São Paulo lança projeto-piloto de captura de carbono na cana-de-açúcar
Governo paulista inicia projeto-piloto de captura e armazenamento de carbono biogênico em usinas de cana, de olho em créditos de carbono e novas receitas.

O governo de São Paulo anunciou um projeto-piloto de captura e armazenamento de carbono biogênico (BECCS) para o setor sucroenergético, com testes em usinas de cana no estado.[2] A iniciativa busca reduzir emissões, gerar créditos de carbono e manter a liderança paulista em bioenergia e etanol de baixa intensidade de carbono.[2]
O que aconteceu
O Estado lançou um piloto de captura e armazenamento de CO₂ biogênico em uma planta sucroenergética, usando o carbono emitido na fermentação do etanol como matéria-prima para estocagem geológica.[2] A tecnologia é uma forma de BECCS (bioenergia com captura e armazenamento de carbono), considerada estratégica em cenários globais de neutralidade climática.[2]
O projeto está associado a iniciativas como o InBECCS, que integra pesquisa, setor privado e governo para desenvolver soluções de captura em usinas de cana.[1][2] A proposta é validar tecnicamente o modelo, testar viabilidade econômica e preparar o caminho para projetos em escala comercial no cinturão sucroenergético paulista.[1][2]
A articulação envolve governo estadual, empresas do setor e instituições de pesquisa, com foco em posicionar São Paulo como polo de tecnologias de descarbonização ligadas à bioenergia.[2] O piloto também mira o mercado de créditos de carbono e futuras exigências regulatórias em clima e energia.[2]
Por que importa para o agro
Para o produtor de cana e as usinas, o BECCS abre espaço para nova fonte de receita via créditos de carbono e contratos com indústrias e mercados que buscam emissões negativas. A captura do CO₂ biogênico pode reforçar a imagem do etanol de cana como combustível renovável de baixíssima pegada de carbono, agregando valor à produção.
No médio prazo, a adoção de captura de carbono pode virar diferencial competitivo em mercados como União Europeia e Japão, que já consideram emissões ao longo da cadeia em barreiras técnicas e exigências de importação. Quem se adaptar primeiro tende a acessar melhor esses mercados e negociar prêmios por produto com menor intensidade de carbono.
Dados e contexto
O Brasil é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar, com São Paulo respondendo por cerca de 50% da moagem nacional, segundo a Conab e a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).
A bioenergia com captura e armazenamento de carbono (BECCS) é citada em cenários do IPCC como uma das principais rotas para emissões líquidas negativas em escala global.
Estudos com bioenergia de cana indicam que a captura do CO₂ da fermentação pode retirar da atmosfera até 0,5 a 1 tonelada de CO₂ por metro cúbico de etanol, dependendo da eficiência do sistema, reforçando o potencial do setor sucroenergético brasileiro em estratégias de mitigação.
Em paralelo, o setor explora outras rotas de sequestro de carbono, como biochar feito a partir de resíduos da cana, que pode melhorar solo e reter carbono por centenas de anos.[3] Essas frentes indicam que a cana tende a ocupar espaço central em políticas climáticas e em mercados voluntários de carbono.
| Indicador | Situação aproximada |
|---|---|
| Participação de SP na cana do Brasil | ~50% da produção nacional |
| Principais usos da cana | Açúcar, etanol, bioeletricidade | | Potencial do setor em clima | Biocombustíveis de baixa emissão e projetos BECCS |
O que observar daqui pra frente
O produtor e a usina devem acompanhar como esse piloto avança em três frentes: modelo de negócio para captura, regras de certificação de créditos de carbono e possíveis incentivos estaduais ou federais. Se o projeto comprovar viabilidade técnica e econômica, usinas com maior escala e organização ambiental saem na frente para captar investimentos, firmar contratos de longo prazo e integrar-se a cadeias globais que exigem rastreabilidade de emissões.
Fontes
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