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Seguro rural deve ter ano mais difícil que 2025, alerta FGV Agro

Mercado de seguro rural deve enfrentar 2026 ainda pior que 2025, com menos subvenção pública, prêmio mais caro e maior risco para produtores.

10 de junho de 2026 4 min de leitura
Seguro rural deve ter ano mais difícil que 2025, alerta FGV Agro

O mercado de seguro rural caminha para um ano ainda mais complicado que 2025, segundo avaliação de especialista da FGV Agro. A combinação de menor subvenção pública, aumento do custo dos prêmios e maior seletividade das seguradoras deve reduzir a cobertura no campo e elevar o risco financeiro para o produtor.

O que aconteceu

Em entrevista ao Canal Rural, o coordenador do Observatório de Crédito e Seguro Rural da FGV Agro, Pedro Loyola, avaliou que 2026 (safra atual) tende a ser pior que 2025 para o seguro rural. Ele aponta que a política pública perdeu previsibilidade e que o orçamento para subvenção ao prêmio segue aquém da demanda do setor.

Segundo Loyola, as seguradoras vêm ajustando os modelos de risco após seguidos eventos climáticos extremos em diferentes regiões. Isso leva ao encarecimento do prêmio, à exclusão de áreas consideradas mais arriscadas e à redução das opções de cobertura para o produtor, especialmente para culturas de maior volatilidade climática.

Ele também destaca que o seguro rural passou a disputar espaço no orçamento público com outras prioridades da política agrícola. Sem proteção estável e plurianual, o mercado não ganha escala nem previsibilidade. Resultado: menos produtores segurados, mais risco para bancos e cooperativas e maior exposição da renda agrícola à quebra de safra.

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Por que importa para o agro

Sem seguro rural acessível, o produtor fica mais dependente de renegociações de dívida e de programas emergenciais após eventos climáticos. Isso encarece o crédito, aumenta a inadimplência e fragiliza toda a cadeia, do fornecedor de insumos à indústria e ao exportador.

O cenário mais duro para o seguro também pressiona o Plano Safra. Bancos públicos e privados tendem a ser mais conservadores na concessão de crédito quando a lavoura não está protegida. Na prática, o custo financeiro sobe, o acesso ao financiamento diminui, e o risco de quebra generalizada em anos de seca ou excesso de chuva aumenta.

Dados e contexto

O seguro rural no Brasil ainda cobre uma parte pequena da área plantada, se comparado a grandes players agrícolas. Dados de FGV Agro e do mercado indicam que:

  • A subvenção federal ao prêmio de seguro rural é historicamente inferior à demanda apresentada por produtores e seguradoras.
  • Após anos com forte incidência de seca e excesso de chuva, seguradoras revisaram modelos atuariais e elevaram os prêmios em diversas regiões.
  • A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) defende ampliar recursos e subsídios ao seguro rural no Plano Safra 2026/27, apontando que o instrumento é central para a estabilidade da renda agrícola.[5]
  • O debate no Congresso sobre incluir o seguro rural como despesa obrigatória de médio prazo ganhou força após veto na Lei de Diretrizes Orçamentárias.[6]
Comparado a outros instrumentos de gestão de risco, como proagro e programas emergenciais, o seguro rural é visto por FGV Agro e entidades do setor como a ferramenta mais eficiente para proteger renda e mitigar risco sistêmico. Porém, sem orçamento previsível e políticas de longo prazo, o mercado não escala.

Em paralelo, especialistas lembram que muitos produtores ainda “apostam contra o clima” e contratam seguro apenas após sofrer perdas, o que dificulta a formação de carteira diversificada e encarece o produto para todos.[4]

O que observar daqui pra frente

Produtores devem acompanhar de perto a definição do orçamento de subvenção ao prêmio de seguro rural, as regras do próximo Plano Safra e as mudanças nas apólices oferecidas em suas regiões. Em cenário de maior seletividade das seguradoras e prêmios mais caros, tende a ganhar quem planejar a proteção de safra de forma antecipada, negociar em grupo (cooperativas, associações) e integrar seguro, crédito e manejo de risco climático na gestão da propriedade.

Fontes

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