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Seguro rural deve ser prioridade para o próximo governo

Tirso Meirelles defende a ampliação do seguro rural como política permanente para reduzir perdas climáticas e dar mais segurança ao produtor.

08 de outubro de 2026 4 min de leitura
Seguro rural deve ser prioridade para o próximo governo

O seguro rural deve ocupar posição central na agenda do próximo governo, segundo Tirso Meirelles, presidente do Sistema Faesp-Senar-SP. A defesa ocorre em um cenário de eventos climáticos mais frequentes e de forte pressão sobre a renda do produtor. Para o setor, ampliar a cobertura e garantir recursos estáveis é essencial para proteger investimentos e manter o acesso ao crédito.

O que aconteceu

Meirelles afirmou que o seguro rural precisa deixar de ser tratado como uma ação pontual e passar a integrar uma política permanente de gestão de riscos. A prioridade, segundo ele, deve incluir previsibilidade orçamentária, maior oferta de apólices e condições adequadas para diferentes perfis de produtores e culturas.

O instrumento reduz o impacto financeiro de perdas provocadas por seca, excesso de chuvas, geadas, granizo e outros eventos. Também pode facilitar a retomada da produção e diminuir a dependência de medidas emergenciais após catástrofes climáticas.

A discussão envolve diretamente o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), administrado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O programa reduz parte do custo da apólice para o produtor, mas enfrenta limitações de orçamento e oscilações na liberação dos recursos.

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Por que importa para o agro

Sem proteção adequada, uma quebra de safra pode comprometer o capital de giro, elevar o endividamento e dificultar a contratação de crédito na temporada seguinte. O problema afeta principalmente produtores expostos a eventos climáticos recorrentes e aqueles com menor capacidade financeira para absorver perdas.

Para bancos, cooperativas e fornecedores, o seguro também reduz o risco das operações. Uma política mais previsível pode ampliar a oferta de crédito, melhorar o planejamento das lavouras e estimular investimentos em tecnologia, irrigação, manejo de solo e armazenagem.

Dados e contexto

  • A Lei Orçamentária Anual de 2025 previu cerca de R$ 1,06 bilhão para o PSR, segundo documentos do Mapa.
  • Em junho de 2025, o governo anunciou a liberação de recursos adicionais para apólices de culturas de inverno, frutas, pecuária, florestas e outras atividades.
  • Cerca de R$ 445 milhões previstos para o programa foram bloqueados em 2025, reduzindo a capacidade de apoio à contratação de seguros.
  • Até novembro de 2025, o Mapa informou a aplicação de R$ 482 milhões em subvenção, com 47 mil apólices contratadas e aproximadamente 37 mil produtores beneficiados.
  • O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), elaborado com participação da Embrapa, orienta épocas de plantio e apoia políticas de crédito, seguro rural e Proagro.
O Zarc também pode ser combinado a critérios de manejo. Projetos do Mapa e da Embrapa avaliam práticas que aumentam a capacidade de retenção de água do solo e reduzem a exposição das lavouras à seca. A tendência é que o seguro considere cada vez mais o risco regional, o sistema produtivo e a adoção de boas práticas.

O que observar daqui para frente

O próximo governo deverá definir o orçamento do PSR, as regras de subvenção e os mecanismos para ampliar a participação das seguradoras. Produtores devem acompanhar mudanças no Zarc, exigências das apólices, prazos de contratação e critérios de indenização. A previsibilidade dos recursos será decisiva para transformar o seguro em ferramenta regular de planejamento, e não apenas em resposta após grandes perdas.

Fontes

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