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Soja tem dia lento no Brasil, mas preços ficam de estáveis a mais altos

Mercado físico de soja registra pouca movimentação, com alta do dólar e avanço do plantio mantendo cotações entre estáveis e firmes em praças-chave.

02 de junho de 2026 4 min de leitura
Soja tem dia lento no Brasil, mas preços ficam de estáveis a mais altos

O mercado brasileiro de soja teve mais um dia de pouca movimentação, com poucos lotes ofertados e muitos compradores fora das negociações. Mesmo assim, a alta do dólar e o avanço do plantio mantiveram as cotações entre estáveis e levemente mais altas em diversas regiões produtoras e nos portos.

O que aconteceu

Segundo a consultoria Safras & Mercado, o dia foi de mercado "bem lento", com quase nenhuma oferta no físico e apenas negócios pontuais, sem grande volume. Muitos agentes preferiram ficar fora, aguardando melhor definição entre câmbio, Chicago e andamento da safra.[2]

A alta do dólar, perto de 1,2% na sessão, teve impacto limitado nas cotações internas, que oscilaram pouco, mas tendendo mais para a manutenção ou leve valorização da saca. Em Chicago, os contratos de soja fecharam com cotações mistas, em sessão de forte volatilidade ao longo do dia.[2]

O cenário segue influenciado pelo avanço do plantio no Brasil, que melhorou com a volta das chuvas em regiões como Maranhão, Piauí, Tocantins (Mapito) e Goiás, o que mantém o produtor focado na lavoura e menos disposto a negociar grandes volumes no físico.[2]

Por que importa para o agro

Para o produtor, o quadro de preços firmes, mas sem negócios volumosos, indica um mercado em compasso de espera. Quem pode segurar produto tende a adotar postura defensiva, avaliando se a combinação de câmbio forte e safra ainda em formação pode gerar oportunidades melhores mais à frente.

Do lado da indústria e exportadores, a falta de oferta ampla e o ritmo lento travam a formação de grandes posições. Com Chicago volátil e dúvidas sobre o apetite de compra da China, o mercado evita alongar muito a exposição, o que ajuda a explicar por que a alta do dólar não se converteu imediatamente em saltos mais fortes nas cotações internas.[2]

Dados e contexto

Nas principais praças acompanhadas por Safras & Mercado, o dia terminou com leves ajustes, em geral para cima:[2]

  • Passo Fundo (RS): R$ 135 → R$ 136/saca
  • Santa Rosa (RS): R$ 136 → R$ 137/saca
  • Cascavel (PR): estabilidade em R$ 135/saca
  • Rondonópolis (MT): R$ 125 → R$ 126/saca
  • Dourados (MS): R$ 126 → R$ 126,50/saca
  • Rio Verde (GO): estabilidade em R$ 126/saca
  • Porto de Paranaguá (PR): R$ 141 → R$ 142/saca
  • Rio Grande (RS): R$ 141 → R$ 142/saca
Na Bolsa de Chicago (CBOT), o dia foi de variação moderada, refletindo ceticismo do mercado quanto às promessas de compra da China, mesmo após o USDA confirmar vendas de 462 mil toneladas na semana.[2] A fraqueza do petróleo e maior aversão ao risco financeiro também limitaram ganhos.
IndicadorNível do dia
Contrato soja jan/2026 CBOT**US$ 11,25/bushel** (+0,22%)
Contrato soja mar/2026 CBOT**US$ 11,34 1/4/bushel** (+0,19%)

| Farelo dez/CBOT | US$ 315,10/t (+0,35%) | | Óleo dez/CBOT | 50,26 ¢/lb (-0,78%) | | Dólar comercial | R$ 5,4010 (+1,19% no dia) |

O câmbio, que acumula quase 2% de alta na semana, continua sendo o principal suporte aos preços internos, compensando em parte a volatilidade em Chicago.[2]

O que observar daqui pra frente

Nos próximos dias, o foco segue no ritmo do plantio da nova safra, na manutenção do dólar em patamar elevado e nos sinais de demanda externa, especialmente da China. Se o produtor continuar pouco ofertado e o câmbio seguir firme, o mercado físico tende a permanecer enxuto, com preços sustentados, abrindo espaço para janelas pontuais de comercialização para quem acompanha de perto Chicago, prêmio e dólar.

Fontes

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