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Seguro rural fora do pacote do El Niño acende alerta no campo

Governo discute medidas contra um possível El Niño muito forte, mas mantém bloqueio de quase metade do orçamento do seguro rural, elevando o risco para a safra 2026/27.

03 de agosto de 2026 4 min de leitura
Seguro rural fora do pacote do El Niño acende alerta no campo

O governo federal começou a discutir medidas para enfrentar um possível El Niño muito forte neste ano, mas deixou de fora o principal instrumento de gestão de risco climático da agricultura: o seguro rural. Com quase metade do orçamento de 2026 bloqueado, o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), gerido pelo Ministério da Agricultura, segue sem sinal de recomposição, aumentando a exposição dos produtores em um ciclo de maior incerteza climática.[1][5][8]

O que aconteceu

Na reunião no Palácio do Planalto sobre o pacote do El Niño, o seguro rural não entrou na pauta, apesar de ser a política central de proteção contra perdas por eventos climáticos extremos.[1] O foco foi direcionado para ações de abastecimento e formação de estoques públicos, especialmente de arroz e milho, por meio da Conab, em um pacote de cerca de R$ 1,335 bilhão que reaproveita verbas já previstas no orçamento.[2]

Enquanto isso, o PSR iniciou 2026 com dotação de R$ 1,01 bilhão, mas sofreu cortes e cancelamentos, reduzindo o total para R$ 991,1 milhões.[2][5] Desse montante, R$ 461,7 milhões foram bloqueados, deixando apenas R$ 473,8 milhões disponíveis e, destes, parte já executada na subvenção ao prêmio das apólices.[2][5][11]

Mesmo com o recente desbloqueio de recursos do Orçamento federal, não há indicação de que o seguro rural será beneficiado. O programa permanece fora das prioridades imediatas, apesar das projeções de mais de 90% de chance de um El Niño persistente e potencialmente muito forte até o início de 2027.[2][10][12]

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Por que importa para o agro

Com menos subvenção, o custo das apólices sobe e muitos produtores, especialmente médios e pequenos, tendem a reduzir ou abandonar a contratação de seguro. Em um cenário de maior variabilidade de chuvas, ondas de calor e risco de quebra de safra, isso significa mais exposição financeira, pressão sobre o crédito rural e possível aumento da inadimplência no sistema bancário.[8][9][11]

Estudos indicam que, com o orçamento atual, a área segurada deve cair para cerca de 2,8% da área agrícola brasileira — pouco mais de 2,7 milhões de hectares — o menor nível em cerca de 20 anos.[8][11] Na prática, a maioria da produção ficará descoberta justamente quando o risco climático sobe, o que pode amplificar perdas, reduzir capacidade de investimento e encarecer o crédito para próximas safras.

Dados e contexto

O quadro de seguro rural em 2026 combina três fatores: orçamento menor, bloqueio de recursos e risco climático em alta.

IndicadorSituação 2026

| Orçamento inicial do PSR | R$ 1,01 bi[2][5] | | Orçamento após cortes/cancelamentos | R$ 991,1 mi[2][5] | | Valor bloqueado pelo governo | R$ 461,7 mi[2][5] | | Recursos efetivamente disponíveis | R$ 473,8 mi[2][11] | | Cobertura estimada da área agrícola | ≈2,8% / 2,7 mi ha[8][11] |

Segundo o FGV Agro, se todo o orçamento previsto fosse efetivamente utilizado, a área segurada poderia chegar a cerca de 5,7 milhões de hectares, praticamente o dobro da cobertura projetada hoje.[8][11] Dados de mercado mostram que a área agrícola segurada no país caiu de cerca de 13 milhões para pouco mais de 3 milhões de hectares em 2025, movimento que deve se aprofundar se o bloqueio continuar em 2026.[9]

Paralelamente, o Plano Safra 2026/27 ampliou o volume de crédito para o agro, mas deixou o seguro rural para discussão em grupo de trabalho, sem definição concreta de recursos adicionais.[7] Isso cria um descompasso: mais financiamento para produção, porém pouca proteção em caso de quebra de safra.

O que observar daqui pra frente

Produtores, cooperativas e tradings devem acompanhar três frentes: eventuais decisões do governo sobre desbloqueio de recursos do PSR, as projeções climáticas atualizadas para o El Niño pelo Inmet e Embrapa, e as condições de oferta de seguro pelas seguradoras. A combinação de crédito mais robusto com proteção limitada aumenta o peso da gestão de risco privada (seguro, diversificação de áreas e culturas, manejo conservador), tornando decisões de contratação de apólices e planejamento financeiro tão estratégicas quanto a escolha da tecnologia de produção.

Fontes

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