Tecnologia

Solinftec acelera aposta em “IA raiz” e muda comando da empresa

Solinftec reorganiza a liderança para focar em IA prática no campo e acelerar lançamentos para produtores.

19 de setembro de 2026 5 min de leitura
Solinftec acelera aposta em “IA raiz” e muda comando da empresa

A Solinftec, uma das principais agtechs do país, está promovendo uma virada estratégica para “IA raiz” – inteligência artificial aplicada de forma direta, prática e contínua às operações agrícolas. A mudança vem acompanhada de ajustes no primeiro escalão e de um foco maior em soluções que saem do laboratório e operam no campo com impacto imediato na eficiência, custo e sustentabilidade.

O que aconteceu

Denis Arroyo Alves deixou o cargo de vice-presidente global da Solinftec, em um movimento que abre espaço para os fundadores assumirem protagonismo na próxima fase de inovação da empresa. A saída de executivos de tecnologia e produto sinaliza uma reorganização interna para destravar decisões e acelerar o ritmo de lançamentos voltados ao produtor.

A companhia, criada há cerca de 18 anos por pesquisadores cubanos especializados em cana-de-açúcar, já vinha migrando de sistemas de telemetria e computadores de bordo para uma plataforma robusta de IA proprietária, conhecida como Alice IA. Essa base agora passa por uma reinterpretação: menos foco em demonstrações conceituais e mais em aplicações diretas na rotina de máquinas, frotas, plantio, colheita e manejo de insumos.

No novo desenho, o discurso é de “IA raiz”: modelos preditivos e agentes de IA que atuam integrados a sensores, robôs e sistemas operacionais, enviando alertas e recomendações sem depender de consultas constantes do usuário. A meta é aproximar IA preditiva da chamada “IA física” – equipamentos que coletam, processam e executam decisões em tempo real.

Por que importa para o agro

Para o produtor, a mudança significa sair da IA de relatório e entrar na IA de decisão automática. Em vez de receber apenas painéis com dados e gráficos, a promessa é ter sistemas que identificam gargalos, simulam cenários e já sugerem ações concretas de logística, aplicação de defensivos, regulagem de máquinas e janelas de plantio, reduzindo a necessidade de intervenção humana e o tempo entre diagnóstico e execução.

A Solinftec já reportou ganhos como redução de até 15% no uso de defensivos, queda de cerca de 25% no consumo de combustível e aumento de até 50% na eficiência de máquinas com soluções de IA e automação em fazendas de grãos e cana. Esses números indicam que, se a virada cultural destravar novos módulos de IA e robótica em escala, o impacto em custo operacional e sustentabilidade pode ser relevante em grandes áreas agrícolas.

Dados e contexto

A Solinftec construiu ao longo de quase duas décadas um ecossistema com:

  • Mais de 25 soluções para culturas como cana, grãos, fibras, citros, café e florestas.
  • Plataforma Alice IA com histórico de dados de até 20 anos em algumas operações.
  • Robô Solix Ag Robotics, movido a energia solar e equipado com visão computacional.
Na Agrishow 2026, a empresa apresentou a Alice IA Multiagentes, arquitetura em que diversos agentes especializados operam em paralelo:
AgenteFunção principal
SuporteAtendimento e resolução de problemas do usuário
OperacionalOtimização de operações de máquinas e equipes
ClimáticoAnálise de clima e janelas de operação
COA (dados)Análise avançada de dados e correlações
Disponibilidade e FrotasGestão de tempo de máquina, quebra e manutenção
Projeção EspacialUso de mapas e georreferenciamento nas decisões

Essa abordagem conecta IA preditiva (modelos que simulam e recomendam ações) com IA física, via robôs como o Solix, capazes de localizar plantas daninhas, ajustar rotas e controlar aplicação de herbicidas. Em casos divulgados, o robô ajudou a reduzir mais de 90% do uso de herbicidas em áreas de grãos.

No pano de fundo, o agro brasileiro vive uma corrida por produtividade com menos insumo e menor pegada de carbono, pressionado por mercados e reguladores. Dados de Embrapa e Conab mostram que ganhos de eficiência serão decisivos para manter competitividade em grãos, cana e fibras nos próximos ciclos, o que reforça o interesse em soluções de IA operacional.

O que observar daqui pra frente

Os próximos meses serão decisivos para saber se a virada para “IA raiz” vai se traduzir em novos produtos de campo, contratos e resultados mensuráveis em grandes grupos e cooperativas. Produtores devem acompanhar a evolução dos agentes de IA, a integração com máquinas já presentes na fazenda e modelos de negócio mais acessíveis, além de monitorar como essas ferramentas conversam com dados oficiais de clima, produtividade e mercado usados por instituições como Embrapa, Conab e USDA.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo