Mercado

SLC estreia no mercado de CPR-F e levanta R$ 515 milhões

SLC Agrícola estreia em CPR-F, levanta R$ 515 milhões lastreados em algodão e reforça estratégia de financiamento de longo prazo.

14 de setembro de 2026 4 min de leitura
SLC estreia no mercado de CPR-F e levanta R$ 515 milhões

A SLC Agrícola, maior operadora de terras agrícolas do Brasil, aprovou sua primeira emissão de Cédulas de Produto Rural com Liquidação Financeira (CPR-F), no valor de cerca de R$ 515 milhões, com prazo de 7 anos e remuneração atrelada à taxa DI. A operação é lastreada em mais de 53 mil toneladas de algodão das próximas safras e marca uma nova etapa na estratégia de financiamento de longo prazo da companhia.

O que aconteceu

O conselho de administração da SLC aprovou a emissão de aproximadamente R$ 515,4 milhões em CPR-F, em série única, com títulos escriturais direcionados a investidores profissionais. O vencimento está previsto para 15 de setembro de 2033, com amortização do valor principal em duas parcelas iguais, em 2031 e 2033.

A remuneração das cédulas foi definida em 95,5% da variação acumulada da taxa DI, o que insere o papel no universo de renda fixa atrelada aos juros básicos da economia. Os juros serão pagos semestralmente, nos meses de março e setembro, a partir de 2027.

O lastro da operação são cerca de 53,4 mil toneladas de algodão em pluma que a companhia planeja produzir entre as safras 2026/27 e 2032/33. Além do produto, os títulos contam com fiança bancária de um grande banco nacional, elevando o nível de segurança para quem entra na oferta.

Imagem

Por que importa para o agro

A entrada da SLC no mercado de CPR-F reforça a tendência de uso de instrumentos de mercado de capitais para financiar o agro, em complemento ao crédito bancário tradicional e às linhas subsidiadas. Para o produtor, isso amplia o cardápio de opções e ajuda a formar referências de custo de capital e estrutura de garantias.

O fato de uma grande empresa abrir caminho nesse tipo de operação com lastro em algodão mostra como culturas de fibra e proteína vegetal ganham peso nas estratégias de financiamento. A diversificação entre CRA, CPR-F, debêntures e parcerias de irrigação ajuda a alongar dívidas, reduzir risco de refinanciamento e tornar mais previsível o fluxo de caixa em ciclos marcados por volatilidade de preços e clima.

Dados e contexto

IndicadorDetalhe

| Valor da emissão | R$ 515,4 milhões | | Tipo de título | CPR-F (liquidação financeira) | | Lastro | 53,4 mil t de algodão em pluma | | Safras de referência | 2026/27 a 2032/33 | | Vencimento final | 15/09/2033 | | Amortização do principal | 2 parcelas iguais (2031 e 2033) | | Remuneração | 95,5% da taxa DI | | Pagamento de juros | Semestral (março e setembro) | | Garantia adicional | Fiança bancária |

Nos últimos anos, o agronegócio brasileiro vem ampliando o uso de instrumentos como CPR, CRA e Fiagro, enquanto o crédito rural oficial, acompanhado por MAPA e Banco Central, segue relevante mas com espaço limitado para acompanhar o crescimento da produção. A combinação de lastro físico (algodão) com garantia financeira busca reduzir o risco percebido pelo investidor.

A SLC já vinha utilizando outras formas de captação no mercado, como CRA de cerca de R$ 1,09 bilhão para alongamento de dívida em ciclo anterior, e parcerias estruturadas com fundos internacionais em projetos de irrigação de grande porte. A CPR-F agora entra como mais uma linha na estratégia de financiamento de médio e longo prazo.

O que observar daqui pra frente

Produtores e empresas devem acompanhar como o mercado precifica essa CPR-F ao longo do tempo, o apetite dos investidores por novos lastros agrícolas e a evolução da taxa DI e da inflação, que impactam diretamente o custo efetivo desse tipo de dívida. A forma como a SLC combina CPR-F, CRA e parcerias de capital pode servir de referência para grupos médios que buscam diversificar financiamento, reduzir dependência de bancos e alinhar necessidade de caixa com ciclos de produção e expansão.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo