e elevar significativamente o custo por litro produzido.
- A adoção exclusiva de carrapaticidas químicos tem levado ao aumento da resistência do parasita, obrigando trocas frequentes de princípio ativo e aplicações mais intensas.
- O controle biológico, com agentes como Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae, vem sendo testado em vários estados como parte de programas de manejo integrado de parasitas.
| Indicador | Situação geral no Brasil* |
|---|
| Prejuízos com carrapato | bilhões de reais/ano (Embrapa) | | Impacto na produção de leite | até 30% de queda em casos severos | | Perfil dos produtores de leite| maioria pequenos e médios |
\*Valores variam por região e sistema de produção.
No mercado, a cadeia do leite enfrenta forte oscilação de preços, influenciada por custos de insumos, clima e variações de oferta interna e externa. Relatórios do Cepea/Esalq mostram que o preço ao produtor vem oscilando, enquanto os custos com ração, energia e sanidade seguem elevados, pressionando margens.
O que observar daqui pra frente
Os próximos passos da Câmara do Leite serão decisivos para transformar o debate em ações práticas, como programas de incentivo ao controle biológico, capacitação de técnicos e ajustes em políticas de sanidade. Produtores devem acompanhar possíveis projetos-piloto, orientações técnicas oficiais e eventuais mudanças em requisitos de qualidade exigidos pelos laticínios, já que melhorias sanitárias podem se converter em bônus de preço e maior competitividade do leite gaúcho.
Fontes
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