Sustentabilidade

Acelen aposta na macaúba para produzir combustíveis renováveis

Projeto de R$ 13,7 milhões busca desenvolver a macaúba para produzir SAF, diesel verde e outros bioprodutos em escala comercial.

06 de novembro de 2026 3 min de leitura
Acelen aposta na macaúba para produzir combustíveis renováveis

A Acelen Renováveis iniciou um projeto de cinco anos para desenvolver a macaúba como matéria-prima de combustíveis sustentáveis. A iniciativa prevê a produção de combustível sustentável de aviação (SAF), diesel verde, energia térmica e coprodutos. O investimento soma R$ 13,7 milhões e envolve a Embrapa, a Embrapii e o BNDES.

O que aconteceu

A empresa firmou acordos de cooperação técnica com a Embrapa Agroenergia para avançar na domesticação da macaúba e estabelecer lavouras comerciais. A pesquisa também envolve as unidades da Embrapa Algodão, Florestas, Meio-Norte e Recursos Genéticos e Biotecnologia.

O trabalho inclui seleção de materiais genéticos, manejo, implantação de áreas produtivas e desenvolvimento de tecnologias para extração dos óleos da polpa e da amêndoa. A proposta é aproveitar integralmente o fruto, incluindo casca, polpa, endocarpo e amêndoa.

A Acelen pretende estruturar uma cadeia integrada, da produção de sementes ao processamento industrial. A empresa trabalha com a meta de alcançar 1 bilhão de litros de combustíveis renováveis, apoiada pela expansão da macaúba na Bahia e no norte de Minas Gerais.

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Por que importa para o agro

A macaúba pode ampliar a oferta de matéria-prima para o mercado de biocombustíveis sem depender exclusivamente de culturas tradicionais, como a soja. Segundo dados divulgados pelo setor de pesquisa, a palmeira pode produzir cerca de 2.500 litros de óleo por hectare, contra aproximadamente 500 litros da soja.

A cultura também cria oportunidades para fornecedores de mudas, produtores rurais, empresas de assistência técnica e indústrias de processamento. Além dos combustíveis, o aproveitamento do fruto pode gerar tortas para alimentação, biomassa, insumos para a química renovável e outros produtos de maior valor agregado.

Para o produtor, o principal potencial está na diversificação da renda e na ocupação de áreas compatíveis com o cultivo. A viabilidade, porém, dependerá de materiais genéticos adaptados, produtividade comprovada, logística e contratos de compra que reduzam o risco de implantação.

Dados e contexto

  • Investimento: R$ 13,7 milhões.
  • Duração do projeto: cinco anos.
  • Instituições envolvidas: Acelen Renováveis, Embrapa, Embrapii e BNDES.
  • Produtos previstos: SAF, diesel verde, energia térmica e coprodutos.
  • Potencial estimado: aproximadamente 2.500 litros de óleo por hectare.
  • Meta territorial mencionada pelo setor: até 200 mil hectares de macaúba na Bahia e no norte de Minas Gerais.
A Embrapa participa do desenvolvimento agronômico e industrial, enquanto a Embrapii e o BNDES apoiam o financiamento da inovação. O projeto acompanha a expansão das políticas brasileiras voltadas à descarbonização dos transportes e ao desenvolvimento de combustíveis renováveis.

O que observar daqui para frente

Os próximos passos serão a validação dos materiais genéticos, a definição do sistema de produção e a comprovação dos custos em escala comercial. Também será necessário acompanhar o zoneamento, a regularização ambiental, a disponibilidade de mudas e os modelos de contrato com produtores. Se os resultados forem positivos, a macaúba pode formar uma nova cadeia agroindustrial; se a produtividade ou a logística ficarem abaixo do esperado, a expansão será mais lenta.

Fontes

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