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UE veta carne e produtos de origem animal do Brasil a partir de setembro

União Europeia retira o Brasil da lista de países aptos a exportar carne e produtos de origem animal por falta de garantias sobre uso de antimicrobianos na pecuária.

18 de maio de 2026 4 min de leitura
UE veta carne e produtos de origem animal do Brasil a partir de setembro

A União Europeia decidiu excluir o Brasil da lista de países que cumprem suas regras sobre uso de antimicrobianos na pecuária. Com isso, o bloco vai vetar, a partir de 3 de setembro de 2026, as importações de carnes e outros produtos de origem animal brasileiros, afetando um dos principais mercados do agro nacional.

O que aconteceu

A Comissão Europeia atualizou a lista de países autorizados a exportar carne e derivados para o bloco e retirou o Brasil. A medida vale para bovinos, equinos, aves, ovos, produtos de aquicultura, mel e invólucros. A decisão passa a ter efeito legal após a publicação no diário oficial da UE.

Segundo porta-voz da Comissão, o Brasil não forneceu garantias consideradas suficientes de que antimicrobianos proibidos ou de uso restrito não são utilizados na pecuária destinada à exportação. Outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, permaneceram na lista e seguem autorizados a vender para o bloco europeu.

Em abril, o Ministério da Agricultura (MAPA) publicou portaria proibindo a importação, fabricação, comercialização e uso de alguns antimicrobianos na produção animal. A medida foi vista como tentativa de aproximação às exigências europeias, mas não impediu o veto anunciado agora.

Por que importa para o agro

A UE é hoje o segundo maior mercado para as carnes brasileiras em valor, atrás apenas da China, segundo o MAPA. A perda desse destino pressiona frigoríficos exportadores, cooperativas e produtores integrados, especialmente nos segmentos de bovinos, aves e suínos, que podem enfrentar queda de preços internos no curto prazo.

O veto também afeta a imagem do Brasil como fornecedor de alimentos de alto padrão sanitário. Em negociações com outros compradores, esse tipo de questionamento tende a aparecer, elevando custos de conformidade, exigindo rastreabilidade mais rígida e ajustes rápidos em protocolos de uso de medicamentos e de bem-estar animal.

Dados e contexto

A UE adotou regras mais duras para combater a resistência antimicrobiana (RAM), tema acompanhado por organismos como OMS e FAO. O foco é reduzir o uso preventivo de antibióticos na produção animal e proibir determinadas moléculas consideradas críticas para a saúde humana.

Segundo dados recentes do Ministério da Agricultura e da Conab:

  • A UE responde por cerca de 10% a 12% da receita das exportações brasileiras de carnes em alguns anos, variando por produto.
  • Em 2025, o Brasil exportou mais de US$ 10 bilhões em carnes bovina, suína e de aves; a UE participou com fatia relevante, principalmente em cortes de maior valor agregado.
  • A China absorve a maior parte da carne bovina brasileira, mas a UE é importante para produtos premium e para diversificação de mercados.
A Embrapa vem defendendo há anos o uso racional de antimicrobianos, com foco em biosseguridade, vacinação e manejo para reduzir a dependência de antibióticos. A adequação a padrões como os europeus exige protocolos claros de rastreabilidade, controle de resíduos e registros de medicamentos em toda a cadeia.

Resumo das mudanças para o mercado brasileiro:

Ponto-chaveSituação após decisão da UE

| Acesso ao mercado europeu | Vetado para carne e produtos de origem animal | | Motivo principal | Falta de garantias sobre uso de antimicrobianos | | Países do Mercosul ainda aptos | Argentina, Paraguai, Uruguai | | Impacto imediato provável | Redirecionamento de oferta e pressão em preços |

O que observar daqui pra frente

O setor deve acompanhar três frentes: negociação diplomática do governo com Bruxelas, possíveis ajustes regulatórios do MAPA em antimicrobianos e rastreabilidade, e a capacidade da indústria de redirecionar volumes para China, Oriente Médio e outros mercados. Quem se antecipar na adequação sanitária e em programas de uso responsável de medicamentos terá mais condições de recuperar acesso à UE e ganhar competitividade em outros destinos exigentes.

Fontes

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