Sustentabilidade

Setor de seguros quer política permanente para apoiar a transição climática

Seguradoras defendem apoio estável e de longo prazo para financiar a transição climática, com potencial direto sobre o crédito, o risco e o seguro rural.

25 de junho de 2026 4 min de leitura
Setor de seguros quer política permanente para apoiar a transição climática

O setor segurador brasileiro defende que o apoio público à transição climática seja permanente e previsível, com regras claras de longo prazo para financiar projetos de descarbonização e adaptação. A mensagem é que o seguro pode ser peça-chave para estruturar investimentos verdes, reduzir risco climático e dar segurança a empresas, governos e produtores, mas precisa de um ambiente regulatório estável.

O que aconteceu

Representantes do mercado segurador reforçaram que o seguro não é apenas proteção contra perdas, mas também financiador da transição climática, ao canalizar recursos de reservas técnicas para projetos de baixo carbono e infraestrutura resiliente.[5]

O setor argumenta que, diante da necessidade global estimada em cerca de US$ 6 trilhões para a transição climática, as seguradoras podem ocupar papel relevante como investidores institucionais, desde que existam marcos regulatórios claros, incentivos econômicos e continuidade das políticas públicas.[5]

O Ministério da Fazenda já reconhece o papel estratégico do seguro na agenda de transformação ecológica, ao destacar que o setor ajuda a precificar riscos climáticos, orientar investimentos e ampliar a resiliência de atividades econômicas vulneráveis a eventos extremos.[4]

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Por que importa para o agro

Para o agronegócio, um setor segurador forte e engajado na transição climática significa mais opções de seguro rural, crédito estruturado e proteção contra eventos extremos, como seca prolongada, enchentes e granizo. O seguro pode funcionar como coluna de sustentação de políticas de clima, tornando produtores menos expostos à volatilidade e ao colapso financeiro após perdas severas.[1][8]

Com apoio permanente e regras previsíveis, seguradoras tendem a ampliar produtos ligados à agricultura de baixo carbono, restauração florestal e manejo conservacionista. Isso abre espaço para premiar quem adota práticas sustentáveis, reduzir custo de capital de projetos verdes e integrar seguro, crédito e programas oficiais como o seguro rural subvencionado pelo governo.

Dados e contexto

O debate internacional aponta o seguro como um dos principais mecanismos para transformar metas de transição em projetos concretos:

  • Estimativa de US$ 6 trilhões em investimentos necessários globalmente para a transição climática, com o setor segurador visto como grande potencial financiador.[5]
  • Uso de seguros para estruturar fundos de catástrofe, consórcios de resseguro e retrocessão internacional, ampliando a capacidade de absorver perdas climáticas em diversos setores, inclusive o agro.[1]
  • Crescimento de instrumentos como seguros paramétricos, que pagam indenização com base em índices climáticos (chuva, temperatura), agilizando o suporte ao produtor frente a extremos climáticos.[8][9]
  • Avanço de iniciativas ligadas à ciência climática, como hubs de risco que cruzam dados de clima, uso da terra e exposição setorial, apoiando o desenho de apólices mais aderentes à realidade do campo.[6]
No Brasil, políticas de seguro rural e programas federais de subvenção convivem com a necessidade de integrar gestão de risco climático, transição ecológica e instrumentos financeiros de longo prazo, incluindo títulos verdes, garantias e fundos de adaptação.[4][8]

O que observar daqui pra frente

Produtores e empresas do agro devem acompanhar de perto como serão desenhadas as políticas permanentes para a transição climática e o papel do seguro nesse processo. A tendência é que novas exigências de gestão de risco, dados climáticos e práticas sustentáveis passem a influenciar acesso a seguro, custo do prêmio e oferta de crédito, criando oportunidades para quem investe em resiliência e podendo encarecer a operação de quem ignora o risco climático.

Fontes

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