Tirso Meirelles critica MP do Frete e cobra logística eficiente para o agro
Vice da Faesp vê risco de alta de custos com MP do Frete e defende foco em infraestrutura para garantir competitividade do agronegócio.
O vice-presidente da Faesp, Tirso Meirelles, criticou a nova MP do Frete, alertando para o risco de aumento dos custos logísticos para o agronegócio e defendendo que o governo priorize investimentos em infraestrutura e gestão da logística nacional.[11][15] Para ele, tabelar frete sem rodovias eficientes, ferrovias integradas e portos ágeis é atacar o efeito e não a causa do problema.
O que aconteceu
A chamada MP do Frete, já sancionada, reforça o piso mínimo do frete rodoviário, aumenta a fiscalização e endurece punições para empresas que contratarem abaixo da tabela da ANTT.[11][7] A medida exige registro de operações no CIOT e prevê multas mais altas para descumprimento.[7][11]
Em sua análise, Tirso Meirelles destacou que, embora a proteção ao transportador seja legítima, o texto tende a elevar o custo de frete em um ambiente já pressionado por diesel caro, pedágios e rodovias em más condições.[9][11] Ele argumenta que o agro será diretamente afetado, porque depende quase integralmente do transporte rodoviário para escoar grãos, insumos e alimentos.
O dirigente da Faesp também relacionou o debate sobre frete à desestruturação das políticas agrícolas, com funções do Ministério da Agricultura fragmentadas em outras pastas, o que dificulta uma estratégia integrada para logística, abastecimento e segurança alimentar.[8][14]
Por que importa para o agro
No campo, frete mais caro significa margem apertada para o produtor e maior risco de perda de competitividade em relação a concorrentes internacionais, que operam com infraestrutura mais eficiente.[11][15] Setores intensivos em transporte, como grãos, carnes e fibras, sentem o impacto diretamente na formação de preço ao consumidor e na capacidade de exportar.
Especialistas apontam que a combinação de tabela de frete mais rígida, fiscalização reforçada e possíveis altas do diesel pode gerar impacto tributário bilionário e elevar os custos logísticos do agronegócio a partir de 2027.[13][11] Meirelles alerta que, sem contrapartida em obras e gestão logística, o resultado pode ser queda de renda no campo e encarecimento dos alimentos.
Dados e contexto
Levantamentos recentes mostram que ineficiências logísticas já representam cerca de 30% dos custos de produção agrícola no Brasil.[15] Segundo o USDA, as limitações de transporte, armazenagem e portos geraram aproximadamente US$ 14 bilhões em custos adicionais em 2025.[15]
A MP do Frete mantém a tabela da ANTT como referência, com atualização mais rápida em função da variação do preço do diesel e maior rigor na fiscalização do piso mínimo.[11][2] A exigência de registro das operações via CIOT e as punições para fretes abaixo da tabela elevam o grau de controle sobre contratos.[7][11]
Ao mesmo tempo, o agro convive com rodovias deterioradas, pedágios elevados e obras atrasadas, o que encarece o transporte e reduz previsibilidade logística.[9][12] Especialistas em logística defendem políticas de longo prazo, maior eficiência na execução de projetos e medidas pontuais, como desoneração de combustíveis, para aliviar custos no curto prazo.[12]
| Indicador logístico | Situação no agro brasileiro |
|---|---|
| Participação da logística nos custos de produção | **≈30%** dos custos agrícolas[15] |
| Custo extra por ineficiências logísticas | **US$ 14 bilhões em 2025**[15] |
| Principal modal do escoamento da produção | Rodoviário, dependente de frete e pedágios[9][11] |
O que observar daqui pra frente
Produtores e empresas do agro devem acompanhar de perto a regulamentação da MP do Frete pela ANTT, os ajustes na tabela mínima e eventuais ações do governo em infraestrutura, como concessões de rodovias, investimentos em ferrovias e melhoria de acesso a portos.[2][11][12] Se o frete subir sem compensação em eficiência logística, o setor pode enfrentar pressão adicional sobre custos, o que exige gestão mais rígida de transporte, negociação com parceiros e maior foco em planejamento logístico.
Fontes
- Canal Rural - Logística no agro e MP do Frete
- Canal Rural - 'O Ministério da Agricultura acabou', afirma vice-presidente da Faesp
- CNN Brasil - Lula sanciona MP do Frete e agro teme alta dos custos logísticos
- Portal do Agronegócio - MP do Frete pode elevar custos logísticos do agronegócio
- CNN Brasil - USDA vê logística como principal limite ao avanço do agro brasileiro
- YouTube - Rodovias em ruínas, pedágios antecipados e frete alto: o custo do caos logístico para o agro
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