Sustentabilidade

Suco de uva orgânico de São Roque conquista prêmio nacional após 6 anos de pesquisa

Projeto agroecológico de São Roque desenvolve suco de uva orgânico premiado em concurso nacional, após seis anos de pesquisa em produção sem agrotóxicos.

21 de junho de 2026 5 min de leitura
Suco de uva orgânico de São Roque conquista prêmio nacional após 6 anos de pesquisa

Um suco de uva orgânico e agroecológico, desenvolvido em São Roque (SP), conquistou um dos principais prêmios no 1º Concurso Brasileiro de Suco de Uva, após seis anos de pesquisa da APTA Regional, ligada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo.[6][1] O produto se destacou pela alta pontuação em avaliação sensorial e pela produção sem uso de agrotóxicos, reforçando o potencial de valor agregado para pequenos e médios produtores.[6]

O que aconteceu

Pesquisadores da APTA Regional de São Roque conduziram, por seis anos, um projeto de vinhedo agroecológico para desenvolver um suco de uva orgânico com alta qualidade sensorial e estabilidade tecnológica.[6][1] O trabalho envolveu manejo sem defensivos químicos, seleção de variedades e ajustes finos de colheita e processamento até chegar ao padrão ideal para o mercado.

O resultado foi um suco avaliado entre 90 e 95 pontos em prova às cegas por especialistas, pontuação considerada de excelência no 1º Concurso Brasileiro de Suco de Uva, organizado por entidades do setor, incluindo a Sindusvinho.[6][1] A amostra de São Roque recebeu Medalha de Platina, destaque máximo do concurso, entre diversos rótulos de várias regiões produtoras.[1][2]

O concurso avaliou critérios como cor, aroma, sabor, equilíbrio de acidez, doçura natural e ausência de defeitos, além de aspectos ligados ao padrão de processamento.[6][1] O desempenho do suco agroecológico colocou São Roque no mapa nacional dos sucos de uva de alta qualidade, tradicionalmente dominado por polos do Sul do país.[1]

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Por que importa para o agro

O prêmio mostra que sistemas agroecológicos e orgânicos podem entregar produtos com qualidade sensorial comparável – ou superior – aos sistemas convencionais, abrindo espaço para preços mais altos e nichos de mercado diferenciados.[6][1] Para regiões com área limitada, como São Roque, o foco em valor agregado por hectare é estratégico para manter a vitivinicultura competitiva.

Para o produtor, o caso aponta oportunidade de diversificar além do vinho, com suco integral orgânico como alternativa de renda menos exposta a oscilações de consumo alcoólico e com maior apelo em saúde e alimentação infantil.[5][6] O avanço também fortalece a imagem do setor diante de consumidores que exigem rastreabilidade, redução de agroquímicos e práticas sustentáveis.

Dados e contexto

Segundo o G1, o suco premiado foi desenvolvido em vinhedo agroecológico experimental, com uso de práticas como adubação verde, manejo de cobertura do solo e controle biológico, sem herbicidas ou fungicidas sintéticos.[6][1]

No Brasil, a vitivinicultura é liderada pela região Sul, mas o cinturão verde de São Paulo vem ampliando a produção de sucos e vinhos de nicho voltados ao turismo rural e ao mercado premium.[1][7] A experiência de São Roque reforça essa tendência.

Na avaliação técnica do concurso, o suco orgânico atingiu entre 90 e 95 pontos numa escala que considera atributos visuais, olfativos e gustativos, além de parâmetros tecnológicos de processamento.[6] Pontuações acima de 90 são típicas de produtos posicionados em faixa de maior valor.

A linha de sucos integrais de uva, em geral, se baseia em extratos sem adição de açúcar, água ou conservantes, o que aumenta o peso da qualidade da matéria-prima e do manejo no campo.[5] Em sistemas orgânicos, o desafio é manter sanidade das uvas e regularidade de produção, pontos que a pesquisa de seis anos buscou equacionar.[6]

Tabela de destaque do projeto:

AspectoDestaque do suco de São Roque
Sistema produtivoVinhedo agroecológico orgânico, sem agrotóxicos[6][1]
Tempo de pesquisa6 anos de experimentação em campo e processamento[6]
Certame1º Concurso Brasileiro de Suco de Uva[6][1]
ResultadoMedalha de Platina, com 90–95 pontos[6][1]

O caso dialoga com o crescimento do mercado de produtos orgânicos no Brasil, impulsionado por consumidores de maior renda e programas institucionais de alimentação saudável, segmento acompanhado por órgãos como MAPA e IBGE em levantamentos de produção e consumo de alimentos diferenciados.

O que observar daqui pra frente

Produtores e cooperativas devem acompanhar a evolução da transferência de tecnologia desse projeto para propriedades comerciais em São Roque e outras regiões. A adoção em escala vai mostrar se o modelo agroecológico premiado mantém produtividade, qualidade e rentabilidade em diferentes condições de solo e clima, e se o mercado absorve volumes maiores de suco orgânico com prêmios de preço suficientes para compensar os custos adicionais de manejo.

Fontes

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