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Safra menor e custos em alta pressionam mercado de trigo no Brasil

Safra de trigo deve encolher perto de 20% no Brasil, com custos elevados e maior dependência de importações em um cenário global de oferta mais apertada.

01 de agosto de 2026 4 min de leitura
Safra menor e custos em alta pressionam mercado de trigo no Brasil

A safra brasileira de trigo caminha para uma queda próxima de 20% neste ano, em meio a redução de área, clima incerto e custos de produção elevados. A menor oferta interna, somada à alta do cereal no mercado externo e riscos logísticos em regiões produtoras como o Mar Negro, aumenta a dependência de importações e mantém o mercado doméstico em alerta.

O que aconteceu

Relatórios de mercado e consultorias apontam que a produção nacional de trigo deve recuar de patamares próximos a 8 milhões de toneladas na safra passada para algo em torno de 6 milhões de toneladas neste ciclo, o que representa queda entre 20% e 28%, a depender da estimativa considerada.[1][3][6][8]

A Conab revisou para baixo suas projeções, indicando produção em torno de 6,0–6,3 milhões de toneladas, a menor desde 2020 e mais de 20% abaixo do volume colhido na temporada anterior.[1][8] O movimento é puxado por redução de área semeada em estados-chave do Sul, como Paraná e Rio Grande do Sul, além de custos mais altos e margens apertadas.[3][5]

No mercado internacional, o USDA trabalha com menor produção global e forte ajuste na safra dos Estados Unidos, o que tem sustentado os preços em Chicago.[4][9] Ao mesmo tempo, riscos de oferta no Mar Negro e guerra em regiões produtoras elevam o prêmio de risco e encarecem o trigo importado.[1][6][9]

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Por que importa para o agro

Para o produtor, o cenário combina custo elevado, risco climático e incerteza de preços. Fertilizantes, defensivos e operações de campo seguem pressionando o orçamento, enquanto o excesso de chuvas em parte do Sul aumenta o risco de perdas de qualidade e produtividade nas lavouras de inverno.[5][13][14] A redução de área é resposta direta à menor rentabilidade frente a outras culturas e à dificuldade de crédito.[5][8][13]

Para a indústria moageira e cadeia de alimentos, a menor safra interna vem junto com importações mais caras. Com oferta global apertada e problemas logísticos em rotas como o Mar Negro, a tonelada de trigo pode chegar a R$ 1.800 nas compras externas, contra preços internos em torno de R$ 1.400/t no Sul.[9] Isso pressiona custos de farinha e derivados, mesmo com analistas descartando risco de desabastecimento no curto prazo.[9][13]

Dados e contexto

IndicadorSituação atual
Produção Brasil (Conab)~**6,0–6,3 mi t** (queda ~20–23% vs. safra anterior)[1][8]
Estimativa consultorias**5,85 mi t** (queda ~28% vs. 8,12 mi t em 2025/26)[6]
Produção global (USDA 26/27)**819,9 mi t**, baixa de **2,8%** vs. 25/26[4]
Produção EUA (USDA)**41,8 mi t**, queda de **22,6%** vs. safra anterior[4]
Preço interno Sul (Cepea)~**R$ 1.400/t** de trigo[9]
Importações projetadasaté **R$ 1.800/t** para trigo externo[9]
Preço saca RS (Itaú BBA)**R$ 72,56/60 kg**, alta de 6% em março[10]
Preço saca PR (Itaú BBA)**R$ 77,21/60 kg**, alta de 5,3%[10]

A redução de área semeada é clara em estados como o Paraná, onde o Deral estima recuo de 22% na área de trigo em relação ao ano anterior.[3] Consultorias como Safras & Mercado falam em diminuição de cerca de 20% da área nacional, reforçando o impacto dos custos e da concorrência com outras culturas.[6][8]

No Sul, boletins regionais mostram preços relativamente firmes, com saca entre R$ 70 e R$ 77, enquanto o mercado acompanha de perto o clima e as perdas potenciais de qualidade dos grãos.[7][10][14] A oferta restrita da safra “velha” também contribui para sustentar as cotações na entressafra.[4][10]

O que observar daqui pra frente

O produtor deve acompanhar três pontos: evolução do clima nas principais regiões de trigo, movimentos de preços em Chicago e câmbio, e novas revisões de safra da Conab e do USDA. Se a quebra de produção interna se confirmar em patamares acima de 20% e o cenário global seguir pressionado, contratos futuros e operações de proteção de preço ganham relevância, tanto para quem produz quanto para quem compra trigo no mercado doméstico.

Fontes

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