Santander vê ajuste na celulose, mas mercado ainda não sente no Brasil
Banco aponta corte global de capacidade na celulose, com pressão concentrada na fibra longa e impacto ainda limitado sobre o Brasil.
O Santander avalia que o setor global de celulose entrou em uma fase de ajuste, com fechamento de fábricas e cortes de capacidade, especialmente na fibra longa. Para o Brasil, o movimento ainda não mudou o quadro de forma imediata, mas indica pressão maior sobre preços e estratégia das empresas exportadoras.
O que aconteceu
Em relatório divulgado em 14 de setembro, o Santander afirmou que o mercado de celulose deixou para trás as paradas temporárias de produção e entrou em uma etapa de cortes mais permanentes. O banco diz que a racionalização da oferta já começou e pode avançar nos próximos meses.
Segundo o relatório, desde o início do ano foram anunciadas paradas e reduções que somam cerca de 6,4 milhões de toneladas por ano de capacidade, com foco na celulose de fibra longa. Desse total, aproximadamente 2,4 milhões de toneladas já saíram do mercado em 2026.
O banco também lembra que, entre 2022 e o acumulado de 2026, cerca de 5,7 milhões de toneladas por ano foram fechadas de forma permanente ou suspensas por prazo indeterminado. A leitura é que a indústria passou de ajustes pontuais para uma reorganização estrutural da oferta.
Por que importa para o agro
O Brasil é um dos maiores exportadores globais de celulose e acompanha de perto qualquer mudança no equilíbrio entre oferta e demanda. Quando o mercado internacional aperta na fibra longa, as empresas brasileiras podem ganhar espaço competitivo, mas também enfrentam maior volatilidade de preços no curto prazo.
Para o produtor florestal e para a cadeia de base florestal, o sinal principal é de atenção ao ciclo. Se o ajuste global avançar, o setor pode melhorar margens em alguns produtos, mas o ganho não é imediato nem uniforme. A diferença entre fibra longa e fibra curta também pesa nas decisões de produção, investimento e contrato.
Dados e contexto
O Santander destaca que o problema atual está concentrado na fibra longa, predominante no hemisfério norte. Já a fibra curta, com forte presença brasileira, aparece em situação menos pressionada neste momento.
| Indicador | Dado citado pelo Santander |
|---|---|
| Capacidade anunciada em cortes e paradas em 2026 | **6,4 milhões t/ano** |
| Capacidade já retirada do mercado em 2026 | **2,4 milhões t/ano** |
| Fechamentos ou paradas desde 2022 | **5,7 milhões t/ano** |
| Diferença de preço entre fibra longa e curta em 2026 | **US$ 77/t** |
| Média histórica dessa diferença | **US$ 145/t** |
A compressão dessa diferença de preços indica enfraquecimento da fibra longa, segundo o banco. Em linguagem de mercado, isso sugere que o setor está mais perto de um ponto de reequilíbrio, mas ainda sem uma recuperação clara e ampla.
O que observar daqui pra frente
O mercado deve acompanhar dois sinais: novos anúncios de fechamento de capacidade e reação dos preços internacionais. Se os cortes continuarem, o setor pode entrar numa fase mais favorável para os produtores com estrutura exportadora e custo competitivo. Se a demanda global desacelerar, o ajuste pode demorar mais para aparecer nas cotações.
No Brasil, o foco fica sobre as grandes produtoras de celulose e sobre o ritmo de exportação. Para a cadeia florestal, o cenário pede cautela com investimento, porque o ajuste da oferta global ainda está em andamento e pode alterar margens ao longo de 2026 e 2027.
Fontes
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