Mercado

ABPA vê recuperação da suinocultura brasileira a partir de 2027

Após margens pressionadas em 2026, ajuste da oferta e avanço das exportações devem sustentar a retomada da suinocultura em 2027, segundo a ABPA.

29 de julho de 2026 4 min de leitura
ABPA vê recuperação da suinocultura brasileira a partir de 2027

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta que a suinocultura brasileira deve iniciar um ciclo de recuperação em 2027, após um 2026 marcado por acomodação da oferta e margens pressionadas para os produtores.[1] A entidade aposta na combinação de ajuste produtivo e crescimento das exportações para reequilibrar o mercado e devolver rentabilidade ao setor.[1][2]

O que aconteceu

Em coletiva com a imprensa, o presidente da ABPA, Ricardo Santin, apresentou as novas projeções para carne suína, indicando que 2026 será um ano de transição, com oferta em acomodação e pressão sobre os resultados econômicos dos produtores.[1] O movimento decorre do ajuste gradual do plantel, em resposta ao cenário de custos e preços observado nos últimos anos.[1]

Segundo a ABPA, o ciclo mais longo da suinocultura faz com que o ajuste da oferta seja mais lento que na avicultura, o que empurra a normalização do mercado para o segundo semestre de 2026 e início de 2027.[1] Com menor pressão de oferta e demanda mais equilibrada, a entidade vê espaço para melhora de preços e margens no próximo ano.[1]

Para 2026, a ABPA estima produção de até 5,87 milhões de toneladas de carne suína, alta de até 5% sobre 2025.[2][3] Em 2027, a projeção é de produção de até 6,05 milhões de toneladas, crescimento de até 3,1% em relação a 2026.[2][3]

Imagem

Por que importa para o agro

Para o produtor de suínos, o cenário descrito pela ABPA indica um 2026 ainda apertado, com custos elevados e preços pressionados pela oferta em acomodação.[1] Quem conseguir atravessar esse período com gestão mais rígida de custos, renegociação de dívidas e foco em produtividade tende a chegar em 2027 em posição mais competitiva.

Do lado do mercado, a combinação de maior produção e avanço das exportações deve reorganizar o equilíbrio entre mercado interno e externo.[2][3] Com embarques em alta e disponibilidade doméstica ajustada, a tendência é de um ambiente menos volátil de preços, o que favorece planejamento de indústria, cooperativas e integrados.

Dados e contexto

A ABPA projeta avanço consistente da produção e das exportações de carne suína até 2027:[2][3] | Indicador | 2026 (projeção)

2027 (projeção)

| Produção de carne suína | até 5,87 mi t | até 6,05 mi t | | Crescimento da produção | até 5% vs. 2025 | até 3,1% vs. 2026 | | Exportações de carne suína | até 1,6 mi t | até 1,7 mi t | | Crescimento das exportações | até 5,9% vs. 2025 | até 6,3% vs. 2026 | | Disponibilidade no mercado interno | cerca de 4,27 mi t | cerca de 4,35 mi t |

A ABPA destaca que o ajuste da oferta avança ao longo do segundo semestre de 2026, com impacto gradual na formação de preços.[1] A entidade também vê nas exportações um dos principais pilares da recuperação, em linha com o histórico de expansão da proteína animal brasileira em mercados como Ásia e América Latina.[2][3]

Em paralelo, o setor discute melhorias no financiamento e políticas públicas específicas para suinocultores, como propostas da ABCS para o Plano Safra, incluindo linhas de crédito para retenção de matrizes e ajustes em programas como Pronamp e Inovagro, com base em dados e estudos da Embrapa.[5]

O que observar daqui pra frente

Produtores e indústria devem acompanhar de perto a velocidade do ajuste da oferta em 2026, o comportamento dos custos de insumos e a evolução das exportações de carne suína.[1][2][3] Se as projeções da ABPA se confirmarem, 2027 pode marcar um ponto de virada para a suinocultura, com melhora de margens. Porém, qualquer mudança relevante em câmbio, demanda internacional ou sanidade animal pode alterar esse cenário e exigir reação rápida da cadeia.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo